| Samantha Ciuffa |
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| Escritor Cláudio Dangió em entrevista, ontem |
Saciado pelas fontes literárias de Carlos Drummond de Andrade e Manoel de Barros, o escritor bauruense Cláudio David Dangió, de 52 anos, ocupante da 35ª cadeira de imortais da Academia Bauruense de Letras (ABL), venceu o Prêmio Cataratas de Contos e Poesias, ocorrido no último domingo (13), em Foz do Iguaçu (PR).
A premiação fez parte da 11ª Feira Internacional do Livro, evento promovido pela Fundação Cultural de Foz de Iguaçu.
Criado em 1991, nesta edição o concurso teve 1.075 obras inscritas, entre contos e poesias.
A primeira colocação no concurso foi garantida pelo poema “Lázaro, o cerrado e a profecia”.
Na categoria poesia, o texto de Dangió superou outras 540 obras de poetas de vários estados brasileiros e países como Bolívia, Colômbia, Uruguai, Argentina, Cuba, Portugal, Espanha, Itália, Inglaterra, Alemanha, Holanda e Japão.
Como prêmio ele recebeu R$ 1,5 mil e seu poema será publicado num e-book.
“Me surpreendi com o resultado, fiquei ainda mais emocionado no momento em que um grupo de teatro encenou o meu poema no momento da declaração do vencedor”, relatou Dangió.
‘INSPIRADOR’
A obra foi produzida por Dangió em 2013 e declamada num sarau em homenagem ao seu amigo Lázaro Aparecido Carneiro, mais conhecido como “poeta do cerrado”.
Carneiro viu a destruição de parte do cerrado regional logo no final da década de 60.
“Ele era colono de fazenda e foi expulso para a zona urbana pela chegada da cultura da cana-de-açúcar”, disse Dangió. “Eu posso falar com orgulho que o Lázaro foi o meu muso inspirador”, disse o membro da ABL.
Ótima estreia
Esse foi o primeiro concurso que o autor participou. O premiado disse que não gosta de participar de concursos literários.
“Poemas e contos são analisados por uma banca examinadora e cada uma possui suas próprias avaliações. Isso nunca me deixou confortável, porém, esse concurso específico me chamou a atenção pelo rigor técnico”, explicou.
O presidente da ABL, Joaquim Simões Filho, analisou que a banca examinadora que conferiu o prêmio a Dangió foi muito competente.
“Li o poema dele e o que me surpreendeu foi a linguagem. Ele usou a significante em função do significado”.
O ESCRITOR
Dangió começou a escrever na juventude. “Eu viajo bastante, gosto de contato com a natureza e principalmente com pessoas mais velhas do que eu”. Sua predileção são crônicas. Dentre suas publicações está “O Andarilho – Poemas e Cenas da Vida Moderna (contos e crônicas)”. E ele está em plena produção do quarto livro, intitulado “Minha Tribo”.
