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Paschoalotto supera gigante Real Madrid e sai na frente na final do Mundial

Wagner Teodoro, Enviado Especial a SP
| Tempo de leitura: 6 min

Malavolta Jr.
O ala Alex teve atuação decisiva, especialmente no último quarto

Se, como Rafael Hettsheimeir definiu, era preciso fazer um jogo perfeito para vencer o Real Madrid, foi exatamente isso que ocorreu, nessa sexta-feira (25) à noite, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo.

O Paschoalotto/Bauru protagonizou mais um prodígio na história do esporte bauruense e derrotou o poderoso time espanhol por 91 a 90 no primeiro jogo da final do Mundial Interclubes. As equipes voltam a se enfrentar amanhã, às 12h, no mesmo local. Nova vitória dá o inédito título ao Paschoalotto. O regulamento prevê, em caso de um triunfo para cada equipe, que o campeão será conhecido no saldo de cestas.

O Real Madrid saiu na frente com cesta de Carroll. Hettsheimeir e Alex viraram. O ala e o pivô puxaram a pontuação do Paschoalotto no início do quarto e, quando Jefferson e Robert Day acertaram da linha dos três, o time bauruense abriu 14 a 10. Aproveitando-se de erros de Bauru, os espanhóis fizeram cinco pontos consecutivos, mas Alex, também de três, pôs o Paschoalotto novamente à frente. Depois de empate em 19 pontos, o Real Madrid, em tiro de três pontos de Rudy Fernández, fechou o quarto em 22 a 19.

Fotos: Malavolta Jr.
O Real Madrid saiu na frente com cesta de Carroll. E Hettsheimeir e Alex viraram

Paulinho Boracini virou em 23 a 22 para o Paschoalotto no início da segunda parcial. Bauru seguiu à frente até a metade do quarto. Sergio Rodríguez virou e Nocioni, em infiltração ampliou para 32 a 29. Muitos erros de ataque do Paschaolotto nos minutos finais do quarto custaram desvantagem de sete pontos no intervalo, 37 a 30.

No terceiro quarto, a distância chegou a ser de 17 pontos no momento de oscilação do Paschoalotto. Cestas de três de Day e Hettsheimeir diminuíram o prejuízo, mas os bauruenses seguiram inconstantes. Mas com aplicação e agressividade na defesa e melhor aproveitamento no ataque, o time tirou 11 pontos da desvantagem e entrou vivo no quarto final: 62 a 59.

Logo no início do último quarto, Léo Meindl, após boa roubada de bola, puxou contra-ataque e o Paschoalotto encostou. Meindl, mais uma vez ele, de três, colocou Bauru na frente, 67 a 66, a pouco mais de sete minutos do fim. No entanto, o Real Madrid respondeu com seis pontos seguidos, forçando o técnico Guerrinha a pedir tempo. O time reagiu bem e com muita intensidade, em cesta de Hettsheimeir, novamente ficou apenas um ponto atrás, a 1min11 do final.

Muita emoção e desfecho dramático. Alex empatou o jogo em 87 pontos em lances livres. O Real atacou com muita consciência e anotou dois pontos. Alex, mais uma vez, deixou tudo igual. Restavam 22 segundos de jogo e a posse era dos espanhóis. Falta em Felipe Reyes. O ala/pivô errou o primeiro lance livre e anotou o segundo. Um ponto atrás e sete segundos para mudar o final do jogo. Guerrinha pediu tempo. Infiltração de Ricardo Fischer e 91 a 90, a quatro segundos do fim. Llull tentou, a bola não caiu e estava sacramentada a histórica vitória.

Festa pelo resultado histórico e primeiro passo para título mundial do Paschoalotto

Malavolta Jr.
A torcida vibrou neste jogo acirrado e repleto de emoção
"Sonho realizado. Jogar de igual pra igual contra uma das melhores equipes do mundo",  Guerrinha, Treinador bauruense

Depois de uma noite mágica, com um resultado que desafiava a projeções, superando um dos melhores elencos do universo Fiba, jogadores e comissão técnica do Paschoalotto estavam radiantes junto com a torcida no Ibirapuera.

“Sonho realizado, apesar de ser um jogo só. Mas mostrou a força do basquetebol brasileiro. Jogar de igual para igual, decidindo nos últimos segundos contra uma das melhores equipes do mundo”, declarou o técnico Guerrinha.

