| Fotos: Malavolta Jr. |
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| Uma das preferências: viajar, também com a esposa, Silvia, no Chile |
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| Rui Rocha em escritório |
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| Filhos Raphael e Raphaela, que trabalham com ele |
O empresário, contador e administrator conhece a vida pública e a empresarial de Bauru. E bastante. De 2006, até o ano passado, atuou no Fundo de Tratamento de Esgoto do município, sendo conselheiro e presidente. Além de ter atuado também como coordenador do Grupo de Apoio da Administração Tuga Angerami (junto às secretarias e ao DAE), até 2014 foi diretor-administrativo da Secretaria de Obras de Bauru. Hoje, ainda é conselheiro do Cadem (Secretaria de Desenvolvimento de Bauru), diretor da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) e presidente do Sindicato dos Contabilistas de Bauru e região. Casado, dois filhos, ele fala com amor da cidade onde nasceu e da qual nunca quis sair.
Jornal da Cidade – O senhor é bauruense? Sua vida toda foi aqui?
Rui Rocha Junior – Nasci aqui, bem nos Altos da Cidade, fui criado próximo à Prefeitura, estudava no Ernesto Monte, onde fiz o curso técnico em contabilidade e depois administração na ITE. Minha mãe Helena Rocha também é bastante conhecida dos bauruenses, trabalhou no Capristor (bufê) por anos. Meu pai, já falecido, Rui Rocha, foi vendedor e também era bem conhecido.
JC – O que traz da sua infância?
Rui Rocha Junior - Tive uma infância típica de menino de interior. Eram outros tempos, Bauru cresceu muito. Naquela época nós íamos a pé para o BAC, meu avô, um ferroviário, tinha casa na avenida Otávio Pinheiro Brizolla e para cima dela não havia mais nada. Para ir ao Luso passávamos por inúmeros terrenos baldios. Havia dois campos de futebol nesta região onde cresci. O melhor que herdei da infância foram os amigos. E estão todos aí, inseridos na sociedade também. Todos bem. Nos encontramos pelo menos uma vez por ano e é muito bom. Sou privilegiado de fazer parte de uma turma muito boa.
JC – Falando em contabilidade sua carreira é feita nela...
Rui Rocha Junior – De fato, só para ter uma ideia estou há 23 anos fazendo parte da diretoria e hoje na presidência do Sindicato dos Contabilistas de Bauru. Gosto muito de Bauru, tiro daqui meu sustento e procuro retribuir da melhor forma possível. Acho que todos devemos nos engajar nos assuntos da cidade e sempre ajudar da melhor forma possível.
JC – Com essa crise, como está o setor?
Rui Rocha Junior – Primeiro, as pessoas precisam entender que crises fazem parte, eu digo “crise, se tem, é passageira, vai passar”. Já vivemos dias piores, já tivemos uma inflação de 80% ao mês. Segundo, nossa profissão é excelente , de alta lucratividade, desde que exercida de forma séria.
JC – Há toda uma geração que não sabe o que é a dificuldade de gerações passadas. Sofre por ser pega de surpresa?
Rui Rocha Junior – É exatamente isso. Nós, na faixa dos 50 anos, já crescemos ouvindo falar em crise, inflação, falta de produtos. Historicamente vivemos períodos em que não havia carne, faltava leite para comprar, faltava tudo, então a gente enfrenta este momento de outro jeito. De forma mais otimista. Mas esta geração não, temos aí duas décadas de bonança, especialmente nos últimos 10, 12 anos. A geração de 20, 30, 40 anos está perplexa, assimilou a ideia de que tudo era fácil. Por isso este momento de prostração. Mas é só uma questão de enfrentar e se adequar. Quem viajava três ou quatro vezes por ano, hoje viaja uma por causa do dólar.
JC – O senhor viaja muito?
Rui Rocha Junior – A que horas vamos? Estou pronto! [risos]. Na verdade, já viajei muito e procurei conhecer outros locais como Chile, Argentina, Orlando, Miami (agora vamos para Cancún). Ainda quero viajar mais. Não sei dizer do que gostei mais, viajar com dinheiro no bolso, a passeio, é excelente, você só vê o melhor [risos]. Gosto quando meus filhos podem ir junto.
JC – Tem netos?
Rui Rocha Junior – Ainda não, mas espero ter! Sou casado com uma bauruense há 25 anos (namoramos por seis anos antes de casar). Eu e a Silvia, assistente social, temos dois filhos, a Raphaela, que é advogada, 24 anos e o Raphael de 21 anos, que já cursa Ciências Contábeis. Para mim, o casamento, a família... é importantíssimo. A Silvia representa a união, é minha confidente... E o segredo para uma união longa é o respeito que temos um com outro.
JC – O senhor falava que a contabilidade é algo que vai bem.
