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Prefeitura corta mais R$ 2 milhões em adicionais da estação de esgoto

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Priscila Medeiros/Divulgação
Terraplanagem e movimentação de solo ainda podem justificar majoração no preço do contrato

A Prefeitura de Bauru vai negar mais R$ 2 milhões em aditivos reivindicados pela COM Engenharia, responsável para construir a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), pelo valor total de R$ 130 milhões. Inicialmente, a empresa havia solicitado R$ 11,5 milhões a mais do que o montante previsto em contrato. A maior parte do pedido já havia sido negada, restando, agora, apenas R$ 2,8 milhões que ainda dependem de análise da Secretaria de Obras, do DAE e da Caixa Econômica Federal (CEF).

Os R$ 2 milhões rejeitados na última sexta-feira foram apontados como necessários pelo consórcio SGS-Enger e JHE, cujo dever é fiscalizar e gerenciar a obra. Esse valor seria motivado por supostos erros de projeto, especificamente na dimensão das estacas previstas para sustentar as futuras edificações. 

A análise, no entanto, foi confrontada com a empresa que elaborou o projeto executivo da ETE, a multinacional Etep/Arcadis Logos, que refutou a existência de falhas e/ou omissões no estudo contratado pelo DAE, que ficou pronto em 2011, pelo custo de R$ 1,9 milhão.

“Recebemos a resposta de que o projeto está certo, mas que tanto as avaliações da COM Engenharia quanto do consórcio gerenciador também estão corretas. De acordo com a Arcadis, há apenas divergências nas metodologias de engenharia. A construtora mesmo nunca utilizou o termo erro. Eles temem que, com o diâmetro menor, as estacas rompam no momento em que forem cravadas, mas não que elas não suportem a carga necessária. Não posso aumentar o custo da obra por esse motivo”, explica Sidnei Rodrigues.

Em recente entrevista coletiva concedida à imprensa, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) não descartou a contratação de nova empresa ou profissional especializado caso a Etep/Arcadis Logos não reconhecesse o erro e sustentasse a defesa técnica de seu projeto.

A hipótese, porém, foi descartada pelo secretário de Obras, que alegou já te recebido três opiniões: da projetista, da construtora e da gerenciadora – todas diferentes. Rodrigues avalia como remota a possibilidade de a Arcadis ter omitido suposto erro no projeto. “Eles não seriam loucos. É muita responsabilidade. Por que se arriscariam dessa forma?”.

GLOBAL

 

Já os outros R$ 2,8 milhões, ainda em aberto, são referentes a serviços complementares, em tese impossíveis de serem previstos pelo projeto executivo da ETE. A maior parte desse valor diz respeito à movimentação, substituição e ao nivelamento de solo (terraplanagem). 

Até o final dessa semana, técnicos da Secretaria de Obras, do DAE e da CEF definirão quanto deste montante deverá ser pago a mais pelo Fundo de Tratamento de Esgoto (ETE) e quanto deverá ser absorvido pela COM Engenharia, já que a obra foi contratada pela modalidade de empreitada global.

 

Atraso

Os problemas em torno da obra da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) não se resumem apenas aos pedidos de aditivos ao valor original do contrato. O cronograma de execução dos serviços registrava atraso de 45 dias até meados de setembro, quando houve a quarta medição dos trabalhos. Até lá, apenas 1,85% do total havia sido executado.

Rodrigo Agostinho tem reclamado do ritmo de atividades da COM Engenharia e reforça a necessidade de que a obra seja entregue no prazo de 18 meses, que chega ao fim em dezembro de 2016. 

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