A brisa que passa breve,
Trazendo a fragrância leve
Da laranjeira em flor;
O Sol dourando a paisagem,
Expondo a nova roupagem
D’alfombra multicolor.
Festivo quê paira nos ares,
Os passarinhos aos pares
Felizes tecem seus ninhos;
O ciciar da cigarra
Irrompendo em algazarra,
No vergel em desalinho.
Por tudo há colorido,
A Terra é jardim florido
Que no seio a vida embala;
É cor, é perfume, é flor,
É vida, é sonho, é amor...,
É a Natureza em gala.
Há um sussurro no ar...!
Das plantas o farfalhar
Ou rumorejo do rio?
Mistério, prodígio, arte...?
Há rebentos por toda parte...!
Ah... é a Natureza no cio!
Um sol vivo e ardente
E o vento soprando quente,
Fazem rebuliço no céu;
Corusca do lado norte,
Ribomba o trovão mais forte,
Num verdadeiro escarcéu.
Lampeja o raio riscando,
braveja o vento uivando,
É a tempestade a rugir...
Mas é tudo passageiro,
Volta o céu de brigadeiro
E um belo sol a fulgir.
Tudo é alegre e arcano,
É a fase mais linda do ano,
Que o mundo todo espera;
Catita e buliçosa
Deveras esplendorosa,
É ela... a Primavera!
Roldão Senger
Academia Bauruense de Letras