Tribuna do Leitor

Brasil em crise?


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As pessoas têm boas intenções, querem se informar para poder ficar a par da situação atual e até interagir, como protagonistas desta nossa realidade. O cidadão absorve com interesse todas as análises e comentários dos telejornais, das revistas e jornais mais vendidos e assim forma sua opinião;  toma uma posição, expõe seus argumentos e briga se for preciso por aquilo que acredita ser o certo. No entanto, a maneira mais fácil e racional de aprendermos sobre o mais básico talvez seja abrindo nossos olhos e prestando mais atenção naquilo que vivemos. 

O assunto agora é que estamos em crise, a situação no Brasil está um caos. Será mesmo? Abasteço meu carro com etanol comum. Há alguns meses pagava  R$ 1,89; R$ 1,99 o litro. Ontem, abasteci por R$ 1,69. O leite longa vida, nos supermercados, comprava por R$ 2,49; R$ 2,56. Há umas duas semanas comprei algumas caixas e paguei R$ 2,09  - havia supermercados vendendo, em promoção, por R$ 1,99. A mortalidade infantil – assunto muito sério - está sendo erradicada: diminuiu 73%, segundo dados da Unicef, desde 2010. Há muita coisa, sim, que não nos toca diretamente e que nosso dia a dia não nos permite avaliar, mas mesmo assim não parece haver motivos para ficar maldizendo a situação e o governo só por aquilo que os comentaristas da grande mídia alardeiam com entusiasmo redobrado no horário nobre. Ainda temos muito que levar em conta –muita coisa que nunca veremos na primeira página do jornal ou na capa da revista mais vendida, nas chamadas dos telejornais ou do programa de domingo. A verdadeira crise parece vir da resistência de alguns setores à reforma social que está sendo proposta. Temos que lembrar que tamanha desigualdade social – que está sendo combatida, assim como a mortalidade infantil - é coisa de país subdesenvolvido e atrasado. O Brasil está lutando para sair dessa situação. Como ensina Pepe Mujica, temos que superar o individualismo e  criar consciência coletiva para transformar a sociedade.

Talvez passemos a ser protagonistas de nossa realidade quando nos sentirmos mais livres para pensar e tomarmos uma posição com base no que de fato vivenciamos. 

Senão, viveremos defendendo e brigando por interesses muito distantes dos nossos.

 

Mauro Cesar P. Landolffi, professor

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