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Campanha por liberação do carro a diesel chega a Bauru


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Usar diesel em carro de passeio é proibido no País desde a década de 70, mas um projeto de lei do Senado tenta mudar essa situação e os bauruenses, assim como alguns outros locais brasileiros, aderiram à iniciativa. Para pressionar os senadores a votarem o texto, será necessário 1 milhão de assinaturas em todo o Brasil e, por enquanto, há 100 mil. Contudo, não é todo mundo que concorda com a ideia, porque ela apresenta pontos positivos e negativos.


O membro da Juventude Bauruense Rodolfo Peres explica que o grupo passou a apoiar a campanha nacional ao divulgá-la junto às redes sociais. Todavia, a ação dos jovens não deverá se restringir ao ambiente virtual. Inclusive, no próximo sábado, eles levarão um notebook até o Calçadão da rua Batista de Carvalho, na região central, das 9h às 12h, para estimular os bauruenses a assinarem a petição online.


O Projeto de Lei n.º 84/2015 é de autoria do senador Benedito de Lira (PP-AL) e, segundo Peres, já foi aprovado em uma primeira comissão, mas ainda está sendo analisado por outra. Se o texto for aceito, irá para votação e as assinaturas da população contribuirão para agilizar esse processo. “Se alcançarmos a marca de 1 milhão de assinaturas, o Senado terá de votar o projeto imediatamente”, reforça.


Peres defende que o diesel S-10, cujo uso ainda é tímido no País, é menos poluente do que a gasolina. “Além disso, o combustível em si proporciona de 25% a 30% a mais de durabilidade em relação à gasolina e é muito mais econômico. Outro ponto positivo do projeto é que, se aprovado, ajudará a popularizar a produção de biodiesel nacional”, justifica. A Juventude Bauruense já conseguiu angariar centenas de assinaturas locais.


Por outro lado, o membro do grupo assume que a liberação do carro de passeio a diesel no País também poderia desencadear consequências negativas. “Os preços do combustível poderão subir, mas o fato de ele ser mais econômico acaba compensando. O que mais me chama a atenção é que o Brasil é o único País do mundo que proíbe o uso do carro de passeio movido por motor a diesel”, revela.


O abaixo-assinado virtual, promovido pela Juventude Bauruense, poderá ser acessado através da página do grupo no Facebook. Os membros da equipe também estarão entre as ruas Agenor Meira e Batista de Carvalho, na região central, no próximo dia 26, das 9h às 12h, para angariar assinaturas. Mais informações poderão ser obtidas por meio do telefone de Rodolfo Peres, que é o (14) 99619-8802, ou do e-mail rodolfoperes@outlook.com.

Dois lados
O engenheiro mecânico e consultor automotivo Marcos Camerini analisa os pontos positivos e negativos do carro de passeio movido a diesel. Entre os benefícios, está a maior eficiência técnica do motor, que tem rotação mais baixa e, consequentemente, causa menos desgaste. “Se um carro movido a gasolina aguenta rodar até 300 mil quilômetros, sem retificar o motor, um veículo a diesel anda até 500 mil quilômetros”, argumenta.


Outro aspecto positivo é que a substância liberada pela compressão do combustível forma uma espécie de fuligem, mas não é venenosa. “Já a gasolina libera o monóxido de carbono, que é extremamente nocivo”, aponta. Além disso, o consultor automotivo frisa que o carro a diesel não vibra tanto, não tem mais problemas com cheiro forte, é suave e o motor não precisa de vela de ignição, porque a partida é dada por compressão.

Veículo mais caro

Por outro lado, Camerini afirma que um carro de passeio com motor a diesel é mais caro. Diante disso, só compensaria adquiri-lo, se o motorista rodasse bastante, uma vez que o custo do veículo seria amortizado pela economia de combustível. “Os motoristas que rodam até 3 mil quilômetros por ano sairiam no prejuízo, se adquirissem um veículo desse tipo, mas aqueles que viajam bastante economizariam”, finaliza.

 

Proibição

O carro de passeio a diesel está proibido no País desde 1976, por conta do Proálcool, que consistia em substituir os combustíveis derivados do petróleo. Desde então, houve diversas tentativas de derrubar o veto, mas sempre surgia algum argumento que impedia essa decisão, porque, no passado, o diesel emitia uma grande quantidade de ácido sulfúrico, que era prejudicial à saúde.


Porém, com a criação do diesel S-10, que tem baixo teor de enxofre, tal posição cai por terra. Inclusive, segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Bauru, do total de 480 veículos pertencentes à frota do município, aqueles que são mais novos, ou seja, 45 utilizam o diesel S-10.

Impacto

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) de Bauru, José Antônio Reghine, ainda não tem uma opinião formada sobre o Projeto de Lei que propõe a liberação do veículo de passeio a diesel no País. Ele informa que, atualmente, os preços do litro da gasolina, do etanol, bem como do diesel comum, são, em média, R$ 3,19, R$ 1,89 e R$ 2,70, respectivamente.  Como o diesel é mais barato do que a gasolina, Reghine acredita que a aprovação do texto seria vantajosa aos consumidores, mas alerta para possíveis alterações nos subsídios que o governo fornece com o intuito de manter o preço do diesel em patamares baixos, visando abastecer as frotas de ônibus e caminhões. “Se não houver subsídios, o País poderia ter uma crise no transporte e até nos alimentos, já que ele são distribuídos pelos caminhões”.

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