Bairros

Milhares reclamam de apagão por até 24 horas em Bauru

Cinthia Milanez e Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 6 min

Quioshi Goto
Antônio usou luminária para ‘driblar’ escuro de mais de 20 horas

Rajadas de vento de até 70 quilômetros por hora e chuva de 19,3 milímetros, no último domingo (27), bastaram para deixar Bauru “no escuro”. Fora os estragos, cerca de 4.500 imóveis (considerando uma média de quatro moradores por residência, são 18 mil afetados), segundo a CPFL Paulista, ficaram sem energia elétrica. Em alguns locais, o problema persistia até as 22h dessa segunda-feira (28), 24 horas após o temporal. O apagão é semelhante ao registrado em maio, que afetou 4.387 ligações.

Na  chuva deste fim de semana, no Parque das Camélias, inclusive, um aparelho de televisão chegou a pegar fogo e as chamas tomaram conta de parte de uma república estudantil. Por sorte, ninguém se feriu. Na ocasião, três alunos da Unesp de Bauru, que não quiseram ser identificados, dormiam. Eles acreditam que a oscilação de energia elétrica pode ter causado o curto-circuito no equipamento, que já tinha quase duas décadas de uso.

Alex Mita
Enquanto jovens dormiam, televisor pegou fogo no Camélias

Os jovens só acordaram depois que um vizinho começou a gritar ao ver a fumaça. Em seguida, um deles acionou o Corpo de Bombeiros enquanto os demais utilizavam o extintor de incêndio do próprio prédio para conter as chamas. Deu certo, pois a corporação chegou e o fogo já havia sido apagado. Os estudantes, então, foram encaminhados ao Pronto-Socorro Central (PSC) por uma Unidade de Resgate (UR). Eles inalaram bastante fumaça, mas passaram por atendimento e já estão bem.

Além dos alunos da Unesp, diversos moradores de Bauru sofreram com a queda de energia elétrica, como na quadra 2 da rua Pará, na Vila Cardia; na rua dos Lavradores, no Núcleo Gasparini; na rua Azarias Leite, no Centro; na região do Jardim TV e do Jardim América. Inclusive, a Escola Estadual Professora Iracema de Castro Amarante, no Jardim Gerson França, teve as aulas suspensas nessa segunda por causa do problema.

Vizinha da instituição de ensino, a aposentada Neida Colaço de Souza, 66 anos, estava “no escuro” desde as 22h de anteontem. Ela mora na quadra 4 da rua Darwin Jesus Bordin e ficou preocupada ao ver um fio solto de um poste de energia em plena via. O aposentado Sinval Andrade, 65 anos, que mora ao lado de Neida, afirma que não é a primeira vez que fica “no escuro” por tanto tempo e reclama da dificuldade de acionar a CPFL. “Só dá ocupado”, diz.

Já na quadra 1 da avenida Rosa Malandrino Mondelli, no Jardim Mendonça, o projetista Daniel Augusto Santos, 21 anos, ficou sem energia elétrica em casa por 12 horas. Lá, o serviço foi restabelecido às 10h30 de segunda. Outro problema preocupante está na quadra 4 da alameda das Açucenas, no Alto Sumaré (região do Vista Alegre). Três fios se soltaram dos postes e estão expostos em plena via pública.

O recepcionista Antônio Aparecido de Castro Pereira, 53 anos, que mora na alameda das Verbenas, a poucos metros do local, resolveu improvisar e cercou os fios expostos com pedaços de madeira para evitar acidentes. Sem energia até ontem à noite, ele teve que apelar para uma luminária a bateria. “A gente tem que se virar como pode. Conheço uma mulher que faz hemodiálise e depende da energia”, desabafa.

Até 24 horas

O JC recebeu inúmeras reclamações de moradores de diversos bairro que ficaram mais de 20 horas “no escuro”. No Jardim Panorama, parte da população permanecia sem energia até 22h dessa segunda-feira (28), ou seja, 24 horas após o problema.

Proprietário de uma padaria na quadra 1 da rua Alexandre Inácio Nasrala, no Jardim América, Ricardo da Silva Blini perdeu mais de 2 mil pães, doces e sorvetes, além do prejuízo de não abrir o estabelecimento. “Perdi o convênio com uma escola”, lamenta.

