Polícia

Ato lembra cão espancado até a morte em Bauru

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 2 min

Renan Casal
Manifestantes se reuniram ontem à tarde perto da casa onde cão foi encontrado morto dia 17
Quioshi Goto
Casa apresentava danos nos vidros da janela da frente e, segundo familiares, cachorra sumiu

Cerca de 40 pessoas participaram nesse domingo (20) à tarde de uma manifestação em frente à casa de um morador da Vila São Francisco (região da Vila Santista) acusado de espancar seu próprio cachorro, que morreu em decorrência dos maus-tratos. Veterinários também aderiram. A morte com indícios de crueldade foi noticiada pelo Jornal da Cidade em 18 de setembro.

O caso aconteceu no último dia 17, na rua Ângelo Tamarozzi, próximo à linha férrea. Uma equipe da Polícia Ambiental recebeu a denúncia, feita por moradores da região, que ouviram os maus-tratos. Chegou e encontrou o animal agonizando no quintal da casa, mas, mesmo acionando um veterinário, não foi possível salvá-lo.

O cão de pequeno porte, sem raça definida, além de fraturas múltiplas, teve trauma na coluna.

O acusado foi detido e liberado para responder em liberdade e recebeu uma multa de R$ 6 mil.

Nesse domingo à tarde, o morador deixou a casa logo cedo. A informação de que ele pode ter se ausentado para evitar represálias foi passada por vizinhos.

Durante o protesto, a ONG Naturae Vitae e outros ativistas puderam ver que um outro cachorro ou cachorra fica na casa.

O animal estava nos fundos e amarrado. Com cartazes e gritando palavras de ordem, pedindo menos violência, cogitavam também pedir à Justiça para que libere a posse desse segundo cão. A Polícia Militar e o presidente do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais (Comupda), Leandro Tessari, acompanharam  a manifestação.

Após protesto, danos e acusações

Logo depois do ato realizado pelos ativistas na tarde de ontem, a Polícia Militar foi acionada por familiares do acusado de maus-tratos a animal na Vila São Francisco.

O chamado resultou em boletim de ocorrência por danos à residência e furto de animal.

O JC voltou ao local à noite. A casa apresentava danos nos vidros da janela da frente e, segundo os familiares, a cachorra, sem  raça definida, havia sido furtada. “Vieram aqui, jogaram pedras em casa e levaram a cachorra. Por isso chamamos a polícia. Meu pai é um senhor de idade e está sofrendo com tudo isso”, comentou Sidney de Souza, filho do acusado.

Segundo Sidney Souza, a ONG Naturae Vitae seria a responsável pelos danos e pelo furto do animal. 

“A manifestação da tarde foi pacífica e jamais agiríamos com vandalismo”, repudiou a presidente da entidade, Fátima Schroeder. “Falo em nome dos integrantes da nossa ONG que acompanharam o ato. E também queremos saber sobre o paradeiro [do animal]. Vamos acompanhar o caso, já que um cavalo desde mesmo senhor também já sumiu, depois de denúncias de maus-tratos”. O caso do cavalo teria ocorrido em 2014.

A ONG registrou dois boletins: um por maus-tratos ao animal visto ontem na casa e outro por preservação de direitos.

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