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Pornografia sem limite

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 3 min

O assunto é tão polêmico que só de você ter batido os olhos no título, eu tenho certeza que sua atenção se voltou para este artigo. É ou não é? Principalmente porque poucos se atrevem a escrever sobre o assunto.

Foi se o tempo em que os adolescentes tinham que ir atrás da pornografia. Hoje é a pornografia que vai até você. As redes sociais potencializam isso, principalmente com a popularização meteórica do WhatsApp. Quem não participa de um grupo de amigos do trabalho, da faculdade, de infância e não é bombardeado por nudez o tempo inteiro? Qual mulher ainda não flagrou essas imagens no telefone do marido? Recentemente, até o padre Fábio Mello fez um pedido de forma bem-humorada em seu perfil no Twitter: “Gente, parem de me pedir nudez”.

Voltando para a época da adolescência, entre os anos de 1998 e 2003, aproximadamente, a pornografia esteve presente na vida dos meninos na época da Internet de rede discada. Quem lembra? Se hoje você é pai de um ex-adolescente, agora você sabe o porquê dos jovens criarem todos os tipos de desculpas para vocês não implicarem com que eles ficassem acordados após a meia-noite. A desculpa preferida era: “estou estudando”. Na época, os sites pornográficos se transformaram para eles em uma espécie de guia sexual. Os jovens buscavam descobrir ali tudo o que queriam saber sobre sexualidade.

E naquela época, para quem se lembra, era engraçado que nestes sites existia a seguinte pergunta: você tem mais de 18 anos? Sim ( ) ou Não (  ). Como se adolescentes virgens e excitados fossem sinceros. Diz a lenda que se clicasse no “não” o site te direcionava para o portal da Disney. Eu não sei. Nem do sim e nem do não. Afinal, não tive Internet e computador em casa. ;) (risos)

História: arqueólogos datam a origem da devassidão em 30 mil anos A. C., com os ímpetos sexuais representados em peças arqueológicas encontradas na África, Américas e Oceania. Sempre a mulher como objeto de culto.

A indústria pornográfica é um setor que não se abala com a crise. A revista americana “The Week” trouxe reportagem de que a pornografia no mundo é responsável por lucrar 97 bilhões de dólares todos os anos. E mais: 25% das pesquisas feitas no Google têm conteúdo sexual. 12% dos sites que existem são pornográficos. 35% dos downloads é de conteúdo adulto. 8% dos e-mails mandados diariamente no mundo todo têm conteúdo de sexo. Uma em cada quatro pessoas que entram em sites pornôs é mulher. 266 novos sites pornôs surgem todos os dias. A imensa maioria com vírus que infectam o HD dos computadores.

Recentemente, a lutadora campeã do UFC e agora estrela de cinema, Ronda Rousey, recusou uma proposta de 18 milhões de reais para estrelar um filme pornô.

Nos dias atuais, não é mais a pessoa que vai atrás da pornografia. É a pornografia que te persegue e se infiltra em seu celular. Percebeu isso? Já perdi as contas de quando um amigo ou um familiar vai mostrar alguma foto da filha(o), do sobrinho, do cachorro e, em meio ao álbum do smartphone, ele estar repleto de fotos e vídeos de mulheres peladas. Aí, com a pessoa sem graça, eu escuto: “poxa, os ‘caras’ quem ficam mandando o tempo todo”. Sei. E isso não é exclusividade dos homens. Conheço muitas mulheres que assumem gostar deste tipo de conteúdo e assistem com os maridos.

Precisei bloquear meu celular para interromper o download automático e até saí de grupos de amigos porque não paravam de compartilhar este tipo de conteúdo. As crianças, hoje em dia, brincam com os celulares dos adultos, pedem para jogar os aplicativos de games e um “play”, dado por engano nestes vídeos, pode destruir uma inocência. É preciso ter discernimento de que nem tudo pode ser compartilhado. A maioria das pessoas não estão, sequer, conseguindo interpretar textos e conteúdos na Internet. Muitos não sabem mais o que é humor, ironia, realidade ou notícia falsa. Só sabem clicar e reproduzir.

 

O autor é jornalista no JCNET e aluno de pós-graduação da Unesp em Bauru

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