Nos últimos meses, a mídia praticamente só fala de um assunto: a corrupção na Petrobras e o envolvimento com o PT. Ou seja, qualquer descaminho no País deve-se somente a esse grupo. Essa lavagem cerebral nos turvou a vista e impede com que possamos pensar essa questão com o cuidado que merece, seja por desconhecimento ou ignorância. Algumas questões que vêm a reboque dessa mistificação ideológica tem me chamado a atenção nesses últimos meses, principalmente do ponto de vista local.
O primeira questão geral é a própria questão da corrupção como algo da natureza humana. A corrupção é inerente ao Estado moderno surgido com o modo de produção capitalista, tanto que temos até os profissionais para fazer essa função denominados lobistas. Ora, se o Estado e suas instituições devem atender as necessidades da sociedade, esses sujeitos não deveriam ter esse espaço, pois estão ali para defender os interesses dos grupos empresariais e não da população. Mas não, circulam livremente por todos os espaços públicos e conseguem resultados. Como? Poder de convencimento? Pode ser também ignorância da minha parte, mas realmente não entendo.
Em nível municipal duas questões se apresentam: a tal ETE. A construtora (não é a Odebrecht!) quer um aditivo de R$ 11,5 milhões porque o projeto de R$ 1,9 milhão está errado. Não tem algo errado nessa história? Não houve licitação? Os concorrentes não tiveram acesso ao projeto? São incompetentes para realizar o que se propuseram? Como é isso? É também dinheiro público que saem dos impostos. Continuo sem entender!
Outra questão é a cobrança da regulamentação das igrejas e templos em relação a questões de direito da população, tais como acessibilidade e banheiros e alguns vereadores se opõem a isso com argumentações patéticas, sendo que a lei foi aprovada por eles! Essas posturas não soam estranhas quando os sujeitos são vereadores, pagos com dinheiro público dos impostos para contribuir com o gerenciamento da cidades, mas querem que alguns possam burlar a lei? Aqui também continuo sem entender!
Pouco se fala também do índice alarmante de mortes da juventude negra e proletária divulgado recentemente, das péssimas condições de saúde, de saneamento e infraestrutura dos bairros periféricos de Bauru, na situação insustentável vivida pelos trabalhadores da Ajax com decisões sendo proteladas na Justiça beneficiando os proprietários, da situação de denúncia de sonegação da Tudor que sumiu da mídia, da situação do chorume e dos esquecimentos da Emdurb. Também não entendo.
Outra questão geral é relativo ao discurso da diminuição dos impostos: propõem a diminuição dos impostos com a ladainha de que isso baratearia os produtos, etc, mas não remetem há que quase a metade desses impostos (de 47 a 50%) vai para o pagamento dos encargos da divida externa e interna, sendo para a saúde 4,17% e educação 3,98%. Os maiores credores são os bancos nacionais e internacionais. Resta a pergunta: quais percentuais vão diminuir na hora da redução dos impostos? Não vai ser o dos bancos, então... Essa proposta parece com a história da sacola de plástico dos supermercados, travestida de preocupação ecológica. Uma proposta séria e compromissada com o País e com a população é justamente deixar de pagar esses encargos e a dívida e investir nos setores que possibilitam o desenvolvimento econômico e nas políticas sociais. Além do que, essa dívida já foi paga várias vezes e como demonstrou a Auditoria Cidadã da Dívida, inclusive na Grécia. No caso da Grécia, a Alemanha faturou 110 bilhões de dólares com a renegociação! Essa é mais difícil de entender.
Somente os trabalhadores e a população que sobrevive em condições precárias organizadas e articuladas podem mudar essa situação de maneira definitiva, pois o que aparentemente é um grande posicionamento da população contrária à corrupção e com uma grande proposta de solução para o Brasil, nada mais é que um arremedo exclusivamente ideológico, superficial e irresponsável, pois além de propor a troca de seis por meia dúzia, só troca de mãos e bolsos, porém a conta continuará sendo paga pelos trabalhadores e pela população que vive em condições precárias.
Osvaldo Gradella Júnior