Até o final deste ano, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) vai monitorar as notas dos alunos para coibir casos de violência e abuso. Essa ideia surgiu após a morte do estudante do câmpus de Bauru, Humberto Fonseca, que consumiu 25 copinhos de vodca em uma espécie de competição. O sistema que já armazena o desempenho dos estudantes enviará um alerta aos respectivos coordenadores dos cursos sempre que houver quedas no rendimento.
Segundo o pró-reitor de graduação da universidade, Laurence Duarte Colvara, a iniciativa faz parte de um pacote de medidas, desenvolvido por uma comissão criada pela vice-reitora da instituição, Marilza Rudge. “Nós ainda estamos trabalhando com o sistema e a expectativa é de que, até o final deste ano ou o início do próximo, ele seja aplicado em toda a universidade”, justifica.
Colvara acrescenta que a iniciativa visa detectar variações bruscas de comportamento através das notas, fato que denota algum problema, seja de caráter pessoal ou, até mesmo, que indique algum envolvimento com álcool e drogas. Imediatamente, os coordenadores dos respectivos cursos serão avisados. Eles ficarão responsáveis por identificar as causas das quedas no rendimento e, se for o caso, conduzir um encaminhamento social ou psicológico.
Outra ação que faz parte do pacote de medidas prometido pela reitoria da Unesp é dar mais agilidade aos processos administrativos instaurados por qualquer irregularidade cometida pelos alunos. “Nós não criamos novas leis, só decidimos torná-las com uma aplicabilidade mais efetiva”, justifica. Portanto, as denúncias de ações de violência e abuso dentro e fora da universidade, como os trotes em repúblicas e festas, também serão apuradas com mais rapidez.
O caso
O estudante do último ano de engenharia elétrica do câmpus de Bauru, Humberto Fonseca, 23 anos, morreu depois de consumir 25 copinhos de vodca em uma competição de quem bebia mais em uma festa em fevereiro deste ano. O laudo constatou que ele tinha 4,6 gramas de álcool por litro de sangue. Outros quatro estudantes, também do câmpus de Bauru, entraram em coma alcoólico e três deles tiveram de ser entubados e internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de hospitais da cidade. A Polícia Civil investiga o caso e o Ministério Público (MP) Estadual protocolou ação civil pública contra três envolvidos no caso.