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| Pequenos agricultores aprendem novas técnicas |
O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), parceiro natural do Sindicato Rural de Bauru, já formou 4.838 pessoas em cursos profissionalizantes que somam 815 cursos, um diferente do outro. O mais interessante é que a proposta é totalmente gratuita e contribui para manter o homem no campo em novas atividades.
O êxodo rural no Brasil, em datas mais recentes, ocorreu entre as décadas de 60 e 80, quando aproximadamente 13 milhões de brasileiros abandonaram o campo e foram viver na área urbana, especialmente nos grandes centros. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2020 o país vai ter o fim do êxodo rural. Atualmente uma parcela esmagadora da população brasileira vive na área urbana - cerca de 90%. Nem todos aqueles que deixam o campo vivem em condições favoráveis na cidade.
Por isso, os programas oferecidos pelo Senar que transformam e qualificam a mão de obra para enfrentar novos desafios são ferramentas prioritárias, frisa o presidente do Sindicato Rural e vice do Senar-SP, Maurício Lima Verde. “A cana foi mecanizada e o pessoal que cortava cana hoje faz artesanato da palha. Criamos novas profissionais. Qualificamos muita gente para artesanato, inseminação artificial, cultura orgânica, dentre outros. Mantemos ainda a parte social que alfabetiza os adultos e orienta os jovens para profissões”.
A demanda é grande e existe uma fila de espera. “Nos últimos cinco anos a procura pelos cursos profissionalizantes aumentou de 40% a 60%, mas não temos estrutura para atender todos de uma vez. O Senar não tem presença física, apesar de ser uma entidade modelo. Ele se desenvolve no sindicato. Nós prestamos contas ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público”, diz.
A diferença das demais entidades do grupo S (Sesi, Senai, Sesc, Senac) é que no Senar nada é cobrado. “Tudo é gratuito, alimentação, transporte, apostilas etc. Em Agudos e Piratininga, o transporte é feito pela prefeitura que foi parceira nessa empreitada. O curso focado nos jovens da área rural é anual. Os adolescentes vão para a escola e depois vão para o curso onde almoçam e aprendem uma profissão voltada ao campo. Muitos deles deixam a rua, deixam de usar drogas. É um curso caro porque oferece alimentação e todo o material. Nós criamos profissões para eles. Os cursos oferecidos são aqueles que o sindicato sente que precisa”, afirma.
Para o Senar é prioridade preparar o agricultor para os novos desafios que surgem na agricultura familiar e nos assentamentos legais. “Estamos dando cada vez mais prioridade para a agricultura familiar e para os assentamentos. Eles querem fazer a agricultura, mas não sabem. A gente ensina eles a fazerem e formamos novos profissionais dentro da área rural. Isso contribui também para que o pessoal não saia do campo, não venha para a área urbana. Eles ficam trabalhando na propriedade. As atividades agrícolas estão mudando muito na região. As mudanças exigem mão de obra qualificada.”
Região oferece 110 cursos por ano
Capacitação também é dada às empresas privadas que fazem manutenção de máquinas na prevenção de acidentes e manuseio de agrotóxicos
Agudos, Piratininga e Avaí são atendidos pelo Senar de Bauru. Só este ano serão oferecidos 110 cursos e 22 programas. São cursos profissionalizantes focados nos agricultores de Bauru e região. A finalidade é melhorar a produção, diminuir custos e evitar acidentes.
“O Senar faz convênios com os Sindicatos Rurais patronais que é o seu parceiro natural. Quando não tem sindicato patronal no município, faz o convênio com o Sindicato do Trabalhador e prefeituras. Este ano foram aprovados 30 ações pontuais, 80 extras, além dos cursos e programas,” explica a coordenadora dos cursos em Bauru, Cleusa Eunice Evaristo.
Segundo ela, a demanda é grande por isso algumas ações são pedidas através de ofício. “Oferecemos cursos para empresas privadas também, especialmente aquelas que trabalham com agrotóxicos. O Ministério Público exige que esses profissionais sejam capacitados em obediências às instruções normativas. O certificado do Senar é aceito pelo MP. Na região, capacitamos funcionários de grandes empresas como da Duratex e Citrosuco. Capacitamos também os trabalhadores que fazem manutenção de máquinas, na prevenção de acidentes.”
Com a finalidade de criar uma nova opção de renda ao produtor rural, o Senar implantou recentemente, a Feira do Produtor. “Tem uma turma em Agudos. É o produtor vendendo diretamente ao consumidor. Sem a figura do intermediário como ocorre na feira livre que muitos compram no Ceasa. É uma exigência do Senar.”
