Um dos grandes desafios da gestão da qualidade é gerir situações de conflitos dentro das organizações empresariais de forma plena para garantir níveis satisfatórios de gerenciamento. Na maioria dos casos, os conflitos profissionais são originados pela ineficiência da gestão intermediária e resultam em ambientes hostis, baixa produtividade e de certa forma podem até atingir a imagem das empresas. Trabalhar em equipe não é tarefa fácil e gerir de forma eficaz um conjunto de engrenagens funcionais é mais trabalhoso ainda, quando dentro de uma mesma equipe temos vários fatores que interferem na condução dos trabalhos.
Em um grupo multidisciplinar encontramos personalidades com os mais variados comportamentos. Com isso, as influências culturais, religiosas, profissionais e até comportamentais trazidas dos meios externos e familiares podem refletir na sincronia do quadro funcional. As agitações profissionais sempre existiram e sempre existirão, o que deve ser aperfeiçoado é a maneira como é gerenciado esses eventos muito comuns em equipes multidisciplinares.
O bom conciliador de conflitos é aquele que abre o diálogo para agir preventivamente e age com firmeza quando esses fatos deixam de ser profissionais e passam a ser pessoais. Não há empresas sem conflitos profissionais e sim organizações que conseguem gerir de forma diligente essas ocorrências com mediadores altamente treinados para lidar com situações, que em alguns casos chegam ao limite da tolerância.
Ainda, o gestor deve dispor de ferramentas modernas na condução desses desvios considerados uma das principais causas de perda de qualidade nas empresas. Por outra face, os conflitos podem ser benéficos ao ambiente produtivo desde que as discussões não excedam os limites profissionais. No entanto, para isso o mediador de conflitos deve necessariamente obedecer aos requisitos da administração moderada de pessoal. Muitas vezes a gestão com dois pesos e duas medidas favorece em muito a geração de conflitos entre os colaboradores ou mesmo entre os próprios sócios.
Ainda neste sentido, a condução equivocada na orientação dos sucessores gera um ciclo vicioso que não tem fim, devido a um dos maiores conflitos existentes, o conflito de interesses. Fato comum nestas empresas está no levar conflitos familiares para dentro da empresa, ou conflitos da empresa para dentro das famílias. Tanto em empresas familiares quanto nas empresas geridas por conselhos de administração, as boas práticas de governança corporativa surtem um efeito muito positivo na gestão destes conflitos, sejam eles entre os colaboradores, conflitos hierárquicos, societários, culturais, ou mesmo de crises de confiança.
Os autores: Sidney Aguiar é especialista em sustentabilidade e colaborador do JC e Cristiano Borin é especialista em gestão de pessoas.