Política

Varejo tem recuo de 6,9% nas vendas

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

O volume de vendas no varejo de 60 municípios da região de Bauru caiu 6,9% no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2014. Em junho, houve um recuo de 9,2%. Os dados são do ACVarejo, pesquisa feita, a partir de informações enviadas pela Secretaria da Fazenda do Estado, pela Associação Comercial de São Paulo. Para enfrentar a crise, o comércio bauruense aposta na redução de gastos e nos descontos.

De acordo com o economista da entidade, Ulisses Ruiz de Gamboa, as estatísticas mostram um aprofundamento da crise econômica em níveis estadual e regional. Tanto que, em todo o Estado de São Paulo, o volume de vendas no varejo caiu 6,4% no primeiro semestre deste ano, se comparado com o mesmo período do ano anterior. Só em junho, houve um recuo de 7,9% sobre o mesmo mês de 2014.

Para o economista, a saída é lançar mão de estratégias de marketing e promoções. “Esta tendência deverá permanecer até, pelo menos, o início do ano que vem, devido à deterioração das condições financeiras das famílias, em um contexto de maior inflação, menor renda e escassez de crédito”, explica. Estes fatores desencadearam a queda da confiança dos consumidores, que têm uma menor disposição para comprar.

Além disso, financiar um veículo ou comprar um eletrodoméstico são ações distantes da realidade da região de Bauru. Uma pesquisa divulgada recentemente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomércioSP) aponta que, em maio deste ano, 80% dos setores varejistas tiveram queda e, segundo a entidade, a saída para enfrentar a retração econômica é investir em descontos e promoções.

Dos nove setores classificados pela pesquisa, apenas dois mostraram um leve avanço nas vendas. O setor de autopeças e acessórios contabilizou um aumento de 0,5% em maio deste ano em relação ao mesmo período de 2014. Da mesma forma, o setor de farmácias e perfumarias faturou 4% a mais. No geral, o comércio varejista teve uma queda de 6,1%, na região de Bauru, em maio deste ano, se comparado com o mesmo mês do ano anterior.

Mau desempenho

 

O economista da FecomércioSP Guilherme Dietze explica que o agravamento do cenário econômico pressionou o  mau desempenho do varejo em nível nacional. Para se ter uma ideia, em maio deste ano, em todo o Estado de São Paulo, o setor apresentou uma queda de 5,9%, apenas dois pontos percentuais a menos do que na região de Bauru, que compreende, nesta pesquisa, 57 municípios.

Dietze avalia que este ciclo negativo do varejo indica, sobretudo, a confiança abalada dos consumidores em relação à capacidade de recuperação da economia a curto prazo. Tanto que, por medo de perder o emprego ou com a renda já comprometida pela inflação, os consumidores deixaram de adquirir itens que exigem financiamentos ou pagamentos parcelados, como os veículos e os eletrodomésticos. 

Inclusive, os dois setores “puxaram” as vendas para baixo, em maio deste ano, já que as concessionárias tiveram uma queda de 22% e as empresas de eletrodomésticos, eletrônicos, além de lojas de departamento, faturaram 15% a menos. “Embora não seja considerado de bens essenciais, o setor de autopeças apresentou um leve aumento de vendas, porque as pessoas estão optando por arrumar os veículos ao invés de comprar outros novos”, defende.

Já os supermercados registraram a menor queda de vendas dos demais setores varejistas: 1,5%. “Os itens presentes no setor de farmácias e perfumarias são considerados essenciais, bem como os alimentos. Contudo, em relação aos supermercados, os consumidores conseguem encontrar promoções e acabam gastando menos”, justifica o economista. Portanto, a saída para o varejo é ganhar a confiança dos clientes e investir em descontos.

Sobrevivência

De acordo com o economista e vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Reinaldo Cafeo, a oferta de descontos passou a ser uma questão de sobrevivência para os varejistas. “Antes, no caso do setor de vestuário, os descontos eram ofertados só quando havia mudança de coleção, mas, agora, os lojistas estão apostando em ofertas permanentes, que chegam até a 70%”, argumenta. 

Outra saída que os varejistas estão adotando, segundo o economista, é a redução de gastos. “Diminuir a mão-de-obra, renegociar o aluguel e consumir menos água e energia são algumas estratégias para enfrentar a crise”, frisa. Outra opção é, quando há pouca venda, atrasar o pagamento dos fornecedores, mas, depois, negociar a dívida ou deixar de pagar tributos e, posteriormente, parcelá-los. “Sem capital de giro, as empresas não sobrevivem”, finaliza.

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