Não é novidade, o país está em crise. O dólar e o euro estão a quase quatro reais. Inflação elevada. A Petrobras, maior estatal do país, passa pelo seu pior momento com escândalos de corrupção e má administração. O desemprego atinge a taxa recorde de 8,1%. Há empresas demitindo e empresas fechando. A corrupção, a violência e a educação precária ficam mais evidentes. Parece que a presidente Dilma Rousseff não sabe o que fazer e apresenta despreparo para falar em público e governar. Nos jornais só temos péssimas notícias. Diante de tanta coisa ruim, o que a maioria dos brasileiros faz? Reclamar de tudo, ou protestar pela renúncia ou impeachment da presidente.
Impeachment pelo quê? Pela má administração da Petrobras e do país? De acordo com artigo (http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/03/150309_dilma_impeachment_base_rm) publicado no site da BBC Brasil, dois juristas divergem sobre o caso. Um fala que sim, como crime culposo Dilma, presidente do Conselho Administrativo da Petrobras, pode sofrer impeachment porque permitiu erros de gerência. Outro diz que não há nada que evidencie o envolvimento da presidente com corrupção e a culpa de má administração não dá direito ao impeachment, precisaria de um crime doloso. O segundo argumento faz mais sentido: não há motivo para impeachment. (Leia o artigo.) Tal manobra desencadearia crise maior.
A Lava Jato é o maior empreendimento anticorrupção da história do país. Em um ano trouxe à tona os esquemas de corrupção na Petrobras e tem prendido os culpados. Finalmente corruptos estão indo para a cadeia. A cada semana, um capítulo de fatos sujos é revelado e todos os envolvidos devem ser punidos. Essa é uma história boa da crise, mas ninguém vê dessa forma. O pessimismo na nação é geral. Todos têm erros a apontar e reclamações a fazer. Alguns protestam sem saber o que estão pedindo e por que protestar. As coisas estão ruins e temos que nos indignar mesmo, mas parece que ninguém tenta algo diferente, mudar, fazer sua parte. Só reclamam. Tá ruim, mas você vai deixar pior?
As pessoas que mudaram o mundo assim o fizeram pelo descontentamento e trabalharam no que vislumbraram. Thomas Edison, por exemplo, segundo relatos, tinha medo de escuro e trabalhou para inventar a lâmpada. O inventor do pendrive, o engenheiro israelense Dov Moran, teve a ideia do dispositivo de armazenamento depois de um computador falhar e ele perder a apresentação que tinha para fazer. Ficou desesperado, sua empresa era cotada na Bolsa de Valores e um equívoco sequer poderia ser processado. Enfim, o computador voltou a funcionar e então fez a palestra. Depois disso, disse que jamais andaria sem uma cópia de segurança dos seus arquivos e assim surgiu o pendrive. No começo, foi ridicularizado pela invenção, hoje não vivemos sem pendrive.
Temos exemplos de nações que após crises se reinventaram. O Japão foi devastado por duas bombas atômicas e sofre constantemente com terremotos; se reconstruiu e hoje é uma potência tecnológica. A economia alemã após II Guerra estava em frangalhos, hoje a Alemanha é a maior potência da União Europeia. Tais mudanças ocorreram por causa da conscientização do povo.
A impressão é de que o brasileiro não enxerga uma coisa boa em seu país. Não dá valor ao Brasil. O negativismo paira sobre a nação. Não há felicidade nem qualidade em um lugar de pessoas pessimistas. A mudança deve partir do cidadão comum. Ela está em cada um, no dia a dia, nas atitudes e devemos mudar o que está ao nosso alcance. Precisamos valorizar o que temos e melhorar o que está ruim. Para de reclamar e começa a fazer alguma coisa. Uma nova postura de enxergar os fatos, uma mudança de hábitos, ajudar pessoas… qualquer coisa que seja boa para o coletivo. E precisamos disso agora!