| Quioshi Goto |
![]() |
| Treinador considera que Mundial e amistosos da NBA (onde o pivô Rafael Mineiro também deverá atuar) farão time bauruense evoluir: “A tendência é evoluir muito” |
Depois do vice-campeonato mundial de clubes, com direito a uma histórica vitória sobre o poderoso Real Madrid, no último final de semana, o técnico do Paschoalotto/Bauru, Guerrinha, analisa a repercussão do resultado no projeto do basquete na cidade e faz uma projeção para o restante da temporada sobre as competições, amistosos na NBA e elenco do time bauruense. Confira os principais trechos da entrevista ao Jornal da Cidade:
JC – O que representa o Mundial no projeto do Paschoalotto/Bauru?
Guerrinha – Acho que é o topo mesmo, a cerejinha do bolo. E temos ainda os dois da NBA, que é outro mundo fantástico. Eles estarem recebendo uma equipe na casa deles. A quadra do New York Knicks (Madison Square Garden) é o templo do basquete americano e vamos jogar lá. Imagina o que é isso? É tão ou maior do que o feito de jogar o Mundial. Isso é reconhecimento e resultado de muito trabalho, dedicação e do que falo para os jogadores, muita entrega, em cada coisa que a gente faz. Profissionalmente, quando está em uma final com o Real Madrid no Ibirapuera, você está checando, avaliando, em que nível está profissionalmente. Isso de emocional, maturidade, competência, conteúdo... Você está exposto. Imagina se faz qualquer coisa errada? Não tem como se defender. Conseguimos jogar em um nível altíssimo. Eu tive uma estatística interessante: de 80 minutos, que são os dois jogos, 40 cada um, em 70 minutos, o placar ficou 157 para o Real Madrid a 155 para Bauru. Em dez minutos, eles ganharam 11 pontos. Isso na somatória. O segundo jogo, por exemplo, perdemos nos primeiros cinco minutos. Foi decisivo o placar de 12 a 0 diante de um Real Madrid. Mas as coisas não aconteceram... A gente sabe que o Real Madrid em tudo é mais forte do que nossa equipe, desde o clube, a cidade, a estrutura, os jogadores, o campeonato que disputam de clubes. Eles jogam partida todo dia neste nível. Nós jogamos muito pouco neste nível no Brasil. E estas dificuldades fazem você ficar melhor. Depois destes dois jogos e dos amistosos na NBA, vamos passar por um processo e a tendência é evoluir muito.
JC – Contra o Real, o Paschoalotto jogou de igual para igual. NBA é outro mundo, mas você acredita em equilibrar os jogos? Ou vale mesmo é pelo evento?
Guerrinha – Não tenha nem dúvida que já vale pelo evento. Momentaneamente, a gente não tem noção do significado para a equipe participar disso. É outro mundo mesmo. São 48 minutos, eles são muito mais fortes fisicamente do que o Real Madrid, que é um time que joga taticamente. Basquete Fiba joga muito tático, controle da bola. NBA é um jogo mais físico, um contra um, regras diferentes, até pedido de tempo, você pode fazer seis faltas, a marcação de quadra é outra, de linha, os três pontos são mais longe, bola diferente... Vamos ter de nos adaptar a tudo isso em três dias para jogar. Não tem como simular tudo isso na Panela de Pressão. Tem que ter experiência de adaptação e maturidade muito grande e nosso time tem isso. Todo tipo de dificuldade agrega valores profissionalmente.
JC – Voltando da NBA, tem o restante do playoff do Campeonato Paulista, o NBB e a Liga das Américas. No Paulista, a série está 2 a 0 para Mogi. O time vai estar voltando de viagem, cansado...
Guerrinha – Não. Queremos o quinto jogo em Mogi. Vamos para o quinto jogo e decidir. Temos time para isso.
JC – O Murilo volta?
Guerrinha – Possivelmente. Mas quanto tempo ele estará parado? Ninguém volta e entra jogando. Tem que entrar no ônibus e sentar no banco de trás, não dá para sentar na janelinha da frente. Existe um tempo físico, tático, técnico. Este tipo de coisa nos atrapalhou muito. Tem muita gente que foca em dois meses de férias e isso e aquilo. Ninguém tem conhecimento de que foi tudo planejado, com exames clínicos. Para saber que tipo de férias teríamos. O Alex é um jogador de 35 anos que nunca tinha tido o tempo ideal de descanso, porque sempre vai para a seleção brasileira. Terminamos o ano passado com 84 jogos. A gente sabia que iria perder muita coisa no início da temporada, mas temos compromissos que são Mundial, amistosos na NBA, Liga das Américas e NBB. Não é que o Paulista não seja importante, mas o regional nunca é mais importante do que o nacional. Nacional nunca é mais importante do que um compromisso internacional. Não dá para manter o time dez meses no pique. Era para ter voltado todos os jogadores no final do primeiro turno do Paulista. Porém, tivemos intercorrências. O problema no joelho do Alex, por causa do qual o perdermos por três semanas para tratar. O Murilo já está há duas, três semanas e vai mais três semanas parado. Ninguém volta a jogar no mesmo nível rápido. A gente acredita que o Murilo vai estar na melhor forma no final do primeiro turno (NBB). O Jefferson ficou sete meses parado. O que ele fez nos jogos do Mogi e do Real foi fora de humano. Ele não está com nem 40% do jogo dele. O Wesley está em evolução, não podemos acelerar o processo e queimá-lo. O Jefferson voltando de contusão... Como iríamos disputar o Mundial só com o Rafael Hettsheimeir de pivô? Até a pedido dos próprios jogadores, em comum entendimento com a gente, trouxemos o Rafael Mineiro e o Gui para ajudar. E ajudaram muito.
