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Os efeitos do terremoto que atingiu o Chile na noite da última quarta-feira (16) foram sentidos em Bauru, segundo relato de uma moradora da cidade. O Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP) também recebeu ao menos quatro telefonemas de Bauru comunicando tremores no município próximos ao horário do terremoto registrado no país andino.
O abalo sísmico que deixou, até o momento, 12 mortos, cinco desaparecidos, dezenas de feridos e mais de 600 desabrigados chegou com pouca intensidade a Bauru. Segundo a funcionária pública Anette Cristina Bianchi de Marche, 49 anos, não foi possível perceber vibrações no chão, mas as ondas provocadas em sua piscina mostraram, claramente, que algo de anormal aconteceu na cidade.
“Eu estava sentada em uma cadeira no quintal, sozinha, e, de repente, a água começou a balançar, do nada. Fazia o movimento de um lado para outro, até jogando um pouco de água para fora da piscina. Durou uns cinco minutos e foi bem visível”, relembra.
Com medo, Anette chamou os dois filhos gêmeos, de 7 anos, que estavam dentro da casa, e os levou para a parte da frente do imóvel, onde não havia risco de se ferirem, caso o abalo sísmico se intensificasse e paredes ou muros desmoronassem. “Ficamos lá por uns dez minutos e só me tranquilizei quando percebi que nada grave iria acontecer”, completa.
O epicentro do terremoto foi registrado no Oceano Pacífico, a dez quilômetros da costa, na altura da cidade de Canela e a mais de três mil quilômetros de distância de Bauru. Técnico de sismologia do IAG-USP, José Roberto Barbosa explica que a propagação de tremores até o território brasileiro - principalmente os de grande magnitude, como o registrado no Chile, que chegou a 8,4 graus na escala Richter – não é um fenômeno incomum.
“Em muitos casos, contudo, eles podem passar imperceptíveis. As pessoas sequer percebem oscilações no solo, mas, como estas ondas possuem baixa frequência, podem provocar oscilações mais visíveis, por exemplo, na água das piscinas, durante sua passagem sobre a superfície da Terra”, esclarece.
Efeitos
Ele cita que as ondas sísmicas oriundas de terremotos com epicentros de baixa profundidade como o do Chile (calculado em 11 quilômetros) se propagam em baixa velocidade, em uma média aproximada de três quilômetros por segundo, e demoram de cinco a seis minutos para chegar ao País. “Mas vale destacar que o epicentro estava bem próximo do continente. Então, as ondas chegaram mais fortes e foram sentidas em vários locais no Brasil, até o ponto de perderem força e desaparecerem”, comenta.
Além de Bauru, há informações de que tremores tenham sido registrados em Dois Córregos, no litoral paulista, no Vale do Paraíba, na Capital e no município de Santa Maria, no Rio Grande do Sul.
Barbosa diz, ainda, que os efeitos de abalos sísmicos costumam ser mais perceptíveis em prédios altos, que possuem estrutura subterrânea mais profunda. “Isso ocorre principalmente nos que estão fixados sobre rochas sedimentares (menos densas). O prédio balança como se fosse um pêndulo ao contrário e as pessoas que estão nos andares superiores percebem a passagem destas ondas, que provocam vibrações nos apartamentos e oscilações de energia”, detalha.
Réplicas
O técnico de sismologia José Roberto Barbosa explica que centenas de réplicas do terremoto que atingiu o Chile continuam acontecendo e ainda poderão ser sentidas em cidades do Sul e Oeste do Estado, que estão mais próximas geograficamente do país andino. “Tratam-se de tremores menores, mas de magnitudes consideráveis, de cerca de 6 graus na escala Richter, que ocorrem na região do mesmo epicentro do terremoto”. A expectativa, contudo, é de que haja acomodação com o passar dos dias.
