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Semma acumula 10 toneladas de televisores de tubo

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.                    
Além de seis caçambas totalmente cheias de televisões de tubo, barracão na Semma acumula ‘montanha’ desses equipamentos
Quioshi Goto
Rodrigo Hernandes não consegue vender as TVs de tubo: “Estão paradas, sem uso”

Com a evolução da tecnologia cada vez mais acelerada, muitos equipamentos eletrônicos antigos ficaram sem utilidade e acabam tendo o lixo como destino. Os televisores de tubo são os “campeões” em Bauru. Isso porque, em um ano, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) acumulou 10 toneladas do material. O montante representa 71% de todo resíduo eletrônico descartado anualmente na cidade, já que a quantidade média é de 14,4 toneladas.

Um “mar” de tubos de TV. Esta é a cena em um dos barracões da Semma. Em volta do montante, mais seis caçambas, contabilizando os 10 mil quilos. O número equivale aos rejeitos oriundos das três cooperativas de recicláveis do município, no período de 12 meses.

Elas recebem, da pasta, todo material recolhido nos sete Ecopontos de Bauru e os retirados pelos servidores em áreas da cidade, onde o descarte é irregular. No entanto, o que não é aproveitado volta para a prefeitura.

Diretor do departamento de ações e recursos ambientais da Semma, José Carlos Augusto Fernandes explica que o poder público entendia que os tubos de TV, por exemplo, poderiam ser facilmente comercializados. A perspectiva, entretanto, mudou. “Constatamos o contrário. O material gera prejuízo para as cooperativas e, por isso, o rejeito”, explica.

O descarte de lixo eletrônico é um assunto complexo e preocupante, já que muitos dos componentes existentes nestes aparelhos são extremamente tóxicos e contaminantes. Para resolver o imbróglio, a prefeitura vai contratar empresa especializada para dar a destinação correta a resíduos eletroeletrônicos.

O processo licitatório foi publicado no Diário Oficial do Município no último dia 25 de agosto e a sessão pública de abertura dos envelopes ocorrerá no próximo dia 9 de setembro.

Reflexo

O técnico em eletrônica Ismael de Souza, 49 anos, que conserta aparelhos de TV, conta que sente esse reflexo. De um ano e meio para cá, a loja dele, que fica na região da Vila Independência, ficou pequena para tantos aparelhos. “Tenho 42 televisões de tubo”, disse o comerciante, que está há 22 anos no ramo.

Ele explica que muitos clientes deixam as TVs para trocar algumas peças e depois abandonam o serviço. “Uma média de 70% não voltam para buscá-las. Toda semana, descarto ao menos três televisores de tubo”, enumera.

Ismael aponta, contudo, a dificuldade de fazer o descarte, uma vez que os Ecopontos não aceitam materiais vindos de lojas de eletrônicos. “Temos que pagar para alguma empresa especializada, que cobra, em média, R$ 20,00 por aparelho. A gente acaba entregando para catadores de recicláveis”, revela.

Diretor de divisão da Semma, Luiz Henrique Facin confirma que “o gerador é responsável pelo seu resíduo”. “Se for descartado o resíduo inteiro, existe a comercialização. Mas os técnicos tiram as placas eletrônicas e deixam só o tubo, que não é aproveitável”, explica.

Se livrar

 O operador de máquinas Rodrigo Cheque Hernandes, 33 anos, morador da Vila Industrial, colocou duas TVs de tubo à venda na Internet. Ele quer se livrar delas, mas não está fácil. “Estão paradas, sem uso. O problema é arrumar comprador”, observa.  

Rodrigo quer substituí-las por televisores de LCD. “Em breve, não terá mais sinal analógico. Está uma corrida para trocar as TVs antigas, porque o conversor é caro. Custa de R$ 90,00 a R$ 180,00, dependendo da marca”, conclui.

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