O produtor tem que comercializar aquilo que ele produz. “Com isso melhora a eficiência. A produção desses alimentos tem rastreabilidade. O consumidor compra e sabe de quem está comprando. Da propriedade tal e do fulano de tal. É o próprio produtor vendendo o produto dele.”
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| Programa Feira do Produtor Rural tem aula prática de comercialização, além de incentivar a melhorar a geração de renda |
Feira
Na cidade de Agudos, com a parceria da prefeitura, os produtores estão sendo preparados para a feira. “No primeiro encontro, chamado de sensibilização, percebemos que os alunos moravam em um assentamento em Borebi, embora a vida deles seja em Agudos. Para facilitar a nossa equipe está desenvolvendo o curso no assentamento. Em Avaí, esse mesmo curso terá início no ano que vem.”
De acordo com a coordenadora, são vários módulos até chegar na prática. “Na verdade está na fase de formação dessas pessoas. No primeiro módulo falamos sobre normas e procedimentos é a parte teórica. Na sequência ensinamos sobre a implantação da feira, a forma em que ela é organizada, o estatuto, montamos a comissão gestora. Não é uma feira jogada. Tem uma comissão que vai inclusive fiscalizar os produtos para não virar uma feira livre. Não banalizar.”
A feira tem um padrão a ser seguido. “Todos os participantes vão ter o mesmo tipo de estande, não chamamos de barraca. Elas são construída em bambu. O Senar dá todo material. Compramos bambus tratado de um produtor de Venceslau Braz. Em Agudos foram 11 estandes construídos pelos próprios produtores com a ajuda de um instrutor do Senar. Essa parte está pronta.”
Padrão
Além de padronizar o estande, o banner e o uniforme, o Senar padroniza o atendimento. “Nós damos o banner com o nome da propriedade. O avental, a camiseta e o boné. O uniforme é uma simbologia para que todos falem a mesma língua. Eles vão aprender a comercializar o produto. Temos o curso de embalagem e de atendimento ao cliente. Eles aprendem a expor o produto e a higienização deles e dos produtos. A comissão gestora vai continuar com eles para que tudo seja sempre no mesmo padrão.”
Consumidor não quer só alface...
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| Na feira do produtor é possível encontrar produtos que na convencional não tem |
Para que todos os produtores não montem os estandes com o mesmo produto, uma instrutora do Senar vai até a propriedade de cada um deles e faz um inventário. “A instrutora vai na propriedade e vê tudo o que eles têm. O potencial de cada um. O consumidor não quer só alface e nem só aquilo que eles encontram na feira convencional.”
Na feira do produtor é possível encontrar produtos que na convencional não tem. “O limão rosa, a jaca, o abacate são exemplos disso. O consumidor urbano gosta de encontrar produtos diferentes. Aqueles produtores que não têm nada plantado, vão plantar. Tem um planejamento, uma programação antes da primeira feira. Em Agudos, a primeira vai acontecer em novembro.”
Outro item bastante discutido durante a preparação da feira e para que os estandes não repitam produtos. “Batemos muito nessa tecla para que um não se torne concorrente do outro. Ter uma diversidade de produtos pode garantir o sucesso. Eles têm que aproveitar a sazonalidade,” conta a instrutora do Senar.
Piratininga produz cultura orgânica
A produção orgânica de olericultura está em alta. O mercado consumidor procura por produtos mais saudáveis. De olho na demanda, o Senar desenvolve um curso em Piratininga, desde o começo do ano para formar agricultores e multiplicadores das informações. São 10 módulos onde o aluno aprende todas as técnicas adequadas e a legislação pertinente. “Os agricultores aprendem a cadeia toda do produto orgânico”, comenta a coordenadora do curso, Cleusa Evaristo.
Desde o primeiro módulo, o agricultor aprende a preparar o solo. “Todo mês o instrutor vai e dá aula na propriedade por dois dias. Ele ensina a fazer a compostagem, a produzir a muda, como plantar. Se teve praga ou doença ele vai ensinar a combater. Acompanha a colheita e a comercialização. Ele vai implantar o sistema todo.”
Em Piratininga são feitas aula prática da feira. “Os produtores ficaram felizes com o resultado. Faturaram R$ 200 num local que não é o mais adequado e nem no horário mais propício. Mesmo assim conseguiram vender.”
Orgânico tem preço menos flutuante
Tomate produzido sem agrotóxico está ganhando espaço nas quitandas, porque é um produto diferenciado num mercado cada vez mais crescente
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| O preço do tomate orgânico é um atrativo para quem não tem muito espaço disponível |
O tomate produzido sem agrotóxico, assim como os demais orgânicos estão ganhando espaço nas quitandas, mercados e feiras. É um produto diferenciado por não ter “veneno”. As pragas e doenças são controladas naturalmente com uma boa “alimentação” da planta e controle biológico.
