Bairros

Praça da Hípica: crescimento rápido

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 4 min

A prova de que ser vendedor de comida de rua é uma das profissões mais populares e em crescimento no mundo, especialmente em países em desenvolvimento, segundo Bianca Chaer, autora do livro “Comida de Rua”, está na Praça da Hípica. Em frente à Sociedade Hípica de Bauru, na avenida José Henrique Ferraz, região do Jardim Terra Branca, o local não tinha nada, era apenas um grande terreno baldio há  5 anos.

É uma área grande, quatro vezes maior do que a da Praça da Paz. Jaudir Agnaldo Pelão, 47 anos, foi o primeiro a ocupar o local. Conhecido como Alemão, ele já exercia uma atividade correlata. Era (e é ainda!) fabricante de trailer e carrinhos de lanche. Faz até hoje por encomenda. E já trabalhava no antigo aeroporto. Tinha experiência em fazer lanches.

Morador da região, Alemão, lembra com orgulho que “puxou a fila”. E se hoje a praça tem mais de 20 trailers devidamente instalados, ele não vê temor na concorrência. “Há lugar para muito mais, pode-se crescer ainda e o sol nasceu para todos.”

Alemão está bem satisfeito com o trabalho que, ao lado da esposa, Silvia de Camargo Pelão, garante seu ganha-pão e faz com que ele sirva de 40 a 50 lanches por noite.

O comerciante também valoriza o fato de que o ambiente na praça é “totalmente familiar”. “Não tem bagunça.” Enfatiza que o local é tranquilo, é muito bem frequentado, com muita gente nos finais de semana. “Aqui ninguém briga, todo mundo é da paz”, diz.

E se a ideia é ter uma alimentação rápida, barata e até mesmo regionalizada, não faltam opções.  Na praça são vendidas de comida chinesa a tapioca.

Oportunidade única
Luciana Batista, 33 anos, microempresária, é mãe de dois filhos. Um deles, Bryan Lucas, 8 anos, estava ao lado dela na praça. Além de se divertir, ele ajuda a mãe a cuidar do que é o “ganha-pão” da família.

É que há seis meses Luciana viu no local a oportunidade de empreender. Comprou um tobogã inflável. Nem pagou ainda, está na fase de recuperar o investimento e acha que ainda vai demorar de quatro a cinco meses para ter o brinquedo pago para, daí, sim, ter lucro.

O brinquedo foi a forma que ela encontrou de ficar perto dos filhos e, ao mesmo tempo, ter uma fonte de renda. Por cada sete minutos de permanência no brinquedo ela cobra R$ 3,00.

Todas as noites ela arma o tobogã, com a ajuda do marido, por volta das 18h e desarma por volta das 23h. Na mesma praça também está instalado um pula-pula, que é cobrado por tempo de permanência.

Para Luciana Batista administrar os brinquedos, ela conta com a ajuda de um outro morador da mesma vila, a Popular Ipiranga, bem próxima do local, enquanto o marido, que trabalha com eventos, festas infantis, em geral precisa se ausentar.

Parquinho e trenzinho
Mas para brincar não é preciso pagar. Como a área é grande, a prefeitura instalou um parque infantil no local. Há gangorras, escorregador, gira-gira de madeira e até balanços feitos a partir da reciclagem de pneus.

Rogério Carlos Scarel, 32 anos, morador do Jardim Estoril costuma levar as duas filhas, Bianca, de 4 anos, e Luana, de 11, para brincar na praça.

“É muito gostoso aqui. E olha que não moro tão perto. Quem dera eu tivesse algo assim na minha região. Aqui é muito bom. As meninas espairecem. Para a gente também é legal, dá para sentar, curtir a praça, a gente precisa disso. Deveria haver muitos outros. Os brinquedos de madeira são importantes também”, diz, no entanto, lamentando o vandalismo.

“Veja isto, não era para estar assim, madeira maciça é para o resto da vida”, diz apontando para um local já danificado.

Rogério Scarel poderia também ir à Praça da Paz, mas enaltece que na Hípica há uma outra vantagem: local fácil para estacionar. Além de ser também de fácil e rápido acesso. O ue também pensam outros frequentadores.


Segurança e limpeza são as preocupações

Apesar de ser ambiente familiar, alguns moradores da região da Praça da Paz se preocupam com a limpeza do local. Eles entendem que não há a devida preservação do local, e até mesmo no paisagismo. “Infelizmente, a população não colabora. As pessoas consomem e acabam jogando o lixo no chão” diz um morador. Outro defende que deveria haver uma associação dos 12 donos de trailers que tiram seu sustento do local. “Como condôminos, eles deveriam pagar as mudanças e melhorias, limpeza e reforma da praça pública, até mesmo mais segurança, porque não é justo para os moradores da praça, para nós, pela manhã encontrarmos o local detonado”,  justifica.

Entre as reivindicações, uma delas, a construção de um banheiro público para atender a clientela, encontra eco nos comerciantes. “Já tivemos uma ou duas reuniões com a prefeitura nesse sentido, mas as conversas ainda não avançaram”, diz Claudinho.

Hípica
Já na Praça da Hípica, há uma preocupação com vandalismo. Tanto que semana passada, quando a reportagem esteve lá, a “ponte pênsil” do parquinho de diversões estava com as madeirinhas detonadas. Um vandalismo sem o menor aproveitamento. Só o prazer de danificar o patrimônio público e atrapalhar o brinquedo das crianças. Por isso, uma das reivindicações do local é justamente que se tenha um segurança.

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