Geral

Ciesp: Passos substitui Malandrino

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 6 min

Depois de oito anos à frente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Bauru, o diretor regional Domingos Malandrino deixará o comando da entidade. Ele segue respondendo pelo Ciesp até o dia 27 de setembro, quando o presidente da Tilibra, Rubens Passos, assume o cargo interinamente. 

As funções de primeiro e segundo vice-diretores, até então ocupadas por Sebastião Gonçalves de Lima (Leleco) e Gino Paulucci Júnior, serão transferidas, respectivamente, para o empresário João Bidu e Bias Augusto Daré Júnior. 

Em entrevista concedida ao Jornal da Cidade, Malandrino explica que decidiu se licenciar do cargo após seu mandato, que se encerraria no final de setembro deste ano, ser prorrogado até dezembro de 2017. A medida atingiu todos os diretores regionais depois de o presidente da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Ciesp, Paulo Skaf, também ter a gestão estendida por mais dois anos. 

JC - O que motivou a decisão de sair?
Domingos Malandrino - Em novembro do ano passado, o Skaf conseguiu prorrogar seu mandato na Fiesp até 31 de dezembro de 2017, em uma reunião que teve aprovação de 92 dos 98 presidentes dos sindicatos presentes. Por bom senso, houve entendimento de que o presidente da Ciesp (Paulo Skaf) também deveria continuar sendo o mesmo. Então, os 42 diretores regionais, depois de consultarem seus respectivos conselhos, também aprovaram, quase por unanimidade, a proposta de prorrogação de mandato pelo mesmo período. Por consequência, esse direito foi transferido para as diretorias regionais. Foi a primeira vez na história que isso aconteceu.

JC - Por que houve esta prorrogação?
Malandrino - A explicação é de que o presidente ficou atarefado com diversos compromissos dentro da Fiesp e da Ciesp e que não houve tempo de preparar a sucessão.

JC - E por que você preferiu não ficar?
Malandrino - Eu fiquei por oito anos à frente da regional (foi eleito em 2007 e reeleito em 2011) e este foi o meu limite. Meu plano era encerrar meu mandato em 27 de setembro e me afastar da diretoria. Já tinha dito internamente que não tinha a intenção de compor chapa como vice-diretor em novas eleições, mas apenas assumir um cargo no conselho. Oito anos já é muito tempo e acredito que a oxigenação da entidade é salutar. 

JC - Como os novos nomes foram escolhidos?
Malandrino - Através do conselho da diretoria regional, conforme as regras previstas em estatuto e a disponibilidade de quem poderia ser indicado. Os novos nomes assumem interinamente, até a realização de novas eleições, em 2017. A posse da nova diretoria, que volta a ter mandato de quatro anos, deve ocorrer em 1 de janeiro de 2018.

 

JC - E quais são seus planos daqui para frente?
Malandrino - Cuidar da minha empresa (uma fábrica que produz massas para pizza) e da vida pessoal. Minha missão como diretor do Ciesp está cumprida e um ciclo se encerra, mas não vou me desvincular completamente das atividades da entidade. Continuarei contribuindo, sempre que chamado, para as causas do Ciesp.

JC - Qual o balanço que você faz destes oito anos no comando do Ciesp?
Malandrino - Foi um aprendizado e uma satisfação muito grande. Com uma visão de atuar em causas maiores, o trabalho do Ciesp é de fundamental importância não apenas para os setores da indústria, mas também para o desenvolvimento da cidade. Ao longo destes anos, pleiteamos, por exemplo, uma creche noturna e melhor funcionamento dos postos de saúde. Também participamos de debates sobre a destinação do lixo, o desenvolvimento de um projeto regional de turismo, a defesa da criação de áreas de preservação ambiental, o tratamento de esgoto e a criação da taxa do Corpo de Bombeiros. São ações que favorecem não apenas o industriário, mas a coletividade como um todo.

JC - Todas estas reivindicações tiveram resultados positivos?
Malandrino - Algumas sim, outras não. A regularização dos distritos industriais 1 e 2 e o investimento em infraestrutura para o 3 foram algumas conquistas. Não obtivemos a creche noturna ainda, mas uma das minhas duas grandes frustrações é não ter conseguido estabelecer parcerias entre universidades e o setor produtivo, para levar conhecimento e melhoria de produtos e processos para dentro das fábricas. A outra é não ter conseguido implementar o Memorial da Indústria, que já tem até local, mas faltou patrocínio para a revitalização do espaço. Por outro lado, me envaidecem eventos que criamos, como o Prêmio Excelência Empresarial, que valoriza o trabalho dos empresários de Bauru e região; o Concurso Embala Startup, que incentiva o empreendedorismo inovador; e a Rodada de Negócios, que visa estreitar relações de negócios entre grandes e microempresas.

JC - Quais você avalia que serão os principais desafios do novo diretor?
Malandrino - Não tem como desvincular esta resposta do atual momento econômico que a gente vive. O empresário brasileiro sabe que a nossa economia sempre foi inconstante, então, não consegue fazer um planejamento de crescimento dos negócios no longo prazo. Temos dois, três anos de calmaria e, depois, vem a tempestade, cuja duração é impossível precisar. E essa inconstância é resultado de falta de infraestrutura, de energia, portos e aeroportos, que não dariam conta de toda a demanda se continuássemos a crescer a 4% ao ano, um índice pífio. A diferença é que a crise, desta vez, é nossa. Não tem muleta no cenário internacional para usar como desculpa. É uma crise econômica, política, ética e moral que está arrebentando com o País. Diante de um sentimento de desconfiança e falta de perspectivas, muitas empresas estão entrando em dificuldades e é com este turbilhão que o Ciesp terá de lidar. A entidade terá de mudar a forma de atender seu associado e se posicionar de forma ainda mais combativa diante das medidas governamentais.

Excelência

Seis empresas da região receberão, amanhã, o “Prêmio Excelência Empresarial”, considerado o “Oscar da Indústria” e realizado pelo Ciesp pelo 11.0º ano consecutivo. A solenidade de entrega está marcada para as 19h30, no Buffet Caversan em Bauru, com um show ao vivo do músico Ricardo Bombarda.
Nesta edição, as ganhadoras foram Tilibra (indústria de grande porte), Sindustrial Engenharia (indústria de médio porte), Casa Omnigráfica (indústria de pequeno porte), Artfio Uniformes Profissionais (indústria de micro porte), Unimed Bauru (prestadora de serviço de médio e grande porte) e Laboratório Natron (prestadora de serviço de micro e pequeno porte).
Elas foram selecionadas após preencherem um questionário e serem submetidas a auditoria realizada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Entre os itens avaliados, estavam aspectos técnicos como, por exemplo, a tecnologia aplicada na gestão do negócio, os treinamentos oferecidos aos funcionários, a saúde financeira, os indicadores de qualidade e atuação em ações sociais e de responsabilidade frente ao meio ambiente. 

Comentários

Comentários