Política

Após mais uma morte, parque é aposta para lagoa da Bela Olinda

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.
Vereador Markinho mostra projeto, elaborado depois dos óbitos de duas adolescentes em 2013

Depois de mais uma morte por afogamento na lagoa da Quinta da Bela Olinda, na semana passada, representantes do poder público de Bauru decidiram intensificar força-tarefa com o intuito de viabilizar a revitalização do local, por meio da construção de um parque urbano, projetado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma). O custo da intervenção é estimado em R$ 5,4 milhões.

A prefeitura não dispõe do dinheiro para viabilizar a obra. Contudo, o projeto está cadastrado em linha de financiamento do Ministério do Turismo. Diante disso, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e o líder do governo na Câmara Municipal, Markinho da Diversidade (PMDB), vão a Brasília no próximo mês para pleitear a liberação dos recursos.

“A gente sabe que a situação das contas federais não é das melhores e que está muito difícil sair dinheiro da União para novos projetos em função do ajuste. Mas nós conseguimos o compromisso de sermos recebido pelo ministro do Turismo, Henrique Alves, que é do PMDB, para mostrar a necessidade de revitalziarmos o entorno daquela lagoa. Vamos também mostrar as matérias jornalísticas retratando as mortes no local para tentar sensibilizar e, claro, vender o potencial turístico da nossa cidade, já que a intervenção proposta atrairia pessoas de todos os bairros e de toda a região de Bauru”, acredita Markinho.

A ideia é viabilizar repasses federais na ordem de R$ 5 milhões. O restante do custo seria bancado pelo governo municipal, a título de contrapartida.

O projeto arquitetônico, segundo o vereador, contempla diversas benfeitorias para o entorno da lagoa, como deck para pescaria, ciclovia, pista de caminhada, bicicletário, quiosques, bancos e parques. 

A iniciativa foi para o papel depois do registro de duas mortes por afogamento no segundo semestre de 2013. “Na época, fomos até o local. Cogitou-se o cercar ou esvaziar a lagoa. Mas chegamos a conclusão de que deveríamos aproveitar aquele espaço, revitalizando-o e deixando que as pessoas tomem conta dele”, explica Markinho.

O projeto foi tocado pela Semma, ainda sob o comando de Valcirlei Silva. O vereador destaca, no entanto, que a atual titular da pasta, Lázara Gazzetta, está empenhada em viabilizar a proposta, que conta ainda com o respaldo do setor de convênios da prefeitura.

RESOLVE?

 

As pessoas continuam nadando na lagoa da Quinta da Bela Olinda, mesmo após mais de 70 óbitos por afogamentos registrados nas últimas décadas e apesar dos avisos sobre os perigos do local. Markinho acredita, porém, que a  revitalização do espaço vai inibir esse tipo de comportamento.

“Com a concretização do projeto, as pessoas ocuparão o espaço, que hoje está abandonado. Muitas crianças e adolescentes vão para lá sem o conhecimento dos pais. Poderemos também contar com um vigia para evitar abusos”, explica.

PERIGO!

Com aproximadamente 60 mil metros quadrados de área, a lagoa da Quinta da Bela Olinda é o local onde os afogamentos são registrados com maior frequência em Bauru. Com a proximidade do fim do inverno, a tendência é que os acidentes com pessoas que se arriscam na água voltem a ocorrer.

O alto índice de mortalidade na lagoa da Quinta da Bela Olinda deve-se, basicamente, a duas características do local: o sedimento que compõe o fundo da lagoa e o terreno irregular.
Até mesmo próximo à margem, a lagoa tem variações de profundidade que podem alcançar até 8 metros de profundidade, conforme afirma o Corpo de Bombeiros.

O local fez sua última vítima fatal no último 4 de setembro. Aos 25 anos, Diego Luiz Pereira morreu no Pronto-Socorro Central (PSC) horas após se afogar no local.

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