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Bauru quer dobrar número total de árvores na cidade

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 6 min

Quioshi Goto
Siraricitu na alameda Octávio Pinheiro Brisolla: espécie que a Semma indica por “requisitos” 

No Dia Mundial da Árvore, comemorado nesta segunda-feira (21), Bauru busca ampliar e até dobrar a quantidade de árvores plantadas nas calçadas da cidade.

O último dado que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) tem é de 2013, e cita 60 mil. No entanto, são mais de 130 mil lotes com edificação predial, o que de imediato já aponta que mais da metade não possui nenhuma árvore em seu passeio público.

Para chegar a uma situação considerada “ideal”, com uma árvore por lote com construção, a cidade precisaria, portanto, dobrar este índice.

A Semma está atualmente levantando as espécies que predominam em Bauru, inclusive por região da cidade, mas os resultados preliminares só devem ser conhecidos em 60 dias. O estudo faz parte do Plano Municipal de Arborização, que terá também as ações de manejo, e deve ficar pronto no começo do próximo ano.

Engenheiros agrônomos Luiz Fernando Nogueira Silva e Gabriela dos Santos Souza, ambos da Semma, dizem que o plano vai nortear as ações de plantio da própria pasta, indicando aos munícipes as espécies que mais estão em falta.

“Cada época teve uma árvore que predominou, já foi a sibipiruna, o chapéu-de-sol, a canelinha, depois o resedá. Hoje em dia é o oiti. O que a gente busca é diversificar os tipos de árvore que são plantadas nas calçadas”, comenta Luiz Fernando.

Quioshi Goto
Gabriela dos Santos Souza e Luiz Fernando Nogueira Silva

“O problema de uma espécie só predominar em um bairro é que se uma praga entrar, vai gerar problemas em diversas árvores de uma só vez”, completa Gabriela. A prefeitura, através da Semma, indica  relação de espécies adequadas ao plantio nas calçadas, conforme o lado da rua – abaixo ou não da rede de iluminação pública (veja abaixo).

Mudas

Justamente para apontar quais espécies são mais abundantes e quais faltam em Bauru, bem como a distribuição geográfica pelos bairros.

“Quando isso estiver pronto, será uma forma de orientar com precisão a população sobre qual espécie plantar em cada região. Mas atualmente qualquer espécie considerada adequada pode ser plantada nas calçadas. O ideal são as de porte médio, que realmente trazem um efeito mais direto para a cidade”, frisa Luiz Fernando.

Uma das espécies que a Semma tem incentivado é o siraricito, que ainda aparece com pouca frequência na cidade. “Ela atende bem os requisitos, tem porte médio, faz uma boa sombra, é uma árvore interessante para ser aproveitada na cidade”, comenta Gabriela.

Supressão

Para novas construções, o plantio de uma muda é obrigatório, inclusive para receber o Habite-se.

A Semma cita que depois ainda é feita uma visita de um fiscal para verificar se a árvore foi devidamente plantada. Até agosto, foram 972 pedidos do gênero na cidade.

Já para substituir uma árvore, é necessário autorização da prefeitura. “Não é possível simplesmente suprimir e não colocar outra no lugar. Se isso ocorrer, a pessoa pode ser multada”, lembra Luiz Fernando.

Em 2015, até julho, a Semma recebeu 879 pedidos para substituição de árvores, sendo que 491 foram negados e 388 foram autorizados, com base em critérios técnicos, entre eles eventuais riscos que a árvore possa causar. “Não dá simplesmente para substituir sem um motivo”, reitera.

Em caso de irregularidades, tanto em construções novas como em supressão, a Semma notifica o proprietário, que tem 15 dias para regularizar a situação. Caso isso não ocorra, uma multa de 300 Ufirs (cerca de R$ 900,00) é aplicada.

Áreas verdes

Além das árvores nas calçadas, muitas são encontradas nas áreas verdes da cidade. São 675 praças, algumas bem conhecidas e arborizadas, como a Praça Portugal (na zona sul) e a Praça Luiz Zuiani (no Higienópolis) e outras com menos vegetação ou até mesmo não urbanizadas.

Há ainda quatro bosques (Comunidade, Parque União, Bauru 16 e Geisel), o Parque Vitória Régia e o Zoológico e o Jardim Botânico, entre outros.

Estação das flores

Na madrugada de quarta-feira (23) de setembro, tem início a primavera. Estação de transição entre o inverno, que acaba agora, e o verão, que começa em 21 de dezembro, caracteriza-se pelo aumento do volume de chuvas na região sudeste do País. A entrada de frentes frias ainda é relativamente frequente, mas também já começam a ocorrer chuvas mais características do verão, com dias quentes e pancadas eventualmente fortes entre o fim da tarde e o começo da noite.

O IPMet informou que não fez previsão para os três meses de primavera deste ano. Já o CPTEC-INPE disse ao JC que deve divulgar informações a respeito da primavera de 2015 ao longo da semana. Para o começo da estação, o bauruense pode esperar mais calor (ontem a mais alta temperatura foi de 36,6 graus e, anteontem, 36,7, a segunda maior do ano). A massa de ar quente e seco seguirá forte no Estado de São Paulo pelo menos até quarta ou quinta-feira com temperaturas sempre acima dos 30º.

Compensação

Outro conceito atual é o da compensação ambiental, através do Termo de Compromisso de Recuperação Ambiental (TCRA). Quando uma obra, pública ou privada, vai ser executada, e há derrubada de árvores nativas, novas mudas precisam ser plantadas, ou até mesmo uma gleba inteira já vegetada ser adquirida. Neste caso, quem autoriza e define o que deve ser feito é a Cetesb (agência ambiental do Estado), mas a Semma participa principalmente quando se trata de compensações da prefeitura. “Sempre há compensações há fazer. Atualmente, são cerca de 15 mil mudas por parte do município, mas claro que isso não é de uma só vez”, relata Luiz Fernando Nogueira Silva.

No primeiro mandato do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), parte da floresta urbana nas imediações da Unesp e do Hospital Estadual foi comprada, como parte de compensações ambientais.

Futuramente, novos fragmentos podem ser adquiridos, para suprir o TCRA de novos obras. No caso da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), a reposição deve ocorrer nas proximidades do local, perto do leito do Rio Bauru. Para cada árvore cortada, exige-se, pelo menos 25 árvores novas, número que pode ser maior conforme as condições do local do corte. Em caso de corte de árvores isoladas, geralmente a indicação é pelo plantio direto. Já nas situações de supressão de fragmentos maiores, é mais comum que se autorize a compra de uma área já vegetada, ou a composição das duas alternativas.

SERVIÇO

Quer plantar? Tem muda no viveiro municipal: rua Henrique Hunzicker, quadra 1, Jardim Bom Samaritano (próximo ao Jardim Redentor) das 8h às 11h e das 14h às 16h30, de segunda a sexta-feira. (14) 3203-5390. Cada munícipe pode retirar até três mudas. O viveiro orienta ainda como deve ser feito o plantio.

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