“Quebramos o impacto de jogar contra o Real Madrid, conseguimos uma vitória. Temos que ganhar de novo, vamos trabalhar para construir nova vitória”, projeta o treinador em meio à comemoração.

O ala Gui Deodato, que voltou ao Bauru emprestado pelo Rio Claro para disputar a final e ter papel relevante, trazendo intensidade na marcação e ajudando a devolver a confiança ao time no terceiro quarto, viveu uma noite mágica. “É um sonho. Fiquei feliz pela oportunidade. Eu e o Guerrinha temos uma empatia muito grande. Ele sempre confiou eu mim. Entrei acreditando sempre, buscando defender, que é minha característica. Fui para cima, senti confiança. O importante é que está todo mundo bem, foi um passinho e domingo tem mais”, comenta. “É um momento mágico para minha vida, para Bauru e para o Brasil, se for campeão”, acrescenta.

O ala Alex, que foi fundamental nos momentos decisivos, chamando a responsabilidade para si nos instantes finais, analisou a virada histórica em cima do Real Madrid. “Foi uma grande vitória. Começamos o jogo bem e isso deu confiança ao time. Tivemos alguns erros que não podem acontecer. Começamos o terceiro quarto mal, eles converteram muitas bolas de três, mas a gente manteve o foco no jogo e no final, graças a Deus, deu muito certo”, relembrou a virada, após estar perdendo por 17 pontos.

Malavolta Jr.
Puxando a fila: a paixão pelo Real Madrid fez o espanhol Tiago Decarli ser o primeiro torcedor a chegar ao ginásio do Ibirapuera, nessa sexta-feira (25). Às 17h30, o fanático já estava na fila, no primeiro lugar, aguardando a abertura dos portões. Há dez anos no Brasil, natural de Madri, Decarli é fã inveterado de basquete e do time merengue e da seleção espanhola. Bem-humorado, Decarli ainda tirou onda. “Acho que o Bauru vai ganhar.”

A calma e o foco foram determinantes, segundo Alex, para transformar o improvável, em função da situação do jogo, em realidade. “Apesar de eles abrirem 17 pontos, mantivemos a calma. O Rafael (Hettsheimeir) converteu muitas boas de três, nos ajudou junto com o Léo (Meindl), Ricardo (Fischer) e Jefferson e voltamos para o jogo. No finalzinho eletrizante conquistamos a vitória”, celebra.

União

Guerrinha lembrou que a preparação não foi a ideal, por conta de desfalques ocasionados por lesão e convocação, mas a união do grupo foi crucial para a vitória. O treinador, além disso, ressaltou que os jogadores que vieram para reforçar o time já conheciam o elenco. “O Mineiro já estava jogando com o Ricardo (Fischer), o Léo (Meindl) e o Rafael (Hettsheimeir) no Pan. O Gui já é de casa, igual filho da gente. Mas a gente sabe que neste início de temporada, tanto nós quanto eles, vamos ter estes altos e baixos. Nós conseguimos superar. O Léo foi muito bem. O Alex voltou e definiu o jogo.”

Malavolta Jr.
Quatro integrantes da torcida do Paschoalotto/Bauru abriram imensa faixa com o Dragão dominando uma das curvas das arquibancadas

Marcando território

Duas horas antes da partida, ainda com o ginásio vazio, a Torcida Fúria já marcava o território bauruense no Ibirapuera. Quatro integrantes abriram imensa faixa com o Dragão dominando uma das curvas das arquibancadas superiores. A Loucos da Central também marcou presença no Ginásio.

Na torcida

Impossibilitado de jogar o Mundial por causa de cirurgia no olho esquerdo, Murilo viajou separado do elenco do Paschoalotto, de carro, com a esposa e a filha mais velha, para reforçar a torcida pelo título de Bauru no Ibirapuera. O jogador participou da preleção no vestiário com o elenco e assistiu à primeira partida da final com a família.

Prós e contras

O primeiro jogo da final do Mundial no Ibirapuera teve prós e contras. Boa organização na entrada dos torcedores no ginásio, distribuição ágil e eficaz de credenciais de imprensa. Banheiros limpos, ginásio bonito e bem conservado. Porém, boa parte da imprensa enfrentou problemas com acesso à internet em confusão de senhas e torcedores reclamaram de atraso e desencontro de informação sobre horário de abertura dos portões.

Confira o vídeo:

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