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Inflação não dá trégua

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

A inflação de setembro ficou em 0,54%, mais do que o dobro da inflação de agosto que foi de 0,22%. Em nove meses deste ano a inflação acumula alta de 7,64% e se analisarmos os últimos doze meses a inflação atinge a nada confortável marca de 9,49%, bem acima do limite máximo fixado pelo próprio governo que é de 6,5%. Cada mês tem um ou mais vilões. No mês passado foi o botijão de gás que apresentou alta de 12,98%. Também contribuíram para elevação do índice em setembro água e esgoto (+1,48%), tarifa de ônibus (+2,59%), passagens aéreas (+23,13%) e outros produtos como vestuário e calçados.


A pergunta que não quer calar: o que esperar daqui para frente? A primeira questão importante a ser considerada, conforme já abordei neste espaço em meu último artigo, é que somente após o controle efetivo da inflação é que o país poderá voltar a crescer. Isso tem uma explicação simples: sem que os fundamentos da economia estejam equacionados o controle dos preços dependerá em muito da política monetária e esta, uma vez aplicada para inibir a demanda, segurará ainda mais o nível da atividade econômica do país.


Desta maneira, o cenário para os próximos meses indica pressão sobre os preços vinda de todos os lados, inclusive via câmbio, indicando inflação rodeando os 9,5% para este ano, elevando a necessidade de subir a já elevada taxa de juros, gerando maior engessamento da economia. Enquanto não houver controle dos preços, este será o cenário. Não será tarefa fácil derrubar a inflação, mesmo porque a questão política tem colocado mais lenha na fogueira.


Este cenário confirma o pessimismo nas projeções do desempenho econômico brasileiro. O próprio FMI – Fundo Monetário Internacional - projeta recessão acima de 3% para este ano no Brasil. Esta projeção é confirmada pela deterioração no consumo das famílias com retração projetada de 2,1%, queda nos investimentos debilitando ainda mais o mercado. Não há dúvidas que a indústria de transformação, a construção civil e o comércio derrubarão o desempenho econômico, isso sem contar os segmentos de transporte e logística. É a confirmação da recessão em curso. Até mesmo para o ano que vem as projeções são negativas, com retração no Produto Interno Bruto na ordem de 1%.


Na prática, é preciso ações visando romper o ciclo vicioso existente: inflação alta, que exige juros altos, que derrubam o crescimento econômico, que reduz o mercado de trabalho, que empobrece a todos, que leva o país a andar para trás. Ser certeiro no controle dos preços, inclusive utilizando a política fiscal austera, com rigor fiscal, abre enorme caminho para afrouxar a política monetária, abrindo espaço para queda dos juros e a retomada da confiança dos agentes econômicos. Se este ano pode ser considerado perdido, ao menos resta uma importante e nobre tarefa: trazer a inflação para os limites da meta, sem isso todo o resto ficará em segundo plano. O mês de setembro já foi e não trouxe números positivos, é hora de focar nestes três meses que restam.


O autor é economista e articulista do JC

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