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Reprogramação mental ajuda negócios

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

Quioshi Goto
Roger Dias Barbosa: “A programação neurolinguística é 

mudança mental pelas palavras. Ela é base da hipnose”

Há prazo de validade para os processos de motivação implementados pelas empresas? Qual o resultado prático de palestras motivacionais para a segunda-feira seguinte dos funcionários?

Mais: até que ponto a mudança de comportamento está atrelada a alterações de padrões, crenças cognitivas, que interferem, de forma atemporal e duradoura, sobre o “modo de ser” dos funcionários, com reflexos diretos sobre o resultado dos trabalhos e a performance?

Essas e outras questões podem ser “tratadas” através de reprogramação mental aplicada especificamente para a rotina de empresas e o planejamento de vendas.

Quem defende a posição é o palestrante, professor universitário, hipnoterapeuta e coach na área de RH, Roger Dias Barbosa.

Para ele, a neurolinguística, associada ou não à hipnose, é uma ferramenta poderosa na abordagem de “crenças limitantes que interferem em nosso desempenho”.

Conforme o professor, entre  aplicações mais utilizadas, estão a “reformatação da postura e abordagem de professores em relação a alunos desatentos ou problemáticos e os padrões de comportamentos de funcionários diante de tarefas e, por exemplo, vendas.     

“A aplicação em sala de aula é muito parecida com a usada em vendas. Você precisa persuadir. O vendedor de carros tem um laboratório fantástico. Com um pouco de conversa com o cliente ele já decodifica o que o cliente está buscando. São estratégias de comunicação”, explica.

‘CAMINHOS’

No caso da neurolinguística, exemplos simples são utilizados para identificar os processos a serem adotados na relação vendedor-cliente.

“Se o cliente está de olho em conforto não adianta ficar destacando a potência do motor. Tem de levar o cliente para sentir o conforto primeiro. Então o vendedor precisa ter a habilidade de percepção em relação ao cliente, agora a melhor ferramenta de linguagem para leva-lo a realizar a compra é neurolinguística e hipnose”, defende Roger.

O processo, segundo ele, envolve montar uma estrutura de linguagem e abordagem para estabelecer quais palavras serão usadas para sensibilizar e quais frases serão elaboradas para que a pessoa sinta o que ela precisa através da abordagem.

“Vou fazer ele imaginar utilizando meu produto ou vou trabalhar para que ele sinta a sensação é neurolinguistica e hipnose também. Hipnose não é o transe, o formal. É uma relação de concentração no pensamento, viver uma história, uma fala em estágio de percepção acima do convencional”, amplifica.

ACREDITAR

Para Roger, as pessoas, por desconhecimento, desconhecem situações vividas no cotidiano como sendo “estado de hipnose”.

“Quem na estrada já não passou a pensar em algo e depois da curva se perguntou como fez a manobra se não estava com a cabeça pensando na estrada? Ele estava em transe. A gente está em transe na maior parte do dia, mas não sabe, não conhece. É preconceito com a palavra hipnose por desconhecimento”.

A questão é que, em um universo de falta de conhecimento e de construção de mitos, muitos deles negativos à discussão da temática, o caminho se abre para oportunismos, reconhece o terapeuta.

“Agora hipnose pode ser utilizada como ferramenta do mal. E infelizmente tem quem faça isso. E nem tudo funciona com a hipnose. O tratamento clínico com hipnose é pronto-socorro, para resolver problema pontual. A longo prazo não dá”.

Roger reforça a necessidade de estabelecer confiança entre paciente e terapeuta.

“Como profissional de hipnose não importa qual minha crença. O que importa é que o paciente acredite. Se o paciente acredita que algum mal tem origem em vidas passadas ou em outra geração sua, eu atuo com regressão para resolver. Mas essa relação é de extrema confiança”, cita.

Do ponto de vista da abordagem mental, defende o uso da hipnose.

“A área de criatividade e de memória de longo prazo é a mesma no cérebro. Então para mim importa se o paciente aceita acessar o passado e, ao realizar a ressignificação, que ele se sinta bem”.

A ressignificação, em síntese, é realizada pela sugestão realizada pelo terapeuta, ao paciente, em forma de frases, em relação a determinado fato/memória.   

Mas ele reforça a limitação no uso da ferramenta: “Hipnose é pronto-socorro. Uma alteração psicossomática, algo que preciso tratar emergencialmente. Nesse caso a hipnose é muito eficaz. Mas tratamentos a longo prazo não devem ser realizados com hipnose”.  

Abordagem atua sobre ansiedade e ‘ideias fixas’   

Na visão de Roger Dias, a neurolinguística e hipnose são ferramentas que possibilitam quebrar paradigmas de comportamentos. No caso das empresas, a abordagem busca eliminar que metas sejam afetadas pela ansiedade, por exemplo.   

“Vivemos onde tudo é muito rápido e tudo é cobrado de forma muito veloz. Da mesma forma isso é tratado nas empresas. São metas e problemas que os funcionários trazem de casa. Não dá para dissociar. A hipnose vai ajudar a trabalhar a ansiedade, as crenças limitantes, aquelas ideias que você fixou e que te impedem de atuar, produzir, resolver”, acrescenta.

Ele ressalta que as palavras ‘nunca’ e ‘não’ são venenosas e intoxicam o ambiente do trabalho. “E isso pode ser resolvido com auto hipnose. A ideia é conseguir que cada um consiga trabalhar em paz com você mesmo e não que essas crenças sugestionem suas ações”, comenta.

A hipnose nesse caso é utilizada como ferramenta para se criar uma barreira imaginária em cada um, uma sensação que gere tranquilidade. “E isso não significa que tudo dará certo. Mas, as pessoas estarão dissociados dessas crenças limitantes”, insiste Dias.

Ele lembra que, por este prisma, hipnose e terapia cognitivo comportamental têm muito em comum. “A ideia é combater os pensamentos automáticos negativos (pan), por exemplo, processo que é desenvolvido na terapia cognitivo comportamental, mas por psicólogo. Meus processos mentais estarão trabalhados para a motivação“, conta.

“As pessoas têm capacidade de mudar questões que estão arraigadas que estão lhe atrapalhando. Nosso pensamento negativo gera outros pensamentos negativos, gerando outros paradigmas, outros bloqueios. Acessar esses elementos internos muda esses paradigmas”, complementa Roger.

Apesar da defesa da neurolinguística como ferramenta no mundo dos negócios, o palestrante considera que nada se resolve “estalando os dedos”. “A mágica é você considerar que há possibilidades. Gerado isso, vocês trabalha a pessoa para acessar esses potenciais. Se você praticar todos os dias, em três semanas já aparecem resultados. Em outras, os resultados aparecem em cinco meses. Alguns conseguem logo na primeira intervenção”, diz.

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