De olho nessa demanda, o Senar tem um programa voltado aos agricultores que aprendem as técnicas de plantio, cultivo, colheita e comercialização. O instrutor da área Marcelo Sambiase explica que o grupo que participa do programa faz um cultivo que é acompanhado por meio ano. “Acompanhamos desde a semeadura até a colheita. Ensinamos agricultores a cultivar o tomate orgânico que é uma alternativa num mercado crescente de consumo.”
O preço do tomate orgânico é um atrativo para quem não tem muito espaço disponível, explica o instrutor. “O tomate é plantado por metro quadrado. Em cada um deles são duas plantas e cada pé produz em média cinco quilos de tomate. Em um metro quadrado dá em média 10 quilos. O preço varia de R$ 4,00 a R$ 4,50 o quilo. Enquanto o tomate convencional está na faixa de R$ 1,00 o quilo. O preço do orgânico não tem grande flutuação no mercado, varia de R$ 3,50 a R$ 4,50 ao longo do ano.”
Em um hectare é possível plantar em torno de 17 mil plantas que geram de 70 a 90 toneladas de fruto. Um hectare equivale a um quarteirão, ou seja, 100 x 100. “O tomate orgânico tem produção menor do que o convencional e não atende a demanda do mercado. Geralmente é vendido em feiras e quitandas, no comércio varejista e não no atacado. Os volumes de produção são menores.”
O custo de produção é mais baixo, mas a planta produz um pouco menos. “A planta do tomate convencional gera 10 quilos do fruto enquanto que o orgânico de cinco a seis quilos por planta. O diferencial é que o convencional tem muito veneno. Produzimos menos, gastamos menos e oferecemos um produto que foi cultivado com adubação verde, uma técnica de adubação e minerais autorizados pela agricultura orgânica.”
A agricultura orgânica tem legislação própria que dita aquilo que pode ou não ser usado no cultivo da planta. “Essa norma estipula os tipos de adubos minerais, os tipos de compostagem, a forma de usar a compostagem, isso está especificado pela Lei Brasileira de Sistema de Produção Orgânica.” Sambiase ressalta que, os produtos usados na agricultura convencional para controle de praga e doenças, são sistêmicos. “Não adianta lavar. O veneno não sai. Os defensivos que são utilizados na agricultura convencional entram na planta e não saem mais. No orgânico não existe isso. É como quando uma pessoa toma um anti-inflamatório para curar uma dor no pé. Ele cai na corrente sanguínea.”
A região de Bauru tem terra boa para o plantio de tomate. “A terra dessa região produz bem tomate. A melhor época de plantio é no outono e inverno. A colheita acontece de 100 a 120 dias depois. O controle de pragas é através da nutrição. A praga é efeito, não é causa. As pragas e toda doença vêm do desiquilíbrio nutricional. É um estresse que a planta está passando. Se eu atender as necessidades da planta. Plantar na época certa e ela não estiver estressada, o alimento estiver correto não tem razão de sofrer com praga ou doença.”
Programa incentiva a produção de leite maior com baixo custo
Com o objetivo de capacitar produtores e funcionários rurais, o programa Pró-Leite tem por objetivo aumentar a produção de leite com baixo custo em sistema de pastejo. Nesse sistema, o animal se alimenta nas pastagens e “abandona” o cocho. O curso ensina a produzir uma pastagem de qualidade para fornecer uma alimentação adequada ao gado.
“O programa tem duração de 10 meses, são 16 módulos onde o aluno aprende desde a criação de bezerra, formação de canavial, manejo de ordenha dentre outras coisas. Ele aprende a trabalhar com o gado e a produzir leite em sistema de pastejo rotacionado. Atualmente são 20 alunos em Agudos e 10 em Bauru”, explica o engenheiro agrônomo e instrutor do Senar José Renato de Carvalho Moreira.
Utilizar a pastagem no momento em que ela está com o máximo de produção é uma das lições do instrutor. “É nessa época que a pastagem oferece a melhor nutrição para o gado a fim de que o animal tenha suprido as suas necessidades nutricional. São várias graminhas utilizadas. Existem quatro grandes famílias, diversos tipos de capim. Cada propriedade trabalha com uma pastagem, a preferência é do produtor, ele escolhe aquela que ele já tenha em sua propriedade.”
Durante o curso, o produtor aprende a corrigir o solo. “Vai melhorando a pastagem no decorrer do curso. Ensinamos todo o processo de adubação. Esse curso é específico para aumentar a produtividade e reduzir custos. Não ensinamos o produtor a agregar valores. A produção maior faz com que ele tenha mais leite para vender em laticínios e cooperativas. Esses compradores é quem beneficiam o leite, confeccionando queijos e derivados dele.”



