Regional

Mulher morre depois de cesariana em Pederneiras

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.
Parturiente morreu após passar por parto na Santa Casa de Pederneiras e família registrou BO

A morte de uma parturiente de 35 anos, após cesariana na Santa Casa de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), será apurada em inquérito policial. O velório teve que ser interrompido para que o corpo da mulher fosse examinado no Instituto Médico Legal (IML). Familiares registraram boletim de ocorrência na delegacia na última quinta-feira (17) por “morte suspeita”.

O marido de E.A.S. relatou que, na segunda-feira (14), a esposa dele havia sido internada no hospital por reclamar de dores provavelmente pela proximidade do trabalho de parto. Após ficar internada, a parturiente recebeu alta na manhã de terça-feira (15) e retornou para a sua residência.
Diante de novas reclamações de dores, a mulher foi levada novamente à Santa Casa na quarta-feira (16), por volta de 14h, quando ficou em sala de observação até a noite. Segundo relato do marido, somente por volta de 21h compareceu o médico que acompanhou o pré-natal da esposa dele. Depois disso a mulher foi levada para o centro cirúrgico. A cesariana teria ocorrido bem, de acordo com relato do médico aos familiares.

Durante a madrugada, a parturiente passou mal e veio a óbito na quinta-feira. Na delegacia, o marido afirmou que a esposa teria tido um choque anafilático em decorrência de ter sido administrada morfina. Depois veio a informação de que órgãos internos teriam sido perfurados durante o parto. Os familiares foram orientados a providenciar um enterro rápido para a vítima, porque o corpo não suportaria passar mais de 10 horas no velório. Diante da contradição, o marido registrou boletim de ocorrência (BO), o que motivou o delegado de plantão Richard Serrano solicitar necropsia e exame toxicológico no cadáver. Um inquérito policial será apurado para apurar a causa da morte.

Quioshi Goto
Delegado Richard Serrano começou ontem a ouvir enfermeiras do hospital para apurar a causa da morte de paciente

O delegado Richard Serrano começou a ouvir ontem as enfermeiras, que estavam na sala de cirurgia, e até o momento está confirmado que houve o rompimento da bexiga, mas em outros órgãos como se especulou dependerá de laudo do IML. “O médico acabou falando para uma enfermeira que a paciente teve aderência: os órgãos ficaram colados na cicatrização na operação anterior em decorrência de ser a quarta gestação. Quando foi feita a cirurgia na quinta (17) acabou rompendo a bexiga que estava colada por cima do útero. Então foi confirmado que essa mulher, durante o parto, teve o rompimento da bexiga.”

No pós-operatório, o médico prescreveu medicação específica por ter conhecimento de que a paciente era alérgica a várias medicações. “O único medicamento possível para ser ministrado para dor era Tramal. Em determinado momento, a acompanhante relatou que a mulher continuou com dor. Passados alguns instantes, foi aplicado soro. A paciente recebeu uma dose de Luftal e posteriormente continuou a passar mal até desmaiar. Foi quando constatou que ela estava sem batimento cardíaco. Na sala de primeiro socorro foi aplicada adrenalina, mas não resistiu e ela veio a óbito”, conta o delegado ao relatar  um dos depoimentos de  uma das enfermeiras.

Richard informou que não foi aplicada morfina, como a família chegou a aventar e registrou em boletim de ocorrência.

A reportagem procurou a Santa Casa de Pederneiras nessa sexta-feira (18) à tarde e foi informada de que a administradora não se encontrava no local. A responsável técnica da enfermagem declarou, por telefone, que o atestado de óbito não constou má conduta médica no tratamento da paciente. A instituição ficou de dar mais esclarecimento, mas até o fechamento desta edição nenhum retorno foi dado.

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