| João Rosan |
| Delegado Luiz Cláudio Massa recebeu laudo complementar do IML |
Laudo complementar do Instituto Médico Legal (IML) solicitado pela Polícia Civil de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) afirma que o bebê que morreu no dia 12 de agosto, no Hospital Nossa Senhora da Piedade, após espera de 21 horas por cesárea, chegou a respirar fora do útero. A informação contraria o que havia sido dito pelo médico responsável pelo parto. Segundo a polícia, o caso passa a ser tratado como homicídio culposo (quando não há intenção de matar). A assessoria de imprensa do hospital disse que irá se manifestar hoje ou amanhã.
O caso foi divulgado pelo JC no último dia 15 (leia mais abaixo). De acordo com o delegado titular de Lençóis Paulista, Luiz Cláudio Massa, após o registro da suposta negligência médica, o médico que fez o parto prestou depoimento e disse que a menina nasceu morta. “Segundo ele e o pediatra, a criança já estaria com rigidez cadavérica e com várias sintomas de que tinha agonizado no útero”, declarou Massa na ocasião.
O laudo complementar do IML, contudo, contesta a informação dele. Segundo o delegado, o médico legista que assina o documento atesta que a morte foi causada por “anoxia anteparto”, ou falta de oxigenação no interior do útero, mas revela que o bebê nasceu com vida. “A criança chegou a respirar e o caso se transformou agora em homicídio culposo”, explica Massa.
Ainda de acordo com o delegado, laudo esclarece que o ecocardiografia (exame para medir batimentos cardíacos do bebê), que resultou em gráfico em linha reta, indicava problemas com o feto. “O laudo do IML respondeu que aquilo já indicava sofrimento fetal”, diz. Em depoimento, segundo Massa, a médica que analisou o exame havia dito que o resultado estava normal.
Em nova oitiva, porém, a profissional alegou que poderia ter se confundido e ouvido os batimentos da mãe. “Quando ela fez o exame, já indicava sofrimento fetal e a criança ficou mais 18 horas até ser submetida à cesárea, quando então nasceu com vida, mas, por conta da falta de oxigenação dentro do útero, possivelmente por conta do cordão umbilical enrolado no pescoço, não veio a resistir”, afirma.
“A polícia já tem a convicção no sentido de indiciar a médica que não fez o parto no momento oportuno. E, agora, vamos investigar a conduta do médico que fez o parto e confrontar as alegações dele no dia em que foi ouvido, no dia seguinte ao parto, com relação às contradições que o laudo trouxe”.
Relembre o caso
Apesar de apresentar documento atestando que a gravidez era de risco por conta de mioma, no último dia 11, gestante de 24 anos teria sido orientada por médica do hospital de Lençóis Paulista a retornar no dia seguinte para tentar parto normal. Após 21 horas de espera, no dia 12, às 15h30, cesárea foi feita por médico que assumiu o plantão, mas ele alegou que o bebê nasceu morto. No dia 13, a suposta negligência foi registrada e a polícia interrompeu velório para que o bebê fizesse exame necroscópico no IML.