Tribuna do Leitor

Descanse em paz querida e insigne professora de piano Daisy Barone


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Em 30/08 pp. Bauru acordou mais triste, afinal, acabara de perder a grande do Dama do Piano Bauruense, a nossa querida professora Daisy Ribeiro Barone. Mulher ímpar, elegante no se portar, falar, vestir-se e ensinar sua arte pianística. Durante décadas lotava o Salão Nobre do Colégio São José com suas magníficas audições de piano com os alunos do extinto Conservatório Musical Pio XII. E nestas épocas não havia a tecnologia disponível de hoje, portanto, o público que lotava estas audições era por respeito primeiro a grande mestra, e depois à arte do piano.

Durante décadas de ensino teve dezenas e dezenas de alunos, alguns se entregaram de corpo e alma ao piano, e outros seguiram na arte musical. Participava ativamente com seus alunos em concursos municipais, regionais, estaduais e nacionais. Nunca voltou de um concurso sem ter um aluno premiado. Era respeitada nos círculos musicais mais nobres da época da cidade de São Paulo e interior, e sua presença nestes eventos era símbolo de qualidade musical e refinado humanismo. Nunca abandonou um aluno em seus piores momentos, fossem eles musicais ou pessoais. Era a “mãezona” Daisy, que nos abraçava e nos dava força como filhos seus. Nem por isso perdia o controle de sua autoridade musical sobre cada aluno. Até no ralhar com cada um a elegância era sua marca registrada.

Nunca precisou de subterfúgio algum para ser “paparicada” pela mídia da época. Sua experiência e sua vitalidade na difícil arte do ensino pianístico eram o seu cartão de visitas. Seus alunos...brilhantes!

Nunca se ouviu dizer que ela falava deste ou daquele aluno, que preferia este ou aquele, pois a todos dava a mesma  atenção e a mesma importância. Lançava desafios – os concursos -, e destes participavam os que assim desejavam, e ela obviamente trabalhava aos domingos, feriados, dias santos, etc. Nunca a ouvimos dizer que estava cansada, irritada, brava, etc. Era de uma calma inacreditável. 

Era confiável, conduta ilibada, nobre, humana e sincera. Não era possuidora de títulos de nobreza acadêmicos, e aí pergunto: eram necessários? Jamais, pois sua existência como pessoa e professora eram irreparável, digna, imensurável. Suas audições tinham sempre a casa lotada pelo prestigio conquistado junto a Bauru e pela qualidade do alunos que se apresentavam. Ela ousava nos repertórios, fossem piano solo, duos, 4 mãos, etc, e todos tinham que se vestir com a máxima elegância em respeito ao público que frequentava estas apresentações.

Um dia, a nossa querida e insubstituível Dama do Piano bauruense aposentou-se, mas mesmo assim seus discípulos sempre mantinham contacto ou para assuntos pessoais ou relacionados ao ensino pianístico. Nunca negou um bom conselho e tampouco hesitou nos “puxões de orelha”.

Que a cidade Sem Limites possa homenageá-la de forma digna, afinal D. Daisy, como sempre foi chamada, inseriu o nome de Bauru no mapa cultural do ensino pianístico de qualidade, esta cidade por muitos e muitos anos foi respeitada na arte do piano graças ao trabalho incessante desta magnífica professora. Descanse em paz, querida D. Daisy, e esteja certa que quando todos nós, seus ex-alunos, aí também estivermos, a festa será eterna. Já deve estar contente, pois alguns dos seus brilhantes alunos acabaram indo cedo demais para junto de Deus. Espero que esteja junto deles e do seu amado Augusto.

Um abraço musical em sua alma!

 João Fernando Paluan – ex-aluno

 

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