Tribuna do Leitor

Depois há quem chore

Leonardo A. Vanzelli
| Tempo de leitura: 3 min

Somos o que somos e nada além daquilo que escolhemos ser. Assim, com mais tempo ou menos tempo nossas atitudes refletirão cedo ou tarde no resgate daquilo que semeamos. Podemos por escolha, ser melhor que outrora ou simplesmente nos contentarmos com aquilo que já nos tornamos, aperfeiçoando ora para o bem, ou se achar necessário para a concreta maldade. Cabe a cada um decidir o que fazer. Não há meio termo. Todos os dias quando acordamos temos opções em nossas “mãos”.


Se podemos escolher por julgar, criticar e prejudicar as pessoas a nossa volta, podemos então tentar por escolha ou por tentativa fazer, exercitar a arte de fazer o bem. E aí, o que vai ser? Se as pessoas gastam suas energias para prejudicar de forma consciente as pessoas à sua volta, o que essas não fariam caso desprendessem de si tal força para “contaminar” o seu meio com positividade? Ser feliz causando mal a outras pessoas! Qual a essência dessa felicidade?

Qual é o objetivo de construir algo bom para si e destruir ou frustrar as expectativas de outros? Então é assim, para um sorrir outro tem que chorar. Enquanto há pessoas sorrindo pela sua falsa conquista, outro ao seu lado tem que sustentar sua dor de derrota e conviver com a felicidade irônica do “vencedor”. Até que ponto a felicidade de uns invade o bem estar de outros? Não é possível conciliar tudo isso num mesmo contexto? Quantas perguntas! Tantas perguntas e tão poucas respostas, ou melhor, tantas justificativas para a maldade camuflada de “necessidade” ou de uma tal ação-reação incoerente, pura banalidade. Onde caminhamos, por onde caminhamos?


Quão difícil é aceitar tanta injustiça e tanta incoerência dentro de uma esfera física. Materialidade sendo desprovida de espiritualidade. Quantos não(s) para se ter um meio sim. Viver sendo aquilo que deseja ser é muito sacrificante.

Ser correto não é lucrativo, mas ser mal não é correto. Então? O que nos resta é viver no meio termo. Ser meio a meio, hora cá, hora pra lá. Não correr demais, mas também não ser tão lento. Faça o que é “certo”, mas não faça em excesso, pois senão será confundido com prepotência.


Estude bastante, mas para se manter em equilíbrio evite o excesso. Seja inteligente, mas seja sábio para se fazer de tolo aos que se julgam inteligentes pela prática, não pela experiência. Ouça mais, fale menos, mas se faça de surdo em meio a tanta tolice emitida por bocas cheias que são sustentadas por “cabeças-vazias”. Não se cale em meio à indignação, mas esteja preparado para aguentar as consequências de sua estupidez. Cale-se! Não fale o que não querem ouvir.


Fale aquilo que você não quer dizer para poder agradar o ego de pessoas sociavelmente brilhantes. Viva sua própria frustração para poder agradar o meio social no qual você está inserido, afinal é um favor que você faz a uma sociedade que presta tantos favores a você. E não adianta reclamar a própria sorte, pois... existem pessoas em situações piores do que a sua. Agradeça! Não se esqueça de ser grato por tanta incoerência. Quanto mais grato você for, mais tranquilo você se tornará e assim não terá motivos para contestar tanta maldade disfarçada de reação das suas próprias ações. Semeie o bem e torça pra outra pessoa não passar pela sua “fazenda” e lhe roubar a colheita, restando a você apenas o conformismo e abstinência. Afinal, agradeça sua sorte!

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