| João Rosan |
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| Ontem à noite, muitos foram ao Observatório da Unesp para ver a superlua |
O fenômeno, visto pela última vez há 33 anos, era bastante aguardado, mas o temporal que atingiu Bauru na noite de ontem frustrou a observação do eclipse completo da superlua. O espetáculo, que “pintaria” de vermelho o satélite natural da Terra, teve início por volta das 22h07, exatamente no horário em que a chuva forte começou (leia mais na página 8).
As centenas de pessoas que esperavam ansiosas pelo eclipse no Observatório de Astronomia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru se viram obrigadas a voltar para casa. Elas só terão uma nova oportunidade de apreciar o evento em 2033.
Entre as pessoas que participaram das atividades realizadas no observatório, estava o casal Gina Leão Caldeira, 42 anos, e Elker Savi, 41 anos, que havia levado a neta Giovanna Leão Quinhoneiro para observar o fenômeno pelo telescópio. “Ela sempre me faz um monte de questionamentos sobre os astros e, hoje (ontem), pôde perguntar diretamente para quem entende”, comenta Gina.
Visitante assídua do local, Giovanna contou ser uma pessoa “curiosa” e que, além de estar ansiosa para ver o eclipse, previsto para chegar à sua totalidade às 23h11, tinha a intenção de descobrir se seres extraterrestres existem. “É estranho haver quase dez mil planetas e ninguém morar neles, só na Terra”, argumenta.
Ao contrário da pequena, Renan Augusto de Moraes, 9 anos, observou a Lua por meio de um telescópio pela primeira vez, ontem, quando o eclipse ainda não havia começado. Mesmo assim, o garoto fez questão de registrar, em seu celular, a imagem que surgia na lente do equipamento.
Em tempos de popularização das tecnologias digitais, o procedimento foi repetido por boa parte dos visitantes que enfrentaram fila para a observação. Renan, contudo, tinha um motivo extra. “A professora falou que vai cair na prova, então, resolvi vir. E achei super da hora ver a Lua tão de perto”, comenta ele, que mora em Pederneiras e veio a Bauru acompanhado da avó, Lúcia Tozzi, 55 anos.
A cobrança da professora tinha um motivo especial. O eclipse completo da superlua é um fenômeno raro, que aconteceu somente cinco vezes no último século, sendo o último em 1982, segundo a Nasa.
O fenômeno
O espetáculo ocorre quando a Terra se interpõe entre o Sol e a Lua, projetando sua sombra sobre o satélite natural. O que o torna tão especial é o fato de esta configuração ocorrer simultaneamente ao perigeu, momento em que a Lua está mais perto da Terra, já que sua órbita é ligeiramente elíptica.
Por conta desta proximidade, o satélite fica 30% mais brilhante e 14% maior do que quando visualizado em condições normais. Embora tenha sido “escondido” pelas nuvens, o eclipse teve início às 21h11 (horário de Brasília), quando a Lua começou a avançar sob a penumbra da Terra. O fenômeno em si, contudo, só começou a partir das 22h07, quando a sombra da Terra passou a escurecer gradualmente o satélite, que foi totalmente encoberto às 23h11. A previsão era de que o fenômeno se encerrasse à 1h27 de hoje.
‘Lua de sangue’
A “Lua de sangue” ou “Lua sangrenta” ocorre devido ao fenômeno de refração dos raios solares que atravessam a atmosfera. Os únicos que conseguem se “infiltrar” são os vermelhos, que iluminariam a superfície lunar durante o eclipse, dando a impressão de que o satélite foi colorido. Trata-se do mesmo processo que também torna o nascer e o pôr-do-sol avermelhados.
