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PF investiga empresário de Botucatu

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Reprodução
Polícia Federal desarticulou organização que fraudava o pagamento de prêmios da loteria da Caixa 

A Polícia Federal (PF) investiga suposto envolvimento de empresário de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) em esquema que teria desviado milhões de reais em prêmios da loteria federal não resgatados por ganhadores. Na última sexta-feira (11), ele foi ouvido por policiais federais de Bauru. Os trabalhos integram a “Operação Desventura”, deflagrada na última quinta-feira (leia mais abaixo).


Para fraudar o pagamento de loterias da Caixa Econômica Federal, segundo a PF, a organização criminosa fazia validação fraudulenta de bilhetes de loteria. Com isso, conseguia sacar valores de prêmios não resgatados, que teriam como destino o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Em 2014, ganhadores deixaram de resgatar 270,5 milhões em prêmios da Mega Sena, Loteca, Lotofácil, Lotogol, Quina, Lotomania, Dupla sena e Timemania. De acordo com o delegado da PF em Bauru Enio Bianospino, as investigações foram conduzidas pela Delegacia da PF de Goiás.

“Nós recebemos aqui algumas perguntas para serem feitas para essa pessoa”, diz. “E as perguntas davam conta justamente de uma conta dessa pessoa que tinha sido movimentada com remessas de valores. Essa pessoa disse que, na verdade, foi emitido um cartão que ela nunca recebeu”.

Após prestar depoimento, segundo o delegado, o empresário, que não teve o nome divulgado, foi liberado. “Não se pode dizer se ele foi partícipe ou se foi vítima”, afirma. “É natural que eles (membros da organização) usassem contas de pessoas onde uma alta monta não chamaria atenção”.

O esquema

 

Segundo a PF, o esquema criminoso contava com a ajuda de correntistas do banco, escolhidos por movimentarem grandes volumes de dinheiro. Eles teriam sido usados para recrutar gerentes da Caixa para a fraude. A PF afirma que identificou ex-jogador de futebol da Seleção Brasileira entre os correntistas.

Com informações privilegiadas, o grupo fazia contato com gerentes, que se encarregavam de viabilizar o recebimento do prêmio por meio de suas senhas, validando de forma irregular bilhetes falsos.

Durante as investigações, um integrante da quadrilha foi preso enquanto tentava aliciar um gerente para saque de bilhete de loteria de R$ 3 milhões. Meses depois de liberado, segundo a PF, ele foi executado.

Durante as investigações, a PF identificou a atuação de um doleiro no esquema, fraude na utilização de financiamentos do BNDES e Construcard e liberação irregular de gravame de veículos.

 

Vários crimes

Participantes do esquema responderão por organização criminosa, estelionato qualificado, tráfico de influência, corrupção ativa e passiva, falsificação de documento público e evasão de divisas. No total, cerca de 250 agentes federais cumpriram 54 mandados judiciais, entre prisões preventiva e temporária, conduções coercitivas e busca e apreensão nos Estados de Goiás, Bahia, São Paulo, Sergipe, Paraná e Distrito Federal. A investigação contou com apoio do Setor de Segurança Bancária Nacional da Caixa.

 

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