Polícia

"Ladrão do telhado" é detido 15 horas após sair da cadeia

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: João Rosan
Forro de gesso foi danificado: prejuízo será de, ao menos, R$ 500,00 para a comerciante
Liberdade passageira: Abyner Teodoro foi preso poucas horas depois de sair do CDP de Bauru

“Eu furto para comprar crack. Uso droga desde os 10 anos”. O depoimento é de Abyner Teodoro, 20 anos, detido nessa sexta-feira (25) de manhã após invadir e furtar dois estabelecimentos no Centro de Bauru, 15 horas depois de deixar o Centro de Detenção Provisória (CDP), onde cumpriu pena de três meses pelo mesmo crime.

O “ladrão do telhado” foi flagrado sob a cobertura do prédio por um vigia, que acionou a PM. O jovem, apesar da pouca idade, tem histórico de “gente grande”. Desde que atingiu a maioridade, já “visitou” a prisão três vezes. Recentemente, invadiu a residência de um policial militar, também pelo telhado, e foi preso em flagrante.

O episódio começou por volta da 1h desta sexta. O vigia noturno Euclides Cesar Barbosa Felipe, 40 anos, flagrou quando o ladrão subiu a marquise de um ponto de circular e, depois de escalar a parede da lanchonete, que fica no cruzamento das ruas Primeiro de Agosto com Treze de Maio, chegou à cobertura do prédio.

Para ter acesso ao estabelecimento, quebrou as telhas e o forro de gesso. “Depois de um tempo, ele apareceu no telhado de novo, mas não desceu porque me viu. Ficou me olhando, até que eu disse: ‘você não vai sair daí e eu também não vou sair daqui’”, contou o vigia.

Em razão da represália, Abyner permaneceu no local durante toda a madrugada, quando, então, a polícia foi acionada. De acordo com o sargento PM Ademir Prudente, foi preciso usar uma escada para chegar até onde o ladrão estava. “Ele tinha entrado também em uma loja de móveis ao lado”, disse.

Na CPJ, o delegado plantonista Mário Henrique Ramos registou a ocorrência como furto qualificado. Segundo a Polícia Civil, Abyner seria recolhido ao CDP de Bauru ainda na tarde de ontem.

Prejuízo

O ladrão já havia separado moedas, cheques e uma sacola inteira de doces, retirados da lanchonete. Os produtos foram recuperados, mas o prejuízo da comerciante Ana Weiliu, 43 anos, será de R$ 500,00 para consertar o forro do estabelecimento. “Já fui furtada três vezes somente neste ano”, critica.

Gerente da loja de móveis, Nilson Buchi tentava entender por onde o ladrão havia entrado. “Não tem porta arrombada, danos no teto, nada. Mas ele esteve aqui, porque o caixa foi revirado e o alarme disparou”, observa.

Histórico

Com apenas 20 anos de idade, Abyner Teodoro, morador do Santa Edwirges, já foi preso três vezes por furto e cumpriu penas de 1 ano e 9 meses, cinco meses e três meses, respectivamente.

Em um dos casos, foi detido quando tentava furtar a casa de um policial militar, na Vila Santa Clara. “A equipe flagrou ele correndo pelo telhado, levando joias, dinheiro e uma TV de LED”, contou o sargento Prudente.

‘Não tenho nada a perder’

Enquanto aguardava para prestar depoimento na CPJ, Abyner Teodoro não demonstrava arrependimento e nem sequer estava preocupado em voltar para a prisão. Ele conversou com o JC e disse que comete furtos para sustentar o vício do crack e que “não tem nada a perder”.

Jornal da Cidade - Quando saiu da prisão? Você cometeu o furto à lanchonete?
Abyner Teodoro - Ontem à tarde. Sim, fui lá para furtar mesmo.

JC - Por que você furta?
Abyner - Pra comprar crack. Compro em qualquer ‘quebrada’. A coisa mais fácil que tem em Bauru é achar crack. Sou ‘nóia’ e não tenho nada a perder.

JC - Não se importa em voltar para a prisão agora?
Abyner - É ruim, mas não tem jeito. Afinal, não tenho família, não tenho nada.

JC - Não pensa em parar com a droga?
Abyner - Já tentei, mas é impossível. A droga me domina.

JC - Como vai ser agora na cadeia?
Abyner - Não vou ficar um mês preso, já que o advogado vai falar que sou usuário e vou acabar sendo solto. 

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