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Paciência, é a crise!

Wellington Balbo
| Tempo de leitura: 2 min

Vira e mexe, por razões que não vou adentrar, uma ou outra crise assola a economia brasileira. E dá-lhe manchetes em jornais, demissões, opiniões de consultores, contenção de despesas e etc. Não se fala em outra coisa por um bom período de tempo. E logo surgem os vilões, culpados pela recessão: são os impostos ou o governo, os bancos, os juros, a inflação, os empresários ou, quem sabe, a Cuca. E tome-lhe reclamações de todos os lados. Entretanto, as pessoas reclamam da crise econômica, mas, sinceramente, a crise para mim é bem outra. Penso que crise é muito mais do bom humor e da criatividade do que econômica. A crise econômica é apenas um reflexo da crise que podemos chamar, também, de crise da má vontade.

Dia desses fui comprar um sorvete e pensei que a atendente iria me bater ao invés de atender. Um amigo comentou: será que ela quer vender? Trabalhando com vendas e cara fechada e sem responder as perguntas do cliente. Fomos embora sem consumir tudo o que desejávamos. E no mesmo dia fui a uma grande loja de departamentos e, infelizmente, sai sem comprar o que precisava porque, segundo o atendente, o comprador, com medo do produto encalhar em seu estoque, deixou para efetuar o pedido na semana seguinte.

Bom... azar o deles, pois deixaram de vender. Azar o deles? Não! Azar o nosso, pois todos perdem com isso. Azar o nosso que estamos vivendo a crise da falta de capacitação e da criatividade. Ao me deparar com situações deste nível, pensei: Ah, esses empresários que não alargam sua visão, que pensam de forma pessimista, que não tentam um outro caminho que não seja o da demissão pura e simples, curta e grossa, porque é preciso conter as despesas. Depois reclamam da dificuldade em vender e dizem em prosa e verso que tudo está parado, que vivemos uma terrível crise, uma recessão sem precedentes. Mas, sequer se dão ao trabalho de contratar adequadamente, ou treinar os funcionários, ou desenvolver pessoas para enfrentar esses tempos de mudanças. Ah, esses gestores que não observam suas equipes, que não estão atentos às necessidades do cliente, que deixam a gestão solta. Ah, esse nosso país... Tantas oportunidades e tanta gente desperdiçando... Paciência, é a crise!

 

O autor é colaborador de Opinião

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