Articulistas

Papa é rock, uns tais casos pontuais, e aqueles alvoroços em Brasília

Pedro Vinicius Rossi
| Tempo de leitura: 2 min

Que semana, a passada! Atribulada e repleta de notícias mil. De todos os cantos de um mundo conectado, uma enxurrada de informações, fotos e tantos vídeos quanto a conexão banda larga nos permite. Há quem goste da nostalgia mágica das manchetes nos jornais, e aqueles que não desgrudam os olhos da tela da TV, num nada recíproco boa noite de um William Bonner qualquer. Mas não é disso que eu gostaria de falar aqui. Ou talvez seja parte desse contexto todo. Comecemos.


Se João Paulo foi o pop do conservadorismo católico, Francisco é o rock desse novo milênio cristão. Não me lembro quando foi a última vez em que sorri para um líder eclesiástico, ou quando concordei, sem querer discordar, de palavras ditas sobre um púlpito religioso. A cada notícia, a cada imagem, a cada vídeo, a cada palavra, esse clérigo sensação assusta pela espontaneidade, cria admiração pela sua humildade, e renova as caducas palavras de um catolicismo envelhecido. Continuemos.


Foi apenas um caso pontual, foi apenas outro caso pontual, foi mais um caso pontual. Outro, e outro, e mais outro. Quando terei tempo para parar e contar de quantos casos pontuais de violência, de absurdos abusos e de exageradas ignorâncias, é feita a polícia? A cada semana é uma abordagem forjada, um crime inventado, uma formação de quadrilha aqui e uma participação num homicídio acolá. Um sacar de armas aleatório, um tiro sem motivo. Uma intolerância entre psicoses. Prossigamos.


Em Brasília, a tenda continua armada e o circo pegando fogo. Essa semana deu-se continuidade do jogo de interesses na dança das cadeiras, o corte de alguns tantos ministérios e outros três mil cargos comissionados. Em São Paulo, vimos o governador inflacionar os dados sobre o salário dos professores e aumentar o seu próprio (sic!). No Distrito Federal, parte do bom senso parece ter retornado sobre a forma de uns meros 10% reduzidos do salário do Executivo Federal, e afins. Avancemos.


Ainda na capital federal, o presidente da Câmara se encontra às avessas com as denúncias de um banco suíço sobre suas supostas contas ilegais naquele país. Imagino que deve estar dando um trabalho por para secar todo aquele dinheiro lavado nas igrejas. Enquanto o ex-presidenciável mineiro continua se esquivando das alegações de participação em esquemas de corrupção, enquanto bancadas pmdbistas lutam por mais uma cadeira em mais outro ministério, Eduardo Cunha subiu no telhado. Finalizemos.


Que semana! Atribulada e repleta de notícias mil. Um todo cheio de altos e baixos, de reviravoltas a torto e a direito, de algumas notícias absurdas e alguns tantos problemas que, aos desavisados sobre o mundo, mais parecem besteiróis aleatórios de um Big Brother qualquer.  Na nostalgia do perfume de um jornal impresso, ou nas timelines das inúmeras redes sociais, a Lua vermelha no céu e o Vasco caindo para segunda divisão não foram as únicas manchetes que chamaram a atenção. Pensemos.


O autor é sociólogo, mestrando do curso de Ciências Sociais pela Universidade Estadual

de Londrina/PR.

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