Rui Rocha Junior – O governo [a Receita Federal] tem editado cada vez mais medidas, as regras mudam todo dia, então é bom para nós [risos], somos mais do que necessários. A contabilidade agrega profissionais auxiliares, dá emprego, em São Paulo há escritórios que atendem 8 mil clientes. Em Bauru e região temos gente que atende 800. Só crescemos. O Sindicato dos Contabilistas representa 75 cidades e tem 5 mil sindicalizados. Mas é preciso deixar claro que a profissão exige constante atualização. Temos que investir nessa expansão do conhecimento.
JC – O senhor sempre esteve perto da administração pública vê falta de capacidade no setor?
Rui Rocha Junior – Não exatamente capacidade. Falta capacitação, é diferente. Melhoria técnica. Mais conhecimento. Nada é eterno e as coisas mudam, é preciso estudo, renovação, para acompanhar as mudanças. O profissional, o servidor, tem que mudar. Não se pode trabalhar com o público pensando que “quanto pior, melhor”, ou “tanto faz, deixa para depois”. Nada disso.
JC – E quanto à ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) tão necessária?
Rui Rocha Junior – Lamento muito, mas corremos o risco de perder o dinheiro do PAC que veio para a obra. Nos deram um grande presente., mas grande presente mesmo! E não faz diferença quem deu, quem trouxe, quem é o pai da criança. A verdade é que temos a maior obra do PAC – entre as 10 obras mais caras do governo federal está o fundo para a ETA de Bauru. Bauru é a primeira. E o dinheiro estava aí. Isso foi há seis anos. Para entender melhor é mais ou menos quando o garoto quer um brinquedo. E quando ganha do pai, deixa encostado, não brinca. Não fizemos o dever de casa. Hoje tenho certeza de que com o corte que o Governo Federal vai fazer o ano que vem e precisa fazer (não tem onde tirar dinheiro) vamos ser atingidos. Infelizmente. Precisávamos ter agido rápido tecnicamente e não agimos, não.
JC – O que aconteceu?
Rui Rocha Junior – Para o leigo entender ganhamos o que era um sonho – “uma Ferrari”, mas não temos quem saiba pilotá-la, cuidar dela. Sabe aquela imagem de um funcionário de um posto que saiu para dar uma voltinha com o carrão do cliente e o estragou porque não sabia dirigir esse tipo de máquina? É mais ou menos isso.
JC – Para melhorar...
Rui Rocha Junior – é um conjunto de ações necessárias. Mas a ETE é fundamental. Veja que sem isso empresas que querem se instalar aqui, não virão. Sem tratamento de esgoto ninguém se instala aqui, nem é porque não quer, é porque não pode, não consegue licença ambiental, o produto dessas empresas perdem a qualificação, perde competitividade daí. Bons administradores, com essa consciência, iriam atrás dessa solução. É uma questão de educação. Ganharíamos todos, principalmente a população porque é uma questão de saúde pública, imagina uma cidade do nosso porte não ter onde colocar seu lixo. É surreal.
JC – É isso que falta para Bauru voltar a prosperar?
Rui Rocha Junior – Bauru vive um momento com uma conjunção de fatores, mas para a cidade ser próspera tenho uma posição. Não podemos enxergar o município como um centro gerador de serviços (isso existe, sim, mas não é só isso). Bauru precisa ser vista como um centro regional de distribuição. Transporte de carga, recuperar a ferrovia para grandes transportes, esquece transporte de passageiros. A hidrovia próxima, a nossa posição é estratégica. É nisso que devemos mesmo investir. Bauru está adormecida para isso.
JC – Finalizando, o que faz nas suas horas vagas, fora viajar.
Rui Rocha Junior – Gosto muito de futebol, sou torcedor do São Paulo, assisto a jogos na televisão e ainda jogo com amigos, três vezes por semana, no BTC. Preciso manter a forma, né? É certo que todos lá praticamos 10 minutos e depois no restante da hora jogamos conversa fora (risos).
JC – O senhor gosta de novelas?
Rui Rocha Junior – Sem preconceito, sou noveleiro. E das tradicionais gosto de boas histórias. Agora mesmo acompanhei uma linda produção na Band “A Mil e Uma Noites” e já engatei com a “Fatmagul”, novela turca que estreou há pouco. Mostra uma outra realidade.
PERFIL
Nome:
Rui Rocha Júnior
Idade:
50 anos
Local de Nascimento:
Bauru
Esposa:
Silvia Rocha
Filhos:
Raphael e Raphaela
Livro de cabeceira: atualmente não dá para ler mais nada. A não ser estudar a legislação de forma geral, para atender aos clientes
Hobby:
são vários, futebol, caminhadas...cervejinhas (risos)
Filme preferido:
de ação
Estilo musical predileto:
MPB
Time de futebol: São Paulo
Para quem dá nota 10:
minha família
Para quem dá nota 0:
procuro não julgar, pois também não sou perfeito


