Polícia

Adolescente afirma ter sido despida e amarrada em árvore


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Uma história com contornos tão dramáticos como inesperados chegou à Polícia Civil, no início da tarde desta quarta-feira (2), em Bauru. Uma adolescente de 17 anos afirma ter sido agredida, despida, amordaçada e amarrada em uma árvore pelo ex-companheiro de sua amiga, um homem de 42 anos que já a teria estuprado e até tentado matá-la anteriormente.

Os nomes de todos os envolvidos foram preservados em respeito ao Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) e pelo fato de o caso ainda estar em investigação.

O suposto agressor, morador de Ribeirão Preto, nega a acusação e afirma que jamais esteve em Bauru. Na manhã de ontem, a jovem acionou a Polícia Militar, que confirmou, em registro de boletim de ocorrência, a existência de sangramento vaginal na garota. 

A adolescente, contudo, não soube dizer se foi, novamente, vítima de violência sexual, já que teria ficado desacordada. Ainda ontem, ela seria submetida a exame de corpo de delito na Maternidade Santa Isabel, que poderia comprovar a agressão.

À Polícia Civil, a jovem contou que foi abordada por volta das 20h de anteontem pelo homem, que dirigia um automóvel. Ele a teria levado até um matagal nas imediações da quadra 11 da rua dos Motoristas, no Núcleo Gasparini, onde a amarrou em uma árvore e a amordaçou com faixas (do tipo usado em hospitais).

“Ela disse que o homem deu tapas no rosto dela e que ela ficou desacordada, mas não soube dizer, com certeza, se foi dopada ou drogada pelo suposto agressor”, comenta o delegado plantonista Rogério Dantas. Ainda de acordo com o boletim de ocorrência, a garota acordou ontem de manhã, nua e com escoriações pelo corpo, e conseguiu se livrar da mordaça para chamar por socorro, sendo resgatada por um homem que não teria esperado a chegada da PM.

‘Mentira’

 

A reportagem conseguiu conversar com o acusado de agressão e com a ex-companheira dele, amiga da vítima, que acompanhou a jovem durante todo o processo de registro da ocorrência e de realização do exame de corpo de delito. As versões de ambos são diametralmente opostas. 

O homem diz que a adolescente e sua ex-companheira inventaram a história para que ele fosse preso e, assim, o filho mais velho do casal fosse obrigado a se mudar para Bauru. 

“Nos separamos há dois meses e o meu menino quis ficar comigo em Ribeirão. Tenho outras duas crianças, que foram levadas pela mãe para Bauru, quando ela decidiu sair daqui. Ela nem deixa meu filho falar com as irmãs, pra forçá-lo a ir para Bauru também”, argumenta.

Ainda de acordo com o suposto agressor, ele teria trabalhado das 23h de anteontem até as 7h de ontem como recepcionista em um hotel de Ribeirão, o que inviabilizaria a possibilidade de ele ter agredido a garota em Bauru. “No meu trabalho, tem câmeras para todo lado. É só a polícia pedir, que eu mostro. Essas duas estão mentindo”, garante, afirmando que nunca agrediu ou estuprou a adolescente, que ele diz ser usuária de drogas.

Protetiva

 A Polícia Civil confirmou que a Justiça já havia concedido medida protetiva à adolescente e à ex-companheira do suspeito, para evitar que o homem se aproximasse das duas. Segundo a mulher, o recurso foi solicitado há alguns dias porque ambas se sentiam ameaçadas pelo homem. 

Homicídio em Piracicaba

 Segundo pessoas próximas da vítima, em 15 de agosto deste ano, o suposto agressor teria matado um jovem por engano em Piracicaba, acreditando tratar-se da adolescente, que é homossexual. “Ela têm cabelos curtos e se veste com roupas de homem. Naquele dia, ela estava vestida igualzinha ao rapaz que morreu no lugar dela”, comenta um conhecido.

O crime foi registrado durante a madrugada, em uma praça localizada no Jardim Oriente. Segundo esta pessoa, a garota estava na companhia deste jovem de 20 anos, quando o homem passou e chamou pela adolescente. 

“O rapaz foi ver o que era e se aproximou do carro. Como estava escuro, é possível que ele (o motorista) tenha se confundido. O menino morreu com vários tiros de (arma calibre) 380”, relembra.

História ainda tem denúncias de ameaças, estupros e prostituição 

Segundo a ex-companheira do suspeito, de 31 anos, a adolescente que denunciou o caso relatou que vinha sendo perseguida e ameaçada pelo suposto agressor desde que decidiu registrar boletim de ocorrência contra ele. A primeira queixa teria sido prestada em junho, quando ela deixou a residência do casal, em Ribeirão Preto, e voltou para Piracicaba, onde vivem seus familiares.

“Foi então que ela procurou a polícia e contou que tinha sido estuprada por diversas vezes e que ele também a obrigava a se prostituir e a vender drogas”, conta a ex-companheira. Todos os crimes teriam sido cometidos durante os dois anos em que a adolescente viveu na residência do casal, que possui três filhos e permaneceu unido durante 16 anos.

“Só que, talvez por medo, ela nunca me contou nada. Achei que acontecia só comigo, porque ele também me ameaçava, me agredia e me obrigava a me prostituir”, completa. 

Em julho, ainda sem saber do ocorrido, a mulher decidiu romper o relacionamento com o então companheiro e mudou-se com as duas filhas mais novas para Bauru, onde vive sua mãe. Quando soube da separação, há poucos dias, a adolescente veio até a cidade, procurou a amiga e revelou a história. Segundo a mulher, isso teria motivado o ex-companheiro a viajar até Bauru para agredir novamente a garota.

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