Tribuna do Leitor

Aviação Militar da Força Pública de São Paulo


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Inspirado na organização britânica de segurança, quando em visita à Inglaterra, Rodrigues Alves, presidente da Província de São Paulo, em 17 de dezembro de 1913  sancionou a Lei 1395-A, criando a Escola de Aviação da Força Pública. Mas por falta de estrutura técnica e um instrutor que ensinasse sobre a difícil arte de pilotar, somente em 1919 veio para São Paulo o piloto norte-americano  Othon William Hoover. Em 9 de dezembro desse ano, o presidente da Província, Altino Arantes, sancionou a lei nº 1675-A, destinando recursos suficientes para a construção de hangares no Campo de Marte (escolhido como base), contendo ainda oficinas, acessórios, gastos com instrutores e compra de aparelhos. 

No final de 1920, Hoover saiu da Escola e caiu a produção desta até 1924, quando assumiu o comando da corporação geral, o cel. Pedro Dias de Campos, criando a fase áurea da milícia, com artilharia, considerando a aviação como 5ª arma de guerra da aviação militar bandeirante, com a Esquadrilha de Aviação, instituída pela lei nº 2051, de 31 de dezembro de 1924, que vigorou até 1930 com eficiência. Nesse período Hover havia retornado para dirigir os trabalhos técnicos. Com a revolução de outubro de 1930, a Esquadrilha da Aviação foi desmotivada, inclusive sua artilharia.

Desprovida de suas funções aeroviárias em decorrência da tomada do poder por Getúlio Vargas, a Força Pública recolhe-se aos quartéis, não mais hostilizando as forças federais. Com a eclosão da revolução paulista de 1932, o governador paulista  Pedro de Toledo baixou o decreto nº  5590, de 15 de julho,  criando o “Grupo Misto de Aviação da Força Pública”, renascendo a aviação militar paulista.

O Regimento de Cavalaria (depois denominado Regimento 9 de julho), invadiu o Campo de Marte, retomando-o. “Desde o início da Revolução a Marinha  havia bloqueado o porto de Santos. São Paulo havia adquirido armas nos EUA que chegaram a bordo do navio ‘Ruth’ e, assim sendo, era necessário desobstruir o porto e afastar os navios da Marinha. Ficou decidido que a aviação bombardearia a Esquadra responsável pelo bloqueio, para que o ‘Ruth’ desembarcasse as armas.

A operação foi coroada de pleno êxito, pois a esquadra da Ditadura abandonou o porto de Santos, porém, os dois  pilotos que dela participaram morreram no ataque em consequência de uma explosão. Esse triste episódio encerra a grande atuação da nossa aviação na Revolução de 1932, pois ele estava chegando ao fim. O ‘Grupo Misto de Aviação da Força Pública’ foi extinto dias após, sendo todo seu material  entregue ao Exército, bem como o Campo de Marte ao Governo Federal.”

(*) Esta síntese foi feita com base no texto do segundo tenente PM Ricardo José de Oliveira, publicado na Revista dos 87 anos do 4º BPM-I (1988). 

 

 (Texto elaborado por Gabriel Ruiz Pelegrina e Irineu Azevedo Bastos, ambos  membros da Academia Bauruense de Letras - ABL)

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