Esportes

Basquete: na torcida

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 5 min

Apesar da distância de 350 quilômetros que separa Bauru de São Paulo e da transmissão ao vivo das finais do Mundial pela TV, muitos torcedores bauruenses fizeram questão de comparecer ao Ibirapuera e apoiar o Paschoalotto diante do Real Madrid, além de presenciar o maior feito do esporte coletivo de Bauru na história.

As organizadas Loucos da Central e Fúria mandaram representantes, que colorem o ginásio com faixas e entoam seus tradicionais cantos de incentivo. Além deles, vários torcedores sem filiação à organizadas estão ao lado da equipe na Capital. As fileiras são engrossadas por paulistanos, que “adotam” o time, em um autêntico Brasil x Espanha.

A Loucos da Central compareceu ao primeiro jogo com um total de 17 integrantes. Hoje, serão 55 torcedores da organizada de olho em comemorar o título no tradicional ginásio paulistano. A maratona inclui dois “bate-volta”, um anteontem e outro hoje, com viagens de aproximadamente dez horas, contabilizando percurso de ida e volta. Hoje, a saída estava programada para 5h, com um ônibus lotado, além de carros.

Nenhum sacrifício é demais para a equipe, afirma Luan Prudente, presidente da Loucos da Central. “É loucura mesmo, a gente não mede esforço para torcer. Fomos para Mogi em um carro com cinco caras no banco de trás. Fomos ao Rio (final da Liga das Américas) com dois ônibus. Não tem essa, não tem preguiça. Nós não podemos falhar”, afirma.

O clima é de aproveitar o Mundial, sem pressão ou cobrança da equipe por título. “Vamos curtir o evento. O favoritismo é do Real Madrid, que é meu time, fora do Brasil, no futebol. Mas aqui dentro acabou, é Bauru e não tem essa”, garante Prudente. A falta de cobrança não significa falta de confiança na equipe. “Dá para acreditar, é claro que é possível ser campeão. Tomara que a bola de três do Robert Day caia, o Paulinho Boracini consiga infiltrar, o Ricardo Fischer consiga fazer as bolas de fora. Vamos acreditar. Estamos aqui para curtir o momento e acreditar em Bauru”, define.


Família e analista

O bauruense Ibrahim Cury e o filho paulistano Kauê Cury estavam com a camisa do Noroeste na entrada do ginásio Ibirapuera. Acompanhados do amigo Danilo Bazzo, analista de basquete como eles e bem humorados, foram torcer pelo Paschoalotto na final contra o Real Madrid. Ibrahim, em visita ao filho que mora na Capital, não perdeu a oportunidade de empurrar o Paschoaltto rumo à vitória. “Nos anos 70 vim estudar em São Paulo. Fiquei por aqui, tive um filho que é paulistano e retornei a Bauru depois de 35 anos. Mas neste período todo longe de Bauru nunca deixamos ser bauruenses”, declara. Hoje, Kauê vai ao ginásio sem o pai, que voltou para Bauru e acompanha a segunda partida da final pela TV. O torcedor valoriza o espetáculo e o feito do Pashoalotto estar em uma final de Mundial, independentemente de resultado. “É uma final muito difícil, já vi o Real Madrid jogar lá na Espanha, é um time muito bom, praticamente a seleção campeã europeia. Mas é muito bom ver a garra de nossos jogadores contra a técnica dos caras. A gente está em casa, tem que ir para cima”, comenta. O analista Bazzo enaltece a presença brasileira pela terceira vez consecutiva em uma final do Intercontinental – no ano passado, o Flamengo foi campeão e, no anterior, o Pinheiros ficou com o vice. “O mais legal de tudo é que o basquete brasileiro está começando a ter uma evolução maior. O vôlei passou o basquete, que agora está tentando retomar o espaço dele como segundo esporte do País. Isso aqui (Mundial) reflete isso”, considera o torcedor, que é de São Paulo, mas já foi a Bauru acompanhar jogos do Paschoalotto no Panela de Pressão. O basquete bauruense, aliás, é fator de união em termos de torcida entre os três. No futebol é cada um por si. Kauê é são-paulino, Ibrahim, santista e Bazzo, palmeirense.


Larry pé-quente

Mesmo fora de quadra, o ala/armador Larry Taylor, maior ídolo da torcida de basquete bauruense, mostrou que é pé-quente. Presente no Ibirapuera, o jogador, que hoje defende o Mogi das Cruzes, foi ovacionado pelos torcedores nas arquibancadas e assistiu a sua “ex e eterna” equipe conseguir um feito histórico ao derrotar o Real Madrid no primeiro jogo da final do Mundial. A Torcida Loucos da Central levou o tradicional bandeirão estampado com a imagem de Larry.


Presenças ilustres

Não só Larry Taylor marcou presença no primeiro jogo da final. A constelação de estrelas do basquete nacional foi grande no Ibirapuera. A começar por uma dupla que deu extrema alegria aos torcedores brasileiros. Magic Paula e a Rainha Hortência vibraram com a vitória espetacular do Paschoalotto. A armadora Helen e a pivô Alessandra, dois outros grande nomes do basquete feminino, também estavam no ginásio. Além delas, Oscar Schimdt, o “Mão Santa”, e Guilherme Giovanonni levaram boas vibrações ao time de Bauru.


Alex e amigos

O empresário Gabriel Guimarães, ex-diretor da equipe do Ribeirão Preto, acompanhou o Mundial no ginásio do Ibirapuera. Amigo de Guerrinha, que começou a carreira de treinador na equipe de Ribeirão, e com relação próxima a Alex e Rafael Hettsheimeir, Guimarães revela que pretende organizar um jogo festivo, lembrando o último título do Ribeirão Preto, o Paulista em 2005. “A ideia é fazer um ‘jogo da saudade’ e resgatar a memória do que foi o trabalho em Ribeirão Preto, com cinco títulos paulistas e título brasileiro”, declara. O ala/armador Alex, maior revelação do Ribeirão, seria destaque no jogo, com times que teriam também o armador Nezinho, os alas Arthur e Renato, entre outros.


Movidos a universitário

A vitória do Paschoalotto sobre o Real Madrid começou a ser construída ainda no hotel. Os jogadores assistiram a um vídeo motivacional e houve preleção de Guerrinha. Logo após, os jogadores se reuniram e Ricardo Fischer falou. “Vamos lá, é o jogo de nossas vidas. Estamos em casa, vamos mostrar para o mundo quem é o Bauru”, foram as palavras. O clima era ótimo e a confiança grande. O time percorreu os cerca de dois quilômetros até o ginásio em grande animação e ao som de sertanejo universitário.


Fúria

Os espanhóis do Real Madrid fizeram jus ao apelido de sua seleção de futebol, Fúria, logo após a derrota para o Paschoalotto no primeiro jogo do Mundial. Nervosos, integrantes da equipe descontaram a frustração pelo revés na porta do vestiário merengue, que foi quebrada. A organização providenciou o conserto rápido dos estragos.

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