Bairros

Desabafo: "Os vizinhos fazem daqui um verdadeiro depósito de lixo"

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 4 min

A duas quadras do Jornal da Cidade existe a Praça Luiz Zuiani. E o Jornal da Cidade é um dos mantenedores da praça, através da adesão do projeto “Empresa Boa Praça” (veja abaixo), que a municipalidade mantém para ter as áreas verdes em recuperação e limpinhas.

“Mas mesmo assim é de se lamentar o estado da praça. A gente sabe que se aqui há a limpeza sistemática, mais rápida está a ação dos vândalos”, lembra Gerson de Moraes, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), regional de Bauru, e mora na região. “Os vizinhos, moradores de perto, mas não se sabe quem, fazem daqui um depósito de lixo”, desabafa, mostrando o amontoado de sacos de lixo numa das laterais da praça.

Localizada no Higienópolis, um bairro tradicional da cidade, essa praça recebeu, não faz muito tempo, os equipamentos para academia ao ar livre.  “E também é um local bastante frequentado por familiares e suas crianças. Além de estar próxima à Escola Municipal de Educação Infantil  Pinóquio e atrair muitos pais e filhos, especialmente no final da tarde, após o período de atividades escolares, que evidentemente não ficam nada felizes com que está ocorrendo”, lembra ele.

“Costumeiramente, os moradores daqui da região, ao invés de deixar o lixo nas calçadas de casa, agora deram de levar para a praça. Então, além da sujeira normal das árvores, com galhos,  existe o mau hábito de também colocar aqui o lixo do dia a dia”.

E, de uns dias para cá, esse mau hábito aumentou. “Piorou nos últimos dias”, garante. A questão não é só pagar para limpar, coisa que o advogado já fez do próprio bolso. Ou pagou carreto para levar o excesso dali. Gérson de Moraes defende matérias de “conscientização da população”. “Penso que é preciso uma educação, reforçar que esse tipo de atitude só traz malefícios para todos, inclusive é uma questão de saúde pública”, enfatiza o morador.


Projeto ‘Empresa Boa Praça’

A Prefeitura de Bauru oferece vários benefícios às empresas que abraçam o projeto “Empresa Boa Praça”. Entre eles, destaca-se a divulgação e premiação das parcerias,  consultoria técnica ambiental para adequação dos plantios de árvores e plantas ornamentais e a consultoria arquitetônica para a viabilização de rampas de acessibilidade, bancos e demais equipamentos das praças.

Os adotantes podem utilizar o espaço adotado para divulgação, inserindo uma placa com o nome da empresa. No entanto, não é permitida a realização de eventos com fins comerciais nesses espaços e, caso seja denunciada qualquer intervenção visando lucro, é feita a rescisão imediata do contrato.

A adoção da praça pública, de esportes, viadutos e pontes ou área verde em geral pode se destinar a:

• Urbanização

• Construção ou implantação de equipamentos esportivos ou de lazer

• Conservação e manutenção da área adotada

• Atividades culturais, educacionais, esportivas e de lazer


Praça do Cruzeiro

Também conhecida como “Praça do Cruzeiro”, a praça Anacleto Chaves está localizada no final da avenida Duque de Caxias e com acesso ao Parque das Camélias. Esta é uma praça estratégica na cidade e sempre tem bom público. Tanto que ali a prefeitura realiza tradicionalmente a Feira Ubá de artesanato e, esta semana, ela foi palco de evento itinerante do Sebrae para incentivar o microempreendedorismo.

Enquanto a irmã estava sendo atendida no estande do Sebrae, a esteticista Viviane Vilalba, cuidava do sobrinho Gabriel, de 4 anos. Ela e sua mãe Fátima Aparecida Barbosa aproveitavam a sombra das árvores na praça. E chegavam a elogiar, porque, o local, além de oferecer melhor estrutura está bem mais limpo. “Hoje todo o lixo está ajuntado”. E elas faziam um comparativo com a praça do bairro onde moram, no Geisel, que é bem menos limpa.

De fato, podia-se ver que na manhã de terça-feira galhos haviam sido cortados e empilhados à espera do caminhão que faz o recolhimento desse tipo de material pela prefeitura.

Também foi feita a varrição e vários sacos pretos estavam empilhados com que estivera espalhado na noite anterior e no final de semana, à espera da coleta. Exatamente o que é o comportamento habitual dos funcionários da limpeza pública.

Um vendedor de redes, vindo da Paraíba (que por razões de falta de cadastro na prefeitura municipal não quis dizer seu nome, por medo de ser autuado) presente ao local confirmou que, pela manhã, as moças de uniforme amarelo, funcionárias públicas, vieram e deixaram tudo limpinho, mas lamentou que, mesmo assim, moradores da região, como ele próprio, vieram e colocaram o lixo de qualquer jeito aqui. “O povo não cuida direito não e vai jogando”, lamenta.


Todo o tipo de material ‘enfeia’ o parquinho

Se o vendedor ambulante já reclamava da sujeira na Anacleto Chaves, imagina qual juízo faria na praça do Jardim Redentor, na tradicional confluência das ruas Rafael Pereira Martini com José Guedes, na esquina da avenida do Hipódromo?

Ali o que se viu esta semana foi lixo de toda sorte. O estado da praça era lastimável. Ao ponto de no parquinho infantil, as crianças terem que conviver com caixas de pizzas no escorregador. Copos descartáveis, restos de comida, sujeira de cães e uma série de materiais inservíveis deixavam o local deplorável.

“Isto aqui é uma constante. Tudo bem que a prefeitura vem cortar a grama e podar as árvores sempre, mas precisava fazer a varrição e recolher o lixo todo dia. E a população não tem dó, especialmente o pessoal que come nos carrinhos de lanche e joga o resto tudo aqui”, reclama outro morador, acrescentando: “Tá muito feio”.

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