| Doctors Without Borders – MSF |
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| Hospital bombardeado estava sob o comando da organização humanitária Médicos Sem Fronteira |
Ao menos 19 pessoas foram mortas no ataque aéreo que atingiu um hospital na cidade de Kunduz, no Afeganistão, na madrugada deste sábado. A unidade de saúde estava sob o comando da organização humanitária Médicos Sem Fronteiras, que informou que dentre os mortos estavam 12 afegãos membros da equipe e ao menos sete pacientes, incluindo três crianças. Outras 37 pessoas entre pacientes e equipe médica ficaram feridos. Todos os membros internacionais do grupo estão vivos e sem ferimentos, informou a organização.
O bombardeio teve início por volta das 2 horas da manhã, no horário local. De acordo com a entidade, o centro médico foi atingido "diversas vezes".
O coronel das Forças Armadas dos Estados Unidos, Brian Tribus, porta-voz da coalização no Afeganistão, disse que um ataque aéreo dos EUA atingiu Kunduz naquele horário e "pode ter resultado em dano colateral próximo à unidade médica".
Os Médicos Sem Fronteiras dizem ter informado todas as partes envolvidas no conflito na região sobre a localização precisa do hospital. "Este ataque é abominável e uma grave violação das leis humanitárias internacionais", disse Meinie Nicolai, presidente da organização, em um comunicado. "Exigimos transparência total das forças de coalizão. Não podemos aceitar que esta perda terrível de vidas seja simplesmente descartada como "dano colateral".
EUA dizem que estão investigando o incidente
Os Estados Unidos reconheceram que causaram "danos colaterais" à instalação médica durante um bombardeio em Kunduz.
O secretário de Defesa dos EUA, Ash Carter, disse que o país ainda tenta esclarecer como o ataque aéreo atingiu o hospital. "Uma investigação completa sobre o trágico incidente está em curso, em parceria com o governo afegão", disse, em um comunicado.
Segundo ele, as redondezas do hospital teriam sido cenário de intenso combate, nos últimos dias, entre as forças norte-americanas que apoiam as Forças de Segurança afegãs e combatentes do Taleban.
Dirigente da ONU diz que ataque a hospital em Kunduz é indesculpável
O Alto Comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, disse hoje que é indesculpável o ataque aéreo contra um hospital administrado pelos Médicos Sem Fronteiras na cidade de Kunduz, Norte do Afeganistão.
Segundo um novo balanço, o ataque, aparentemente lançado por forças dos Estados Unidos e que se prolongou por meia hora, fez 16 mortos, três deles crianças, e 37 feridos. “Este acontecimento é profundamente trágico, indesculpável e possivelmente criminoso”, afirmou Al Hussein num comunicado divulgado em Genebra.
O Alto Comissário da ONU pediu um inquérito aprofundado e transparente, destacando que “se for considerado pela Justiça como deliberado, um ataque aéreo a um hospital pode constituir um crime de guerra”.
A cidade de Kunduz é palco de confrontos desde que, na segunda-feira (28), os talibãs tomaram a localidade, seguindo-se uma ofensiva das forças afegãs, apoiadas por tropas dos Estados Unidos.
Na terça-feira (29), os Médicos Sem Fronteiras (MFS) divulgaram um comunicado afirmando que o hospital estava “sobrecarregado” com a chegada constante de feridos, foram atendidas entre segunda e terça-feira, 171 pessoas, entre as quais 46 crianças, a maioria com ferimentos de bala. “O hospital está inundado de pacientes”, disse Guilhem Molinie, representante do MSF no Afeganistão.
Hoje, depois do ataque, o MSF esclareceu que todas as partes envolvidas no conflito, inclusive Cabul e Washington, foram claramente informadas em várias ocasiões da localização exata (coordenadas GPS) de todas as instalações do hospital, a última das quais a 29 de setembro.
