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Suicídio

Alexei Lisounenko
| Tempo de leitura: 3 min

Estamos no mês do “Setembro Amarelo” e no dia 10 foi celebrado o “Dia Mundial de Prevenção do Suicídio”. O mundo é palco destas tristes tragédias e em nossa cidade de Bauru já ocorreram diversos casos de suicídio e de tentativa. Com a chegada da campanha “Setembro Amarelo”, comecei a pensar no que leva uma pessoa a querer dar um ponto final em sua vida.


Afinal, a morte é o fim de uma vida, a morte sela uma trajetória, termina uma história. Para algumas religiões e seitas a morte é uma passagem para algo maior, mas não é este o ponto a ser discutido aqui. O ponto que quero refletir com o amigo leitor é: o que leva alguém a optar pelo caminho da morte? Depressão? Estresse? Amargura? Falta de perspectiva de vida? Um estudo inédito da OMS (Organização Mundial de Saúde) relatou uma descoberta espantosa: a cada 40 segundos ocorre um suicídio no mundo. Em termos absolutos, o Brasil é o oitavo país do mundo com maior número de casos de suicídio, mais de 11.800 em 2012. Podemos pensar que este é um problema de países pobres ou emergentes, mas os primeiros países participantes dessa triste lista nos surpreende: Índia (258 mil óbitos), seguido de China (120,7 mil), Estados Unidos (43 mil), Rússia (31 mil), Japão (29 mil), Coreia do Sul (17 mil) e Paquistão (13 mil) e para a lista ficar mais confusa, o nono país é a Alemanha (10.745), lembrando que nestes números não estão computados as tentativas de suicídio. Esta é uma lista que reúne desde potências econômicas, com cultura e educação de ponta, a países pobres e subdesenvolvidos. Sobre as causas, o relatório afirma que em países desenvolvidos a prática tem relação com desordens mentais provocadas especialmente por abuso de álcool e depressão. Já nos países mais pobres, as principais causas das mortes são a pressão e o estresse por problemas socioeconômicos, um detalhe, hoje estamos passando por uma grave crise econômica.


Muitos casos envolvem ainda pessoas que tentam superar traumas vividos durante conflitos bélicos, desastres naturais, violência física ou mental, abuso ou isolamento. Assim podemos concluir que o suicídio não tem distinção de raça, cor, credo ou nacionalidade. Confidencio que é muito triste ver alguém perder a vida por um fator externo, só que me entristece mais ainda quando alguém tira a própria vida. Longe de criticar estas pessoas, pois não se põe um ponto final na história da própria vida sem antes viver um longo e tenso texto. Na minha filosofia de vida creio que vivemos várias vidas dentro desta em que estamos, cada uma a seu tempo, com as suas dificuldades e sua beleza, de uma hora para a outra ela muda vertiginosamente, pois o rumo da nossa vida não é absoluto, ela pode ser atingida por um simples tropeço numa pedra, um novo amor ou por escolher os seis números premiados. Viver não é uma tarefa fácil, muitas vezes é preciso ser um artista para se reinventar, driblar os bombardeios de cada dia. A quem está procurando dar adeus a esta vida eu afirmo com toda a convicção que vale a pena viver, e não precisa acertar os seis números, basta olhar para o lugar certo e nadar com toda a força e fé até lá, se você não souber qual é o lugar certo, saiba que existem vários lugares certos, pois o lugar errado você já sabe onde é, afinal está nele.

Existem muitos grupos em nossa cidade que trabalham para ajudar as pessoas a encontrarem um novo rumo em suas vidas. Caro leitor, independentemente da fé de cada um, foi muito difícil chegarmos até aqui. Para alguns somos fruto de bilhões de anos de evolução, para outros, somos o sacrifício de Jesus que morreu para proteger a sua maior criação, o homem. Vale a pena lutar pelo maior bem que nós temos, a nossa vida. Pois sem ela nada podemos ser, mas com ela tudo pode acontecer. Um abraço.


O autor é maestro

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