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Os mitos e dogmas sobre as vacinas, por Alberto Consolaro

Alberto Consolaro éâ??professor titular da USP - Bauru. Escreve todas as segundas-feiras no JC.
| Tempo de leitura: 4 min

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O conhecimento induz a consciência na tomada de decisão e o benefício das vacinas para o bem da humanidade é imensurável

Algumas pessoas “inocentes” ajudam a esparramar boatos e medos injustificáveis e “nem percebem” o mal que fazem. Tem pessoas “contra antibióticos” ou “contra vacinas” e quando se pede para fundamentar suas crenças não sabem nem explicar como atuam os antibióticos sobre as bactérias e nem como funcionam as vacinas. Dizem: ah, ouvi dizer ou li em algum lugar!

Sobre as vacinas criam-se mitos e dogmas que só cabem em política e na religião. Em ciência o que vale são dados comprovados e publicados para exposição pública de como se chegou àquela conclusão. Opinião e experiência pessoal em ciência não valem nada!

Qualquer vacina induz reações no organismo que está sendo ensinado a como reagir contra os vírus e bactérias que foram atenuados, mortos ou fragmentados no processo de fabricação. Estas poucas reações são febre baixa, fraqueza, anorexia e inflamação com dor local.

A Paralisia Infantil ou Poliomielite é séria demais para se negligenciar. Em 2007 foram disseminadas informações apavorantes sobre a vacinação que seria pretexto para os ocidentais contaminarem a população com o vírus da Aids para reduzir o número de muçulmanos. Informação paralela disseminava que a vacinação tinha o objetivo de esterilizar as meninas muçulmanas. Por mais absurdo, religiosos radicais ajudaram a disseminar o medo: 24 mil famílias não vacinaram os filhos, serviços de saúde foram ameaçados e depredados.

Em 1990, um menino teve Poliomielite em consequência da vacina, uma possiblidade de um caso em 2,7 milhões de vacinados, a mesma de uma pessoa ser atingida por um raio três vezes no mesmo ano. Os EUA mudaram a forma de aplicar a vacina antipólio e não se observou mais nenhum outro problema.

As vacinas envolvem muitos interesses comerciais; por dinheiro e fama, os humanos matam facilmente! Em 1998, o médico Andrew Wakefield do “Royal Hospital School of Medicine” de Londres publicou na prestigiada revista científica “Lancet” um estudo que relacionava a vacina tríplice viral (Sarampo, Rubéola e Caxumba) com o desenvolvimento de Autismo. Outros pesquisadores médicos tentaram observar o mesmo efeito e não conseguiram. O desonesto teve seu diploma de médico cassado, pois provou-se que ele e o hospital recebiam dinheiro de advogados para “pesquisar” o assunto e embolsariam gordas indenizações do governo. Os pais das 12 crianças participavam do esquema. Mas o boato já tinha ganho o mundo: que maldade!

Sobre a vacina contra o HPV, os efeitos colaterais mais comuns são cefaleia, ânsias de vômito e fraqueza. Há relatos de convulsões e raros casos de encefalites e uveites que com as convulsões formam a síndrome de Guillain-Barré, mas são casos raros e isolados que podem ser superposições coincidentes.

O maior problema da vacina anti-HPV é, de novo, o dinheiro. O médico Bernard Dalbergue, que trabalhou 20 anos na Merck produtora da vacina Gardasil, saiu da empresa “atirando” para todos os lados dizendo que a vacina não previne o câncer de colo de útero e só tem efeitos secundários. Escreveu um livro anunciando o maior escândalo médico do mundo. Os resultados de prevenção do câncer pela vacina anti-HPV apenas poderão ser verificados epidemiologicamente daqui uma ou mais décadas. O câncer é um processo de transformação lenta e somatório ao longo do tempo e apenas levantamentos populacionais daqui a dez anos irão mostrar seus reais efeitos.

Os benefícios propiciados pelas vacinas são imensuráveis. A qualidade de vida e saúde chegaram a um patamar incomparável com as vacinas na prevenção de doenças, algumas erradicadas graças a elas como varíola, poliomielite, sarampo, tétano, difteria, rubéola, varicela, caxumba, tuberculose, febre amarela, hepatite e outras. Os processos envolvidos em sua fabricação são cada vez mais aperfeiçoados tal como ocorreu com a eliminação do mercúrio como era comum no passado.

Vacinas não são 100% perfeitas, mas a humanidade não sobreviveria sem elas! Não vacinar as crianças é expô-las a riscos imensuravelmente maiores do que os seus possíveis e raros efeitos colaterais e, cientificamente, nunca pode ser encarada como uma forma de amor!

OBSERVATÓRIO

Vacina HPV - No laboratório genes do vírus HPV são colocadas em fungos que produzem partículas semelhantes ao vírus. É por isto que não tem chance de se contaminar com a própria vacina assim obtida.
Inoculada no paciente, em três doses, a vacina induz a produção de anticorpos que são proteínas que farão o nosso sistema imunológico destruir os vírus.

Fabricantes – Existem dois fabricantes ou laboratórios que fabricam vacinas anti-HPV. O primeiro é a Merck Sharp & Dome contra os subtipos 6,11,16 e 18 que previne 70% dos casos de câncer e 90% das verrugas vaginais e se chama Gardasil. O outro fabricante é a Glaxo Smith Kline para os subtipos 16, 18, 31 e 45 que previne 80% dos casos de câncer de colo de útero e se chama Cervarix.

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