| João Rosan |
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| Segundo José Viana Neto, País precisa superar crise de confiança |
O mercado imobiliário deve começar a esboçar os primeiros sinais de recuperação até o final do ano. É esta a perspectiva otimista do presidente do Conselho Regional de Corretor de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto, que esteve anteontem na Instituição Toledo de Ensino (ITE), em Bauru, para entregar certificados de conduta ética a 45 corretores da região.
Em entrevista ao Jornal da Cidade, ele analisou a realidade atual enfrentada pelo setor e projeta que a reação virá em breve, a partir do lançamento da terceira etapa do programa Minha Casa Minha Vida, em outubro. “Foi assim em 2009. Os plantões de vendas estavam às moscas e, no primeiro fim de semana do programa, as filas se tornaram intermináveis”.
Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista.
JC - Qual é a situação do mercado imobiliário neste momento?
Viana Neto - Nesta semana, o Creci divulgou uma pesquisa que revelou que a venda de imóveis usados diminuiu 47% em comparação com o mesmo período do ano passado. Porém, os preços aumentaram 5,8%. Ou seja, tijolo ainda é moeda forte e os imóveis continuam valorizando. A bolha imobiliária, de que tanto falaram, nunca se concretizou, mesmo diante de um cenário desfavorável. O mercado imobiliário foi o último a entrar na crise e tudo indica que será o primeiro a sair.
JC - Para quando está prevista esta reação?
Viana Neto - Estive ontem em reunião com o ministro (das Cidades, Gilberto) Kassab, e ele adiantou que, até outubro, deve ser liberada a terceira etapa do programa Minha Casa Minha Vida. Muitos recursos virão para o mercado imobiliário, tanto para a construção das obras e quanto para a compra dos imóveis. Acredito que os primeiros sinais de recuperação comecem até o final deste ano.
JC - A alta da taxa de juros e a cautela da população, ameaçada com a possibilidade de perda de emprego, pode atrapalhar esta retomada?
Viana Neto - A Caixa Econômica Federal reduziu os financiamentos, mas Banco do Brasil e os bancos privados estão aproveitando e criando facilidades. Hoje, ainda é possível encontrar prazos de financiamento de 80% do valor em até 35 anos, com juros de 9% ao ano. O Brasil passa por um momento de ajuste, mas a previsão é de retomada do desenvolvimento, porque o País segue como polo de atração de investidores internacionais. Em 2004, nós nem imaginávamos estar tão bem como estamos hoje. Acredito que, com o início da terceira fase do Minha Casa Minha Vida, as pessoas irão readquirir a confiança de contratar crédito imobiliário de longo prazo. Foi assim em 2009, quando o programa foi lançado e o mercado brasileiro ainda sentia os efeitos do estouro, em setembro de 2008, da bolha imobiliária dos Estados Unidos. Os plantões de vendas estavam às moscas e, no primeiro fim de semana do programa, as filas se tornaram intermináveis.
JC - O que há é uma acomodação do mercado?
Viana Neto - Sim. Ela era esperada e necessária. Os preços subiram absurdamente nos últimos anos e os salários não acompanharam. Com esta onda de desemprego, aumento do dólar, da taxa de juros e, junto, uma crise política, este ritmo foi desacelerado. Mas, até o ano passado, o déficit habitacional brasileiro ainda era de 6 milhões de moradias. As pessoas continuam comprando.
JC - O aumento no número de locações tem ajudado a compensar esta estabilização de vendas?
Viana Neto - As pessoas precisam morar e, se não conseguem comprar, alugam, o que faz com que os preços de locação aumentem. Mas uma coisa não compensa a outra, porque o mercado de venda aquece a indústria da construção civil e a economia como um todo, da metalurgia até as fábricas de móveis. Tudo o que é consumido pelo setor representa de 18% a 20% do Produto Interno Bruto (PIB).
JC - O atual cenário econômico pode favorecer a mudança de perfil de moradia do brasileiro, como ocorreu na última década, com a migração da classe média e baixa para apartamentos e das classes mais abastadas para condomínios fechados horizontais?
Viana Neto - Vejo uma mudança nos imóveis de alto padrão, com apartamentos de 19 metros quadrados sendo vendidos a R$ 1,5 milhão em São Paulo. É um espaço menor que muito banheiro de casas antigas. O milionário, principalmente solteiro, quer um espaço pequeno, prático para a limpeza, mas bem localizado, próximo ao trabalho e com um bom leque de serviços.
