Polícia

Em 5 dias, 21 casos de furto ou roubo contra mulheres bauruenses

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Caminhar fora ou relaxar dentro de casa têm se tornado tarefas difíceis para as bauruenses. Conforme levantamento extraoficial feito pelo JC através dos registros da polícia, nos últimos cinco dias, o município chegou a contabilizar 21 casos de furto ou roubo, cujas vítimas são do sexo feminino. 

 De acordo com o comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPMI), o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume, os crimes praticados contra as mulheres, as crianças e os idosos são preocupantes porque tais pessoas têm menor força física. Por outro lado, Kitazume frisa que os ladrões tiram proveito de algumas facilidades, independentemente do sexo ou da faixa etária das vítimas.

O tenente-coronel avalia também que, na maioria das vezes, os furtos ou roubos são praticados por usuários de drogas, que subtraem alguns objetos de valor para utilizar como uma espécie de moeda de troca. 

“Os locais onde há maior incidência desses delitos estão nas proximidades do antigo Centro, porque a topografia facilita as fugas”, frisa. Diante disso, Kitazume já direciona uma quantidade maior de patrulhas ao local.

Regra e exceção

 

Já o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Kleber Granja, pondera que a segurança é composta por 90% de prevenção, 3% de evitar a reação e 7% de sorte das vítimas. 

Segundo o delegado, as mulheres têm maior poder de previsibilidade, ou seja, elas são mais cautelosas e observadoras. “Estatisticamente, a maioria dos crimes de roubo ou furto a transeuntes vitima os homens, não o contrário”, explica ele.

Para Granja, essa sequência de crimes contra o sexo feminino representa uma exceção à regra. 

“Depois que escolhem as vítimas, os ladrões se planejam antes de atacar. Geralmente, os alvos são pessoas distraídas e que estejam ostentando objetos de valor, como carteiras e aparelhos eletrônicos. Como as mulheres são mais observadoras, elas percebem o ataque antes que ocorra e dão um jeito de fugir, fato que já garante 90% da segurança delas”, reforça.

Registros

 

Em um dos casos, a empresária Maiara Massa, 25 anos, levou uma coronhada no queixo após esboçar reação ao assalto, na noite da última terça-feira. 

Ela saiu de casa para ir ao supermercado e, na quadra 2 da rua Brasil, Vila Nipônica, um sujeito armado a pegou de surpresa. Nervosa, reagiu e o ladrão a agrediu com o revólver, que chegou a disparar para cima. Por sorte, Maiara não se feriu gravemente, mas perdeu o celular.

Ela alega que, por nunca ter sido assaltada, não tinha qualquer sensação de insegurança, inclusive, ao sair à noite. Todavia, depois do roubo, tudo mudou. 

Com canivete

 

Já a doméstica Maria de Jesus Alves de Oliveira, 42, não deixa de se cuidar e, mesmo assim, foi vítima de roubo, na noite da última terça-feira, na região da Vila Falcão. Dois homens armados com um canivete subtraíram o aparelho celular e o fone de ouvido da mulher.

Maria voltava do trabalho e, quando passou pela quadra 1 da rua Quinze de Novembro, foi abordada por Leomar Marques da Silva, 29 anos, e Luiz Carlos Simões Morgado, 31. Eles anunciaram o assalto e tentaram fugir, mas foram surpreendidos pela PM, que os encaminhou até a Central de Polícia Judiciária (CPJ), de onde delegado plantonista ratificou prisão em flagrante por roubo.

Entretanto, a vítima já esteve “na mira” de outro tipo de crime. Ela chegou a ser assediada na rua por um conhecido. “Nós não estamos seguras nem entre as pessoas que conhecemos”, desabafa. 

Embora Maria costume se precaver, pretende dar ainda mais atenção à própria segurança, evitando passar por locais ermos ou mal iluminados. Aliás, essa é uma das dicas da polícia à população.

RECENTES

 

Outros dois casos chamaram a atenção. Conforme o JC noticiou, um garoto de 15 anos enfrentou um ladrão armado à faca para defender a mãe, no último domingo, na região do Jardim Contorno (Vila Engler). 

Na mesma data, uma jovem de 22 anos chegou a perseguir o ladrão que a furtou dentro do ônibus, fato que levou à prisão do suspeito pela polícia na sequência.

'Vamos juntas?'

Criada há um mês e meio, a página “Vamos juntas?”, no Facebook, propõe às mulheres que, se estiverem em situação de risco, se juntem a outras que estiverem passando pela mesma insegurança. A ideia da jornalista gaúcha Babi Souza se espalhou em todo o País e a página já conta com mais de 200 mil curtidas. Inclusive, tanto o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume quanto o delegado Kleber Granja apoiaram a iniciativa.

Essa proposta também chegou a Bauru, porque existe um grupo fechado no Facebook que se chama “Vamos juntas USC”. Bárbara Silva Ribeiro, que estuda jornalismo na instituição, afirma que aderiu ao movimento há pouco tempo, mas já sente os resultados. Quando há algum evento fora da universidade, as meninas utilizam a plataforma para conseguir carona. “Eu não me sentiria confiante ao aceitar carona de um homem desconhecido”, argumenta.c

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