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Pesquisa avalia adubo feito por compostagem

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

A partir de 2018, por exigência do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, Bauru terá de encontrar soluções para o descarte do lixo produzido pela cidade. Materiais recicláveis e resíduos orgânicos com potencial para serem reaproveitados terão de ter outra destinação que não o aterro sanitário.

Neste contexto, pesquisas para demonstrar a viabilidade de produzir adubo a partir dos produtos orgânicos dispensados pela população ganham importância e espaço cada vez maior dentro do ambiente acadêmico. Na Universidade do Sagrado Coração (USC), um destes estudos vem sendo conduzido pela aluna Angela Braga Franzolin Motta, em sua dissertação de mestrado orientada pelo professor de graduação e pós-graduação Thomaz Figueiredo Lobo.

Há cinco meses, ela desenvolve um trabalho em parceria com o Centro de Progressão Penitenciária (CPP) 3, o antigo Instituto Penal Agrícola (IPA), para avaliar, em termos qualitativos e quantitativos, a produção de alface e beterraba com o uso de adubo resultante da compostagem de materiais orgânicos e também com fertilizantes convencionais. “A intenção é analisar o volume, o teor de nutrientes absorvidos e a durabilidade após a colheita, que tende a ser maior nos alimentos orgânicos”, aponta a mestranda.

Para tanto, foram utilizadas três toneladas de resíduos, que incluíram restos de alimentos do refeitório do CCP 3, esterco de ovinos e bovinos e restos de carvão e de poda das árvores da unidade. Ao final, a expectativa é produzir 750 quilos de adubo.

Angela explica que os cerca de 30 reeducandos que trabalham na horta do centro penitenciário colaboram para o projeto, auxiliando na manipulação semanal dos compostos, que já estão quase prontos para uso. “Já estamos produzindo as mudas de alface para, ainda neste mês, plantá-las no canteiro e começar a adubá-las. Numa segunda fase, passaremos a trabalhar com as beterrabas”, acrescenta a pesquisadora.

Longo prazo

Orientador da aluna, Thomaz Lobo explica que esta etapa deverá ser concluída dentro de um ano, quando Angela termina sua dissertação de mestrado. A intenção, contudo, é manter a parceria com o CPP 3 e realizar novos ciclos de plantio de alface, beterraba e também de outros tipos de alimento, como forma de demonstrar que, diferentemente do fertilizante químico, o adubo orgânico contribui para manter a terra úmida e fértil no longo prazo.

“Chega um ponto em que não é mais necessário adubar com a mesma frequência, porque fica um efeito residual. Estamos realizando uma pesquisa semelhante em Botucatu, que vai entrar, agora, no quarto ciclo. Depois, deixaremos dois ciclos sem aplicar o composto para verificar se essa nossa expectativa se concretiza”, detalha Lobo.

Soluções para o futuro

Segundo Angela, a proposta da pesquisa é comprovar a viabilidade de substituir, total ou parcialmente, o uso de produtos químicos para adubação, como forma, inclusive, de encontrar soluções para a destinação do lixo orgânico. Ela diz, ainda, esperar que, em algum momento, a administração municipal possa dar continuidade ao projeto e, futuramente, instalar uma miniusina de compostagem no CPP-3, aproveitando o espaço disponível e a mão de obra dos reeducandos.

“O custo não é alto. Na verdade, é muito menor do que o de operação do aterro. E, mais do que isso, é um caminho que vai ter de ser adotado em algum momento, em curto prazo, por força de lei”, completa, salientando que o poder público poderia doar o adubo produzido para os produtores rurais locais que fornecem alimentos para a merenda escolar.

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