Até o final da tarde do mesmo dia um condomínio no Jardim Marabá, onde vivem 80 famílias, ainda estava sem energia. Outros bairros enfrentaram a mesma situação: Pousada da Esperança, Altos da Cidade e Bauru 2.000.

No cruzamento das ruas José Chaves de França com a Bernardino de Campos, postes foram instalados em ruas asfaltadas recentemente. No entanto, não foram feitas calçadas e uma erosão ameaça toda estrutura de iluminação.  

PROTESTO

A falta de energia causou até um rápido protesto na rotatória da Comendador José da Silva Martha com a José Vicente Aielo, na noite dessa segunda.

E a insatisfação nos serviços prestados pela CPFL não é apenas dentro das casas. Tanto que até a prefeitura acionou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) por conta dos problemas na iluminação pública do município, conforme o JC divulgou na segunda em ampla matéria.

Outro lado

Em nota, a CPFL Paulista esclarece que a situação climática registrada foi totalmente atípica e trabalha sem interrupções para que o fornecimento de energia elétrica seja retomado o mais breve possível. A previsão era de que o trabalho de reconstrução da rede elétrica fosse estendido até a noite dessa segunda. A companhia, entretanto, não detalhou as causas dos apagões que ocorreram no vários bairros da cidade e nem precisou, com exatidão, quando a energia seria totalmente reestabelecida nestes locais.  

Aceituno Jr.
Na Vila Independência, árvore de 10 metros caiu em portão

Tibiriçá

No Distrito de Tibiriçá, ao menos 150 propriedades rurais ficaram sem energia por, ao menos, 20 horas, conforme relata o produtor rural Luiz Teixeira. Até as 19h de ontem, o problema não havia sido solucionado. “Se a energia não voltar logo, vou perder cinco freezers com 800 quilos de mandioca. Um prejuízo de mais de R$ 2 mil”, critica.

Vai chover

De acordo com o IPMet da Unesp, uma frente fria mantém a nebulosidade em Bauru durante toda a semana. Hoje, a previsão é de pancadas de chuva à tarde. “Nos outros dias, as chuvas ocorrem com mais frequência”, pontua a meteorologista Rita Cerqueira Lopes. A temperatura máxima hoje deve ficar nos 29 graus, enquanto a mínima prevista é de 17 graus.

Quedas de árvores, outdoor e casas destelhadas 

O município também sofreu com a queda de árvores e o destelhamento de casas. Um eucalipto caiu sobre os trilhos da linha férrea, localizada nas proximidades da quadra 10 da rua Sorocabana, Vila Santa Clara, e outro obstruiu a via em si. Nessa segunda (28) pela manhã, as árvores já haviam sido retiradas. Poucos metros adiante, na quadra 11 da rua Célio Daibem, outras árvores caíram e chegaram a obstruir as calçadas.

Alex Mita
300 metros do alambrado que cerca o Aeroclube foram derrubados

Na quadra 3 da rua Américo Bertone, no Jardim Vânia Maria, uma árvore caiu e interditou a rua. Já na quadra 10 da avenida Getúlio Vargas, um outdoor foi levado pelo vento e chegou a derrubar aproximadamente 300 metros de alambrado que cerca o Aeroclube de Bauru. Na quadra 4 da avenida Manoel Duque, no Jardim Guadalajara, um ipê de cerca de 10 metros, que fica em um terreno baldio, caiu e outro ficou comprometido.

No quarteirão 5 da rua Luiz Gama, Vila Independência, uma árvore de cerca de 10 metros foi arrancada com raiz e tudo pelos ventos e caiu sobre o portão de uma residência. Por conta da demanda, a equipe dos bombeiros foi até o local já no início da noite de ontem e, por estar escuro, não foi possível realizar a retirada da árvore, serviço que deve ser executado ainda nesta terça-feira (29).

Além disso, conforme informações do coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, uma casa foi parcialmente destelhada, na região do Jardim Manchester. O órgão forneceu lonas para cobrir a parte exposta e os moradores chegaram a perder alguns alimentos, mas já estão sendo atendidos por uma equipe da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes).

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