Regional

Laudo atesta que bebê nasceu vivo

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

João Rosan
Delegado Luiz Cláudio Massa recebeu laudo complementar do IML 

Laudo complementar do Instituto Médico Legal (IML) solicitado pela Polícia Civil de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) afirma que o bebê que morreu no dia 12 de agosto, no Hospital Nossa Senhora da Piedade, após espera de 21 horas por cesárea, chegou a respirar fora do útero. A informação contraria o que havia sido dito pelo médico responsável pelo parto. Segundo a polícia, o caso passa a ser tratado como homicídio culposo (quando não há intenção de matar). A assessoria de imprensa do hospital disse que irá se manifestar hoje ou amanhã.

O caso foi divulgado pelo JC no último dia 15 (leia mais abaixo). De acordo com o delegado titular de Lençóis Paulista, Luiz Cláudio Massa, após o registro da suposta negligência médica, o médico que fez o parto prestou depoimento e disse que a menina nasceu morta. “Segundo ele e o pediatra, a criança já estaria com rigidez cadavérica e com várias sintomas de que tinha agonizado no útero”, declarou Massa na ocasião.

O laudo complementar do IML, contudo, contesta a informação dele. Segundo o delegado, o médico legista que assina o documento atesta que a morte foi causada por “anoxia anteparto”, ou falta de oxigenação no interior do útero, mas revela que o bebê nasceu com vida. “A criança chegou a respirar e o caso se transformou agora em homicídio culposo”, explica Massa.

Ainda de acordo com o delegado, laudo esclarece que o ecocardiografia (exame para medir batimentos cardíacos do bebê), que resultou em gráfico em linha reta, indicava problemas com o feto. “O laudo do IML respondeu que aquilo já indicava sofrimento fetal”, diz. Em depoimento, segundo Massa, a médica que analisou o exame havia dito que o resultado estava normal.

Em nova oitiva, porém, a profissional alegou que poderia ter se confundido e ouvido os batimentos da mãe. “Quando ela fez o exame, já indicava sofrimento fetal e a criança ficou mais 18 horas até ser submetida à cesárea, quando então nasceu com vida, mas, por conta da falta de oxigenação dentro do útero, possivelmente por conta do cordão umbilical enrolado no pescoço, não veio a resistir”, afirma.

“A polícia já tem a convicção no sentido de indiciar a médica que não fez o parto no momento oportuno. E, agora, vamos investigar a conduta do médico que fez o parto e confrontar as alegações dele no dia em que foi ouvido, no dia seguinte ao parto, com relação às contradições que o laudo trouxe”. 

Relembre o caso

Apesar de apresentar documento atestando que a gravidez era de risco por conta de mioma, no último dia 11, gestante de 24 anos teria sido orientada por médica do hospital de Lençóis Paulista a retornar no dia seguinte para tentar parto normal. Após 21 horas de espera, no dia 12, às 15h30, cesárea foi feita por médico que assumiu o plantão, mas ele alegou que o bebê nasceu morto. No dia 13, a suposta negligência foi registrada e a polícia interrompeu velório para que o bebê fizesse exame necroscópico no IML.

 

Comentários

Comentários