Bairros

Em alguns pontos, infrações são "rotina"

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 4 min

Bastaram menos de 30 segundos para que a equipe do JC nos Bairros flagrasse dois carros e uma moto realizando conversão em local proibido na quadra 11 da avenida Cruzeiro do Sul. Por toda a via, flagras como este são comuns. Tão comuns que, mesmo diante das lentes do fotojornalista, os motoristas são se intimidam. É como se “o errado fosse o certo”, e o mesmo ocorre em outros pontos de trânsito intenso em Bauru.

Na Cruzeiro do Sul, conversões irregulares são feitas por comodismo para encurtar o caminho. Ao menos é o que diz quem por ali trabalha e observa, diariamente, as ações dos motoristas imprudentes.

São observados dois pontos críticos, nas quadras 11 e 20 da avenida, onde é comum clientes saírem dos estacionamentos de dois supermercados localizados nessas quadras, cruzarem a avenida e seguirem sentido oposto ao da saída dos estacionamentos. O contrário também ocorre, ou seja, motos e carros cruzam a avenida para entrar nos estabelecimentos. Faixas duplas e “tartarugas” não intimidam. Em muitos trechos, os obstáculos são inexistentes.

“É normal as pessoas fazerem isso por aqui. Não pode, mas todo mundo faz. Ninguém quer dar a volta no quarteirão para entrar na avenida outra vez. Eu já vi até viaturas da Polícia Militar cometendo tal irregularidade. Caminhões fazem a mesma coisa em alguns trechos. A faixa dupla está bem visível, mas as tartarugas quebram e não são repostas”, comenta um comerciante da região que preferiu não se identificar.


Acidentes
Como toda irregularidade tem suas consequências, acidentes são comuns quando motoristas atravessam a Cruzeiro do Sul em local proibido. Quem já presenciou muitos deles é o vendedor Márcio Rio.

“Trabalho na quadra 20 da Cruzeiro do Sul e vejo toda hora os clientes de um supermercado cortarem a avenida em local proibido. Por conta disso, acidentes são comuns. Já vi muitos. Carros fecham motos, motos entram na traseira de carros, carros fecham carros. Se nada for feito, logo morre alguém por isso”, preocupa-se.


Duque de Caxias
Em alguns trechos da avenida Duque de Caxias, motoristas também fazem a conversão em lugar proibido. O que é bastante comum, embora errado, é a travessia da pista em locais indevidos. Um desses pontos é o cruzamento da rua Raposo Tavares com a avenida, região do Jardim Brasil. Para seguir pela rua, cortada pela avenida,  motoristas ignoram a proibição e cruzam a Duque.


Octávio Pinheiro Brisolla
Longe dali, o mesmo tipo de irregularidade é observada. No cruzamento da  avenida Octávio Pinheiro Brisolla com a rua Joaquim da Silva Martha, região do Altos da Cidade, a placa deixa claro que é proibida a conversão à esquerda na avenida para subir a rua Joaquim da Silva Martha. Entretanto, mesmo em horário de pico, os motoristas avançam.

Assim como ocorreu na avenida Cruzeiro do Sul, na Octávio Pinheiro Brisolla bastaram alguns instantes para a reportagem flagrar as primeiras conversões irregulares: motos, carros de passeio e até caminhonete viraram à esquerda em local proibido.


'Falta educação no trânsito'

Entre os atuais problemas do trânsito, a falta de educação é o principal deles, segundo comenta o professor de engenharia de transportes, especialista em trânsito e diretor de Mobilidade da Assenag, Archimedes Raia Jr.

“Um outro exemplo dessas dificuldades citadas na reportagem ocorre entre as 17h30 e 18h30, quando os carros que sobem a rua Gerson França fecham o fluxo da avenida Comendador José da Silva Martha, diariamente. Eles têm dificuldade para atravessar, esperam uma brechinha e entram. E, como sempre tem um carro esperando no canteiro central, o que vem atrás fecha a pista no sentido Centro/bairro”, comenta.

Para o especialista, o poder público tem o dever de investir em educação no trânsito, o que está na lei, mas não é cumprido. Ainda de acordo com Archimedes, a fiscalização também deve ser maior, principalmente quando a educação é falha.

“Contudo, parece ser mais fácil empurrar com a barriga. Na verdade, você tem o tripé que sustenta a segurança no tráfego: engenharia, educação e a segurança. Quando um falta, o tripé cai. A educação a gente sabe que não funciona, não existe. Em países desenvolvidos, a educação no trânsito é ensinada desde o ensino fundamental. Por aqui, quando o motorista anda certo, normalmente é para não sofrer as penas, não é porque ele tem consciência, que seria o ideal. Se ninguém está olhando, ele erra. Não é possível ter um agente, um policial em cada esquina”, observa, criticamente.


Contrapartida

Segundo o especialista, o poder público precisa fazer um estudo de impacto no trânsito quando empreendimentos de certo porte, com alteração significativa no trânsito, como supermercados, são instalados em vias públicas. E uma contrapartida deve ser cobrada para a adequação às necessidades de trânsito. “É uma ferramenta que o poder público tem, mas que não é aplicada na maioria das vezes”.  

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