JC – E existe a possibilidade do Rafael Mineiro ser contratado em definitivo?
Guerrinha – Estamos torcendo para Limeira continuar como um todo, porque é importante para o basquete. Nós convidamos o Mineiro para ir para os amistosos da NBA, porque precisamos. O Murilo não pode viajar. Para jogar a NBA, que é muito mais forte fisicamente, o Mineiro tem que ir. Ele aceitou e a parte burocrática está sendo resolvida. Daí para ele ficar no nosso time depende de muitas coisas. Nós gostaríamos. Hoje, no nível de exigência que estamos jogando, precisamos de mais gente no elenco.
JC – Derick Ramos é um nome que interessa?
Guerinha – Não. Nunca foi. Temos o Ricardo Fischer no melhor momento da carreira dele. O Paulinho Boracini. Onde colocaríamos o Derick Ramos aí, como terceiro armador? Não temos estrutura financeira para isso. Hoje a necessidade nossa é pivô. O Rafael Mineiro se puder... Porque pivô é igual sal e açúcar em casa, sempre é bom ter mais um pouquinho. Caso a vinda do Mineiro dê certo, ótimo. Mas precisa ver, tem o Flamengo louco atrás dele. Temos que achar um patrocínio extra, alguma coisa para ele vir.
JC – David Jackson é outro nome cogitado...
Guerrinha – Também não. Não sei de onde as pessoas tiram isso. Não temos espaço na folha salarial. É fácil falar. Temos o Alex, o Léo Meindl e o Robert Day para a posição. E o quarto jogador nesta função são meninos que estamos trabalhando, o Léo Eltink, o Gabriel. Esta é a filosofia do time. Não tem onde colocar. É a mesma coisa que o seu vizinho se separar da mulher. Você vai levar a cama de casal dele e colocar no seu quarto? Ficar duas camas de casal no quarto? Não existe isso.
JC – E o Rafael Hettsheimeir vai para a Espanha?
Guerrinha – Ele tem quatro anos de contrato em Bauru e está no segundo ano. No contrato dele, só caso tenha uma proposta de ir para NBA está liberado.
JC – Mas existe uma multa?
Guerrinha – Se a gente aceitar. Ele tem contrato aqui.
JC – A ideia, então, é não liberar?
Guerrinha – Não liberar. Com o dólar a R$ 4,00, vamos por quem no lugar? Para a NBA, sim.
JC – O Rodrigo Paschoalotto admite que tem obsessão pelo título do NBB. É a prioridade?
Guerrinha – Não, a minha prioridade é trabalhar todos os dias da mesma forma. Não importa se é Paulista, NBB, Liga das Américas ou Mundial, você vai me ver na quadra fazendo 100% do que posso. Agora, que falta o título do NBB, falta. É mais legal ganhar o NBB do que o Paulista? Com certeza. Nós temos condição de ganhar o NBB? Sim. O Flamengo e o Mogi também têm. E Limeira, com a continuidade, também tem. Tudo pode acontecer. Em nenhum momento deixei de colocar um jogador em quadra no Paulista que tivesse condições. Tudo foi por causa da parte médica, física. Não posso ser irresponsável como técnico de colocar um jogador que não está liberado. Acho que as pessoas deveriam curtir mais o time, ao invés de ficar especulando. Os torcedores, os oportunistas de plantão da internet deveriam curtir o que o Paschoalotto/Bauru oferece. Quantas cidades do Interior fizeram a final do Mundial e da forma que fizemos?
JC – E tem a Liga das Américas, onde Bauru defende o título...
Guerrinha – É uma competição diferente do NBB. São quatro quadrangulares e tem situações. Você pega um quadrangular em uma cidade no México, com uma equipe mexicana, uma argentina e uma porto-riquenha. Em um empate de pontuação, um jogador que não pode atuar, você pode ficar de fora. É igual Copa do Mundo de futebol. No NBB você tem tempo de recuperação. Temos ambição e condição de almejar o primeiro lugar em todos os campeonatos que disputarmos, mas existem outras equipes trabalhando bem.
