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Rap pede paz para periferia neste 7 de Setembro em Bauru

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto
Ghu MC de Agudos agitou os presentes com suas músicas no final da tarde desta segunda

A periferia, suas alegrias e tristezas, seus sonhos e desafios estão na essência do rap. Da denúncia das injustiças aos protestos contra as desigualdades sociais, as músicas apresentam uma nova perspectiva para as comunidades. E falam, principalmente, de paz e da busca por um mundo melhor.

Nesse clima aconteceu o 3.º Projeto Independência e Rap, nesse 7 de Setembro, no Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU), no bairro Bauru 22. A realização é da Força Interior Produções Multiculturais, em parceria com a ONG Periferia Legal e a Secretaria Municipal de Cultura e apoio do Jornal d Cidade.

O rap, que integra a cultura hip hop, está ganhando força na cidade. A intenção é nobre. “Esse encontro quer unir o rap e fortalecer o movimento para que tire ainda mais crianças e jovens das drogas, da violência e tantas situações de risco. A gente busca a paz para a periferia”, disse um dos organizadores do projeto, Cesinha dos Santos, 32 anos, 14 deles dedicados ao rap.

Renan Casal
Lu BH foi uma das apresentações do 3.º Projeto Independência e Rap, realizado no CEU do Bauru 22

Tudo isso passa pela conscientização e escolha de caminhos melhores. “Às vezes, a molecada quer ostentar sem ter dinheiro, acaba seduzida pelo crime e não percebe. O rap vem alertar e mostrar que existem outras opções, que a periferia pode trabalhar por ela e fazer diferente”, reforça Antônio dos Santos, o Pinguim, também envolvido no projeto.

União

O evento reuniu mais de 20 grupos de rap de Bauru e cidades da região como Marília, além de visitantes de Santo André, Campinas e até de outros Estados, incluindo Santa Catarina e Minas Gerais. Participantes e público doaram alimentos, roupas e brinquedos, que serão entregues a famílias carentes em uma ação social prevista para o Dia das Crianças.

“Estamos aqui pela questão social e para dar a oportunidade de grupos bauruenses e de outras cidades divulgarem seus trabalhos. Unidos, conseguimos fazer muito mais”, destaca Ricardo Lemes, também organizador do encontro dessa segunda.

Renan Casal
Cesinha e Ricardo querem promover e unir a cultura hip hop

Além disso, grupos e também rappers solos puderam partilhar experiências e aumentar a rede de contatos. “É gostoso conhecer pessoas, gente mais nova e mais velha, trocar sabedoria e conhecimento, receber e transmitir paz e amor por um futuro melhor”, garante Milena Oliveira, de 28 anos, que, há cinco, canta rap com o nome de Pekena Guerreira.

Ela, que veio de Pequeri (MG) para participar do Independência e Rap, interpreta suas composições e de amigos. “Falo das coisas boas e ruins que acontecem com a família e até de romance, mas o foco é o dia a dia da periferia”.

Quem também veio de Minas foi Júlio César Martins, o Julião, do grupo Visão e ação, de Uberaba. “Foram sete horas para chegar em Bauru. Pela moral do rap, vamos aonde for. Precisamos representar nosso povo que não pode se manifestar”, destaca o rapper. Sua gratidão à cultura hip hop é imensa. “O rap mudou minha vida para melhor e agora é o que vivo e respiro”.

As apresentações foram transmitidas ao vivo pela rádio Zona do Medo (https://radiozonadomedo.com) do ABC Paulista, especializada na valorização de novos talentos do rap.

Cultura hip hop

O rap está inserido na cultura hip hop, formada por quatro elementos básicos: o MC (mestre de cerimônia), o DJ (que faz o som para o MC), a dança (com destaque para o break) e o grafite (as pinturas). O conhecimento já é apontado como o quinto elemento dessa cultura.

Quioshi Goto
C.d Rap., com Bruno Bueno e Matheos Tassini

 

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