Cultura

Em cartaz, o espetáculo A.M.A.D.A.S.


| Tempo de leitura: 4 min

Divulgação
Espetáculo, estrelado por Elizabeth Savalla, discute a mulher que chega à meia-idade pressionada por um padrão de beleza

Através de um humor histriônico e contagiante, o espetáculo A.M.A.D.A.S - Associação de Mulheres que Acordam Despencadas - coloca em discussão algumas das questões mais importantes sobre a condição da mulher moderna: o texto enfoca a via crucis de uma mulher que chega à meia-idade pressionada pelas demandas de uma sociedade cada vez mais fútil e superficial. A comédia será encenada hoje e amanhã, às 20h30, no Teatro Municipal de Bauru.

A protagonista, Elizabeth Savalla, expõe, em uma reunião da A.M.A.D.A.S, suas inseguranças e angústias geradas pela impossibilidade de conservar o visual e o comportamento típicos da juventude à essa altura da vida.

Com efeito, a camada social onde a protagonista se movimenta vive de aparências e está sempre pronta a condenar quem não cultiva essa imagem à custa de academias, salões de estética, cirurgias, botox e silicone. O espetáculo, escrito por Regiana Antonini e dirigido por Luiz Arthur Nunes, coloca o dedo na ferida de mulheres a caminho da maturidade. Mas o faz de forma inteligente e, principalmente, bem humorada pela sátira hilariante aos mitos e obsessões de nossa época. 

 

          Bate-papo 

Pergunta: A.M.A.D.A.S é associação para mulheres “despencadas”. Como a protagonista se encaixa nisso? 
Elizabeth Savalla:
A Regina Antônia é mais uma mulher que um dia acordou despencada. O fenômeno do despencamento atinge a todas nós. Um dia você se olha no espelho e descobre que tudo caiu. Comigo aconteceu no meu aniversário de 51 anos. No dia anterior, eu acordei e li meu jornal como sempre. No dia seguinte, eu já não conseguia ler sem óculos. 

Pergunta: Após interpretar tantas mulheres diferentes, o que a Regina Antônia traz de novo para você?
Elizabeth Savalla:
O desafio maior é que neste monólogo eu interpreto diversos personagens além da protagonista Regina Antonia. Na peça, ela está completando 48 anos de vida e no dia anterior ao seu aniversário ela encontra uma amiga da época da adolescência. Exatamente aquela amiga que era a gostosona da turma, aquela que ficava com todos os gatinhos que todas queriam ficar. Aquela amiga que era três anos mais velha, mas que aparentava cinco anos mais nova e que agora, 20 anos depois, à custa de muito botox, silicone e academias de ginástica, parece ser de uma geração posterior à da protagonista. O embate entre as duas é muito rico e prazeroso para mim como atriz. 

Pergunta: Cirurgias plásticas, botox, silicone... Você condena quem faz?
Elizabeth Savalla:
Eu não condeno nada, nem ninguém. Mas, às vezes, as pessoas exageram nos riscos que correm para ficarem mais bonitas. Eu fiz uma novela do Walcyr Carrasco chamada Sete Pecados em que eu interpretava exatamente o pecado da vaidade. Nesse período estive em contato com cirurgiões plásticos e um deles em especial me deixou apavorada com os riscos que se corre nesses procedimentos. Você pode ficar melhor, mas pode ficar muito pior. 

Pergunta: Existe algum culpado por essas obsessões ?
Elizabeth Savala:
Não é uma questão de culpa, mas a sociedade cobra isso. A peça coloca em cheque essa ditadura da beleza. Essa obrigação de se estar sempre jovem, sarada e bonita. O texto mostra, através do humor, o quanto é ridículo esse esforço para se esconder a idade quando ela chega. 

Pergunta: Como você faz para conciliar os trabalhos? 
Elizabeth Savalla:
Eu tenho feito uma novela a cada dois anos. Entre uma novela e outra, eu intercalo meus espetáculos de teatro. Nos últimos dez anos, eu tenho me dedicado ao projeto Teatro de Graça na Praça, onde eu apresento espetáculos ao ar livre, em praças públicas, em cidades do Interior de São Paulo. É muito estimulante para um ator apresentar um espetáculo para milhares de pessoas na rua. 

Pergunta: TV ou teatro? 
Elizabeth Savalla:
No teatro, a resposta é instantânea. Você não engana ninguém. Fez, fez, não fez, fizesse. Têm dias que você está péssima, com dor de cabeça, menstruada, com febre... Você entra em cena e faz. Têm dias que você está perfeita e o espetáculo não sai como você gostaria. Têm dias que você está morta, cansada, acha que vai ser um horror e na hora que entra em cena é tudo maravilhoso. E o público é fundamental nesse processo. A energia do público te leva a superar as dificuldades. Assim como, às vezes, o público também pode te levar a um espetáculo menos intenso. Já a TV tem uma coisa fascinante que é o improviso. Você tem pouco tempo pra estudar o texto. Na novela Alto Astral eu tinha muitas cenas “secretas”. Recebia o texto tarde da noite e tinha que gravá-lo no dia seguinte. Ninguém, além do autor e do diretor, sabia que ia acontecer. E tudo acontece na hora. Eu adoro essa adrenalina. 

Serviço

Apresentação: Hoje e amanhã, às 20h30
Local: Teatro Municipal de Bauru
Ingressos: Meia: R$ 40,00 (estudantes, idosos e professores); cliente Porto Seguro: R$ 40,00; cliente mais 1 acompanhante: R$ 40,00 cada; recorte Jornal da Cidade: R$ 60,00; inteira: R$ 80,00
Pontos de Venda: Deko Colchões, rua Ignácio Alexandre Nasralia, 5-75 (esquina com Antonio Alves); Roth Store , na avenida Getúlio Vargas, 5-9.
venda online: www.megabilheteria.com

(14) 3021-1511

Comentários

Comentários