“Aqui não tem crise, graças a Deus”, garante o empresário Claudinho dos Churros, que tem a barraca do mesmo nome e faz um enorme sucesso na Praça da Paz. O sucesso é tanto que ele nem se deixa identificar pelo nome completo, mas sim pelo tipo de iguaria que ele oferece: churros. Ele sai do tradicional, com todos os tipos possíveis de recheios. Mas vale lembrar que não é o único a vender a iguaria no local. Se Claudinho está lá desde 1996, antes dele apareceu a primeira “barraquinha”. Na verdade, a do pioneiro, chamada “Oba-Oba”, que também faz esse tipo de sobremesa, antes só restrita aos parques de diversão ou exposições agropecuárias. O dono foi o primeiro a se estabelecer na praça e hoje há 12 trailers ocupando o local.
É sempre bom saber que churro é um alimento de origem ibérica, muito popular nos países latino-americanos. Este doce é preparado com massa a base de farinha de trigo e água, em formato cilíndrico e frito em óleo vegetal. Logo após, ele pode ser salpicado com uma camada de açúcar por fora (opcionalmente, também com canela). Ficou popular com a máquina que permite que seja feito rapidamente. E o recheio é dos mais variados.
Claudinho, por exemplo, tem uma dezena deles. E lança sempre novidades. Esta semana, por exemplo, lançou um novo recheio com marca de chocolate existente na praça. Essa variação também garante a fidelidade do consumidor. É preciso inovar sempre. Aliás, o doce de leite e os chocolates derretidos são um caso à parte no recheio destes doces. E uma verdadeira tentação para quem quer cortar calorias.
Muitas opções
Na área de salgados as tentações também não são poucas. Vão dos sanduíches às porções de batata frita e até pizzas. Marta Rego Tanure, 60 anos, está estabelecida na praça há 18. Com uma variedade de pizzas individuais no cardápio, dali ela tira o sustento da família. E faz coro com outros vendedores: por enquanto, não há crise que afaste o consumidor. Aqui um adendo: só há um jeito de o rendimento cair – o clima. Nos dias de frio e chuva, aí, sim, os clientes ficam retraídos. “Aí chateia”, diz Marta, para emendar: “Agora, tendo noite de calor, bom tempo, não, o movimento bomba mesmo”. E ela chega a vender 100 pizzas por noite.
Tradição
E tempo bom não faltou nos últimos dias. O calorão foi o que levou o casal Rafael Delgado Neto e Mírian dos Santos a passear com o filho Francisco, de 1 ano e meio. “Para se refrescar e se divertir à noite na praça”, diz a mãe. Mas os dois, pai e mãe, já são assíduos frequentadores da Praça da Paz. Casados há três anos, já vinham antes do casamento e passam para o filhinho a tradição. “Aqui é muito bom.”
Conta a história...
Se a tradição de “comida de rua” foi fortalecida nos anos 70 em Bauru, no começo da Nações Unidas, é bem verdade que, alguns anos mais tarde, com o prolongamento da Nações Unidas, as barraquinhas de lanches que ficavam em um larguinho, um triângulo, na confluência da avenida Rodrigues Alves e Nações Unidas, em frente ao edifício Brasil-Portugal (ponto de referência da cidade), foram transferidas para a área que seria o lanchódromo.
Instalado bem mais à frente, no lado direito da avenida, sentido cidade-rodovia Marechal Rondon, já próximo do Vitória Régia, o lanchódromo ainda está na memória de muitos. Idealizado nos anos80/ 90, acabou sendo fechado poucos anos depois. Não sem polêmica, denúncia de falta de higiene e até de usuários de drogas em suas dependências. Só que não acabou a paixão do bauruense pelos carrinhos de lanche. Tanto que agora, neste 2015, a Praça da Paz, que abrigava o maior conjunto de trailers, - são 12 ao todo - com todos os tipos de alimentos (batata frita, sanduíches, churros e até pizzas), já perdeu o posto de maior praça de alimentação a céu aberto da cidade. Um outro local surgiu: a Praça da Hípica. Lá, já há 20 trailers. E traz também, como a da Paz, uma série de atrações infantis, para entreter a garotada.
Com uma vantagem: facilidade para estacionar.