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O paladino da paz

Valmor Bolan
| Tempo de leitura: 2 min

A viagem do papa Francisco a Cuba e aos Estados Unidos certamente é histórica, por ser a do primeiro papa latino-americano a visitar a ilha, que vive o regime castrista desde 1959. Fidel Castro presenteou Francisco com o livro de Frei Betto, publicado em 1986, aonde Fidel discorre sobre o que pensa a respeito da religião. É interessante observar a aproximação de Fidel com a Igreja, mesmo em Cuba essa aproximação foi sendo crescente, pois mesmo sendo marxista, Fidel reconhece a importância da Igreja como instituição com força de mobilização social.


O fato de Francisco ter se empenhado e contribuído pelo fim do embargo imposto a Cuba pelos Estados Unidos, deu mais relevo à visita do papa não apenas como chefe religioso, mas como líder político. O papa apostou alto nessa negociação, porque compreende que o pouco cubano já sofreu muito com as consequências do embargo, e conseguiu com o governo Obama melhores conversações para virar a página em relação a essa questão. A sua encíclica ecológica também agradou a Obama e a ONU, e muitos o consideram um nome forte para o Nobel da Paz desse ano.


O papa Francisco parece mesmo se preocupar com pessoas e não tanto com ideologias, por isso causa, às vezes, um certo desconforto à direita quanto à esquerda. É que ele dá a entender que não divide o mundo em categorias reducionistas, pois a realidade inclusive política é muito mais complexa, e sabe que é preciso acima de tudo evangelizar, num mundo cada vez mais plural, por isso, dialoga com facilidade com todos. Ele próprio declarou numa de suas entrevistas que nunca foi de direita, mas não podemos também rotulá-lo de esquerda, simplesmente porque conversa com lideranças da esquerda. O papa, nesse sentido, está acima de qualquer classificação. Ele é mais pastoral.


É disso que Francisco parece mesmo se preocupar, com a pastoralidade, a aproximação com as pessoas, de estar perto de tudo e de todos, sem formalidades, e procurar resolver os problemas, simplificando as coisas. É assim que ele cativa as pessoas, especialmente nesta sua viagem de volta à América. Chega aos Estados Unidos com a sua mensagem em defesa da “casa comum”, apresentada em sua encíclica Laudato Si. Pode ser que consiga o Nobel da Paz, tem trabalho feito para isso, e certamente é hoje uma das personalidades mais influentes, sem medir esforços pela paz.


O autor é doutor em Sociologia e Especialista em Gestão Universitária

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