| Quioshi Goto |
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| Com tanta chuva em setembro, Lagoa do Rio Batalha estava com nível recomendado e comportas abertas |
Um ano após o primeiro anúncio de racionamento de água em Bauru, a cidade já registra o setembro mais chuvoso dos últimos 15 anos, segundo dados do Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet) da Unesp. O volume acumulado até essa terça-feira (29) era de 200,9 milímetros, o maior contabilizado desde que o órgão iniciou as medições em 2001.
O recorde teve ajuda de quatro temporais que atingiram o município somente neste mês: dias 8, 10, 25 e 27. Este último responsável por deixar milhares de imóveis sem energia por dezenas de horas. Essas chuvas fizeram com que o recorde anterior para setembro fosse superado em 60,72%. A índice mais alto havia sido registrado em 2014, com 125 milímetros.
Para se ter uma ideia, somente na última sexta, a precipitação foi de 68,3 milímetros. A meteorologista do IPMet Rita Cerqueira Lopes explica que setembro é um mês com muita variação climática em razão da transição entre o período seco do inverno e o chuvoso da primavera/verão “Não há uma regra entre um ano e outro”, ressalta.
Ela observa, no entanto, que 2015 foi atípico e com poucos registros de temperaturas baixas. “Tivemos um ano quente e, recentemente, muitas frentes frias, responsáveis por trazer bastante chuva nesse mês. Tudo indica que outubro será ainda mais chuvoso”, acrescenta a meteorologista.
Por conta das chuvas, a Lagoa de Captação do Rio Batalha, responsável por abastecer 130 mil bauruenses, estava com farta quantidade de água – mantendo a marca recomendada de 2,60 metros e as comportas abertas.
No ano passado, o nível chegou a apenas 1 metro e forçou o Departamento de Água e Esgoto (DAE) a decretar, no dia 20 de setembro, sistema de rodízio nos 92 bairros que são abastecidos pelo manancial, suspenso após cinco dias.
Em 15 de outubro, a medida foi tomada novamente pela autarquia e se estendeu por quase dois meses, quando, então, foi anunciado o fim do rodízio, no dia 13 de dezembro.
Incomum
O clima, de fato, tem sido incomum neste ano. Conforme o JC divulgou, julho foi o mais chuvoso dos últimos cinco anos, contrariando uma das regras básicas do inverno: período caracterizado por frio e estiagem. Na primeira semana julina, a chuva acumulada já era de 42,9 milímetros, 19% maior do que a média desde 2010.
Com temperatura média de 22,5 graus, o mês de agosto de 2015 foi o mais quente dos últimos 15 anos. Na ocasião, o IPMet atribuiu o forte calor à atuação de massas de ar mais seco somadas aos diversos bloqueios de entradas de frentes frias no Estado de São Paulo, que refletiram em Bauru.
Calor no inverno
Em pleno inverno, no dia 1 deste mês, os termômetros do IPMet marcaram 34,9 graus na cidade, o segundo dia mais quente do ano até essa data, perdendo apenas para o início do verão em janeiro, quando foram registrados apenas 2,1 graus a mais.
Chuva até sábado
De acordo com o IPMet da Unesp, uma frente fria deixa o tempo chuvoso até sábado em Bauru. No domingo, segundo a meteorologista Rita Cerqueira Lopes, a probabilidade de chuva é mínima. “São pancadas de chuva que devem ocorrer mais no período da tarde”, observa.
A temperatura máxima para esta quarta-feira (30) deve ficar na casa dos 30 graus, enquanto a mínima prevista é de 20 graus.
